{"id":24156,"date":"2013-01-30T15:39:00","date_gmt":"2013-01-30T15:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24156"},"modified":"2013-01-30T15:39:00","modified_gmt":"2013-01-30T15:39:00","slug":"amor-em-tempo-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/amor-em-tempo-de-guerra\/","title":{"rendered":"\u00abAmor em tempo de guerra\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> O texto de S. Paulo ficou c\u00e9lebre na hist\u00f3ria como \u00abhino \u00e0 caridade\u00bb ou \u00abhino ao amor\u00bb. Tanto pela riqueza do conte\u00fado como pela beleza liter\u00e1ria. Mas s\u00f3 o poderia ter escrito porque, ao contr\u00e1rio dos judeus do evangelho, n\u00e3o rejeitou o projecto daquele Jesus que ao princ\u00edpio lhe parecia insuport\u00e1vel e at\u00e9 conden\u00e1vel. S. Paulo era um fariseu educado e coerente \u2013 mas como era educado a s\u00e9rio foi capaz de aceitar o valor superior de novas ideias e m\u00e9todos de ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S. Paulo escolheu o cume mais apropriado para a vis\u00e3o panor\u00e2mica do ser humano. Um cume de escarpas \u00edngremes e escorregadias, que exigem esfor\u00e7o e aten\u00e7\u00e3o: o centro da benignidade, da paci\u00eancia, da justi\u00e7a, da verdade, enla\u00e7adas pela prud\u00eancia e \u00abbom senso\u00bb. S\u00f3 o amor sabe dar rem\u00e9dios amargos, com o objectivo honesto do \u00abbem comum\u00bb. S\u00f3 o amor inteligente, culto e educado \u00e9 que \u00e9 eficiente.<\/p>\n<p>No evangelho de hoje, os ouvintes de Jesus ficaram \u00abchocados\u00bb ao verem um simples filho de carpinteiro arrogar-se tanta liberdade e sabedoria \u2013 e quiseram-no impedir de \u00abseguir o seu caminho\u00bb. Mas Jesus era o perfeito exemplo de amor equilibrado, e calmamente \u00abcontinuou\u00bb. <\/p>\n<p>Se olharmos para Jeremias, vemos como ele receava enfrentar o povo; mas Deus avisou-o de que, se n\u00e3o se preparasse para defender a verdade, seria a primeira v\u00edtima da mentira. E tamb\u00e9m Jeremias se lan\u00e7ou \u00e0 aventura.<\/p>\n<p>Jeremias e Jesus foram chamados a defender corajosamente uma vida cada vez mais humana, onde ningu\u00e9m \u00e9 um projecto in\u00fatil.<\/p>\n<p>Quantas vezes deixamos morrer ou at\u00e9 matamos os projectos dos outros, por comodismo ou por inveja? Cada um de n\u00f3s, \u00e9 de facto insubstitu\u00edvel. Precisamos de n\u00e3o ter medo de enfrentar esta realidade, ganhando for\u00e7as e sabedoria para melhorar um ambiente prop\u00edcio a uma humanidade colorida e saud\u00e1vel. As nossas pol\u00edticas e atitudes estar\u00e3o de acordo com a no\u00e7\u00e3o adulta de amor? <\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00abAmor\u00bb ou \u00abcaridade\u00bb? <\/p>\n<p>Na presente passagem da 1.\u00aa carta aos Cor\u00edntios, S. Paulo utiliza o c\u00e9lebre voc\u00e1bulo grego \u2013 \u00abag\u00e1pe\u00bb. Na forma verbal, significa acolher com afecto (particularmente a uma crian\u00e7a ou a um h\u00f3spede), gostar ou desejar qualquer coisa; na forma substantiva, significa o amor entre pessoas, carinho (tamb\u00e9m traduz o \u00abmeu querido\u00bb). O Cristianismo deu-lhe o sentido de \u00abcaridade\u00bb e de \u00abrefei\u00e7\u00e3o em comum\u00bb (dos crist\u00e3os), evidenciando o mais alto n\u00edvel de afecto entre os seres humanos e entre estes e o pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p>\u00abCaridade\u00bb prov\u00e9m do radical indo-europeu \u00abka\u00bb, que significa gostar, desejar e amar. Da\u00ed tamb\u00e9m deriva o nosso \u00abcaro\u00bb, com suas v\u00e1rias significa\u00e7\u00f5es: alto pre\u00e7o, valioso, digno de afecto e ternura (com forte componente sexual, patente em \u00abcar\u00edcia\u00bb).<\/p>\n<p>Por sua vez, \u00abamor\u00bb prov\u00e9m de uma raiz onomatopaica do indo-europeu: \u00abma\u00bb \u2013 lembra o grito da crian\u00e7a que \u00abmama\u00bb, donde a palavra \u00abm\u00e3e\u00bb. O sentido geral do radical latino \u00e9 o de cuidar de crian\u00e7as do peito.<\/p>\n<p>Ao longo dos s\u00e9culos, a come\u00e7ar pelos \u00abgrandes padres do cristianismo\u00bb (primeiros seis s\u00e9culos), o \u00abamor\u00bb foi perversamente ligado ao \u00abdiab\u00f3lico prazer carnal\u00bb, e pintou-se a \u00abcaridade\u00bb de cores s\u00f3 \u00abang\u00e9licas\u00bb. A teologia moderna, por\u00e9m, vai conquistando \u00aba vis\u00e3o panor\u00e2mica do amor\u00bb, reconhecendo que a liga\u00e7\u00e3o do ser humano com Deus s\u00f3 se realiza plenamente se integramos a polimorfa riqueza do amor na nossa forma \u00abadulta\u00bb (2.\u00aa leitura).<\/p>\n<p>Este equil\u00edbrio \u00e9 que nos torna capazes de combater pela verdade (1.\u00aa leitura) e de n\u00e3o rejeitar \u00e0 partida um projecto de vida, por estranho ou inquietante que pare\u00e7a, mas talvez mais valioso (evangelho).<\/p>\n<p>A vida de Jesus Cristo evidencia como \u00e9 f\u00e1cil mandar algu\u00e9m, qual projecto a rejeitar, para a linha de morte da guerra da vida. Mas tamb\u00e9m evidencia a vit\u00f3ria do \u00abamor em tempo de guerra\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-24156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24156\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}