{"id":24137,"date":"2013-01-23T16:28:00","date_gmt":"2013-01-23T16:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24137"},"modified":"2013-01-23T16:28:00","modified_gmt":"2013-01-23T16:28:00","slug":"a-voz-do-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-voz-do-vento\/","title":{"rendered":"A voz do vento"},"content":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a <!--more--> A experi\u00eancia sentida e partilhada por milhares de portugueses d\u00e1 uma dimens\u00e3o da incapacidade humana perante a for\u00e7a da natureza, onde nos inserimos mas da qual, se d\u00favidas persistissem, n\u00e3o somos senhores, donos, propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Estes dias de janeiro at\u00e9 podem ser (dever\u00e3o ser mesmo!) de poderoso apelo ao discernimento, tal como \u00e9 cantado nas \u00faltimas d\u00e9cadas: se ouvires a voz do vento, chamando sem cessar. Se ouvires a voz do tempo, mandando esperar,\u2026 se ouvires a voz do mundo, querendo-te enganar,\u2026 a decis\u00e3o \u00e9 tua.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam express\u00f5es de espanto perante a for\u00e7a dos elementos. O mesmo espanto \u00e9 estupefa\u00e7\u00e3o vistas as consequ\u00eancias: a natureza exprime a sua for\u00e7a e os homens e mulheres do s\u00e9culo XXI nada podem! Ficam em casa mas at\u00e9 a casa \u00e9 arrancada do ch\u00e3o; querem \u00e1gua e nada t\u00eam para al\u00e9m da que cai sem cessar; querem o conforto do aquecimento mas at\u00e9 este \u00e9 retirado; querem comunicar, divertir-se, alimentar-se, cinema\u2026 n\u00e3o t\u00eam energia! Ref\u00e9ns fr\u00e1geis domesticados em conforto, presos a uma linha simples de uma rede, fica-se aturdido quando esta falha. O mais importante da vida, tal como a pr\u00f3pria vida, s\u00e3o pequenos filamentos que nos unem.<\/p>\n<p>NB: ainda na \u201cnoite das trevas\u201d um canal de not\u00edcias transmitia o drama humano provocado pela cobi\u00e7a, instalada no Mali e outros pa\u00edses do Magreb, na explora\u00e7\u00e3o do ur\u00e2nio para as centrais at\u00f3micas de Fran\u00e7a e g\u00e1s natural para \u201cconfortar\u201d a Europa.<\/p>\n<p>A obra humana so\u00e7obrou! E agora?<\/p>\n<p>Se \u00e9 aceit\u00e1vel que \u201cpalavras leva-as o vento\u201d n\u00e3o deixa de ser importante considerar que h\u00e1 palavras que s\u00e3o obra. Portanto, podem galvanizar, dinamizar o coletivo. \u00c9 isso que se espera, por exemplo, das palavras de governo, de lideran\u00e7a. Seriam as palavras feitas presen\u00e7a, solidariedade. N\u00e3o houve ou n\u00e3o se ouviram! At\u00e9 se percebe, no meio de tantas tempestades, estas podem ser consideradas como menores! Coisas que passam. Seria aqui que, outrora, entravam os Governos Civis\u2026 a palavra, a presen\u00e7a dos representantes junto de quem mandatou para o exerc\u00edcio da governan\u00e7a para dar coes\u00e3o ao territ\u00f3rio e a quem o constr\u00f3i. Tudo o vento levou! <\/p>\n<p>Enquanto o vento varre o pa\u00eds, outras vozes reassumem o comando do mundo. Obama jurou servir a Am\u00e9rica e, pela influ\u00eancia que det\u00e9m, tamb\u00e9m um pouco de cada um de n\u00f3s. Sopram ventos de mudan\u00e7a na imigra\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, justi\u00e7a social e pol\u00edtica externa assente na paz.<\/p>\n<p>O vento passa a rir, torna a passar,<\/p>\n<p>Em gargalhadas \u00e1speras de demente;<\/p>\n<p>E esta minh\u2019alma tr\u00e1gica e doente<\/p>\n<p>N\u00e3o sabe se h\u00e1-de rir, se h\u00e1-de chorar!<\/p>\n<p>Vento de voz tristonha, voz plangente,<\/p>\n<p>Vento que ris de mim sempre a tro\u00e7ar,<\/p>\n<p>Vento que ris do mundo e do amor,<\/p>\n<p>A tua voz tortura toda a gente! &#8230;<\/p>\n<p>Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!<\/p>\n<p>Desabafa essa dor a s\u00f3s comigo,<\/p>\n<p>E n\u00e3o rias assim ! &#8230; \u00d3 vento, chora!<\/p>\n<p>Que eu bem conhe\u00e7o, amigo, esse fad\u00e1rio<\/p>\n<p>Do nosso peito ser como um Calv\u00e1rio,<\/p>\n<p>e a gente andar a rir pla vida fora!! &#8230;<\/p>\n<p>Florbela Espanca, <\/p>\n<p>in \u201cLivro de M\u00e1goas\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-24137","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24137"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24137\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}