{"id":24135,"date":"2013-01-23T16:17:00","date_gmt":"2013-01-23T16:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24135"},"modified":"2013-01-23T16:17:00","modified_gmt":"2013-01-23T16:17:00","slug":"como-entender-as-narracoes-de-crueldades-do-antigo-testamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/como-entender-as-narracoes-de-crueldades-do-antigo-testamento\/","title":{"rendered":"Como entender as narra\u00e7\u00f5es de crueldades do Antigo Testamento?"},"content":{"rendered":"<p>Perguntas e Respostas sobre a B\u00edblia &#8211; 1 <!--more--> A pergunta tem muita raz\u00e3o de ser. Na verdade, se Deus \u00e9 bom, como pode permitir ou at\u00e9 incentivar as crueldades narradas pela B\u00edblia, sobretudo a\u00e7\u00f5es de guerra? <\/p>\n<p>Para entender isto, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta alguns aspetos. Algumas vezes a B\u00edblia descreve simplesmente o que aconteceu, exprimindo a reprova\u00e7\u00e3o do autor ou com palavras expl\u00edcitas ou pelo contexto. Em tais casos n\u00e3o h\u00e1 dificuldade contra a inerr\u00e2ncia da B\u00edblia em quest\u00f5es morais. Cf. por exemplo a narra\u00e7\u00e3o da morte da concubina do levita em Gabaa (Jz 19,22-30). <\/p>\n<p>A dificuldade existe sobretudo quando na descri\u00e7\u00e3o de cru\u00e9is m\u00e9todos de guerra se atribui a Deus o impulso ou a ordem. Assim, por exemplo, a destrui\u00e7\u00e3o total de Jeric\u00f3 \u00e9 apresentada como um holocausto a Deus. Acan, que tinha reservado qualquer coisa para si, foi morto \u00e0 pedrada. O mesmo an\u00e1tema (em hebraico, \u201cherem\u201d) que comportava a destrui\u00e7\u00e3o total de todo o ser vivo \u00e9 aplicado \u00e0 cidade de Ai, a Maqueda, a Libna, que foi passada a fio de espada com tudo o que nela havia, sem deixar escapar ningu\u00e9m, etc. \u00c9 preciso, por\u00e9m, afastar uma falsa impress\u00e3o que se poderia tirar destes textos, isto \u00e9, a ideia que todos os cananeus foram assim destru\u00eddos. Pelos livros seguintes (Ju\u00edzes, etc.) v\u00ea-se que na Palestina permaneceram centros cananeus at\u00e9 data muito tardia e que tiveram not\u00e1vel influ\u00eancia sobre o povo de Israel. Todavia, permanece o facto de pelo menos em alguns casos a B\u00edblia parece fazer recair sobre Deus a responsabilidade do interdito. <\/p>\n<p>A dificuldade n\u00e3o diminui pelo facto de a hist\u00f3ria dos povos vizinhos de Israel conhecer exemplos ainda mais graves de crueldades cometidas por ocasi\u00e3o de guerras, referidas a uma ordem dos deuses do povo vencedor. Na estela de Mesha, rei de Moab (s\u00e9c. IX a.C.), o rei vangloria-se de ter morto o povo da cidade de Ataroth e apresenta isso como \u201cespet\u00e1culo agrad\u00e1vel\u201d ao deus Kamosh. Na mesma estela, Mesha diz ter morto todos os sete mil habitantes de Nebo, porque tinha votado a cidade a Kamosh. Este facto induz-nos a considerar o fen\u00f3meno tamb\u00e9m no seu aspeto religioso e a ver a possibilidade duma ulterior solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideia religiosa que inspirava o interdito era, na linha de princ\u00edpio, exata. O dever de fidelidade a Yahweh e \u00e0 sua alian\u00e7a exigiam da parte de Israel a absten\u00e7\u00e3o de todo o culto idol\u00e1trico, a elimina\u00e7\u00e3o de todo o contacto perigoso com os pag\u00e3os. Tal exig\u00eancia traduzia-se, na situa\u00e7\u00e3o do tempo, numa necessidade de aplicar um direito de guerra, de per si il\u00edcito, mas considerado leg\u00edtimo na mentalidade da \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u00c9 importante recordar sobretudo que a revela\u00e7\u00e3o de Deus a Israel foi progressiva e que Deus n\u00e3o manifestou sen\u00e3o a pouco e pouco ao seu povo todas as consequ\u00eancias derivadas duma conce\u00e7\u00e3o universalista da alian\u00e7a, educando-o lentamente para o preparar para a revela\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica.<\/p>\n<p>Outra forma de perceber \u00e9 analisar os nossos pensamentos atuais em rela\u00e7\u00e3o a tantas situa\u00e7\u00f5es ou pessoas m\u00e1s deste mundo. Deus devia intervir, ou seja, eliminar, dar cabo de todas as pessoas m\u00e1s. Este pensamento \u00abpiedoso\u00bb n\u00e3o est\u00e1 nada longe da mentalidade do Antigo Testamento que achamos conden\u00e1vel. <\/p>\n<p>J. Franclim Pacheco<\/p>\n<p>Espa\u00e7o da responsabilidade do ISCRA  &#8211; Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas e Respostas sobre a B\u00edblia &#8211; 1<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-24135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24135\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}