{"id":24153,"date":"2013-01-30T15:29:00","date_gmt":"2013-01-30T15:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24153"},"modified":"2013-01-30T15:29:00","modified_gmt":"2013-01-30T15:29:00","slug":"artur-fino-reconditos-de-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/artur-fino-reconditos-de-alma\/","title":{"rendered":"Artur Fino &#8211; rec\u00f4nditos de alma"},"content":{"rendered":"<p>Perdi-me na sala de exposi\u00e7\u00f5es da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Aveiro a apreciar, a gozar, a analisar os trabalhos que o Artur Fino recentemente nos ofereceu, para nosso deleite.<\/p>\n<p>\u00c9 um mundo novo este que o Artur abordou plasticamente. Mais uma vez conseguiu surpreender-nos, nunca abandonando, contudo, o seu mundo da fatura abstrata.<\/p>\n<p>Da consist\u00eancia, da robustez mat\u00e9rica da sua pintura anterior, Fino salta para um mundo et\u00e9reo, onde a poesia se instala por conta de uma subtil utiliza\u00e7\u00e3o de meios aparentemente simples que s\u00f3 uma capac\u00edssima t\u00e9cnica permite transformar em obra de arte.<\/p>\n<p>Cada quadro exposto, pequeno de dimens\u00e3o f\u00edsica, \u00e9 um poema cuja leitura faculta a cada um de n\u00f3s momentos que muito profundamente nos enriquecem.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 ligeira esta nova fase criativa de Artur Fino. Longe disso. Cada quadro abre-nos inesperadas portas para que a nossa imagina\u00e7\u00e3o seja alavancada at\u00e9 c\u00e9us inusitados onde se fica preso a uma espiritualidade que invade o mais \u00edntimo de n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 pintura; tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 desenho; mas \u00e9 da soma de tudo isto que resulta um sonho que se esparrama no branco da fr\u00e1gil superf\u00edcie de suporte. \u00c9 uma escrita sem escrita onde se descobre um poema que se desnuda e nos envolve. \u00c9, repito, efetivamente um mundo novo aquele que Artur Fino desbravou, e, creio, vai continuar a desbravar, tal a riqueza das potencialidades que esta nova abordagem permite adivinhar.<\/p>\n<p>Artur Fino sempre foi um experimentalista. Um insatisfeito consigo pr\u00f3prio, um insatisfeito com tudo aquilo que vai saindo do seu esp\u00edrito irrequieto atrav\u00e9s das suas h\u00e1beis m\u00e3os. \u00c9 um pintor que se deixou apaixonar pela express\u00e3o abstrata e dela nunca se arredou. Assim manifesta a sua coer\u00eancia art\u00edstica, \u00e0 qual se agarra sem tergiversar.<\/p>\n<p>E esta forma de sentir a sua arte vem desde que o conhe\u00e7o. Ele foi um dos que fundaram AVEIROARTE, e, anos a fio, principalmente com Jeremias Bandarra, constitu\u00edram o esteio dessa associa\u00e7\u00e3o que vai a caminho de meio s\u00e9culo de exist\u00eancia, na senda da descoberta de novas formas de express\u00e3o. <\/p>\n<p>Artur Fino \u00e9 fruto de um tempo em que era necess\u00e1rio lutar contra o \u201ctempo\u201d desse tempo. \u00c9 um dos atores da mudan\u00e7a de mentalidades que se come\u00e7ou a operar , nos idos anos sessenta, por terras de Aveiro. <\/p>\n<p>Era proveniente da fornada de jovens sa\u00edda da extinta EICA, Escola Industrial Comercial de Aveiro, fornada essa que conseguiu alterar muito do marasmo cultural reinante em terras da Ria.<\/p>\n<p>A sua irrever\u00eancia, a irrever\u00eancia desses jovens, abriu portas no mundo do jornalismo, do teatro (lembremo-nos do CETA), procurando tornar acess\u00edveis a todos os bens da cultura aberta, da cultura que afastava estreiteza de ideias, da cultura que permitia respirar ares novos de tempos novos.<\/p>\n<p>Na busca desses ares novos permanece Artur Fino, n\u00e3o deixando que confundam, balofamente, inova\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o, com atitudes elitistas que est\u00e3o nos ant\u00edpodas do seu exemplo de vida. <\/p>\n<p>A sua \u00faltima exposi\u00e7\u00e3o [nos finais de 2012] \u00e9 bem prova disso mesmo.<\/p>\n<p>Gaspar Albino<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perdi-me na sala de exposi\u00e7\u00f5es da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Aveiro a apreciar, a gozar, a analisar os trabalhos que o Artur Fino recentemente nos ofereceu, para nosso deleite. \u00c9 um mundo novo este que o Artur abordou plasticamente. 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