{"id":2417,"date":"2010-09-08T10:53:00","date_gmt":"2010-09-08T10:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2417"},"modified":"2010-09-08T10:53:00","modified_gmt":"2010-09-08T10:53:00","slug":"capital-para-investir-e-render-os-dons-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/capital-para-investir-e-render-os-dons-naturais\/","title":{"rendered":"Capital para investir e render, os dons naturais"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 em tempo de f\u00e9rias, algumas revistas generalistas trataram, como tema de interesse, o facto de haver, em Portugal, empres\u00e1rios empreendedores e de sucesso, que n\u00e3o eram nem doutores, nem engenheiros. Pudemos ver, assim, a carreira de \u00eaxito de muita gente, uma mais conhecida que outra, mas toda ela a denunciar a riqueza de dons naturais, que se acolheram e se souberam reconhecer, valorizar e investir, mesmo quando as situa\u00e7\u00f5es sociais e familiares dos seus in\u00edcios eram adversas e dif\u00edceis de contornar. <\/p>\n<p>Gente que veio de meios pobres, onde o p\u00e3o do dia a dia era amassado com o suor e dor. Gente que soube aguentar dificuldades e nunca desistiu de ir mais longe. Gente para a qual o trabalho e a persist\u00eancia no sonho foram a riqueza que antecipou outras riquezas. Gente humilde que, como tal, soube viver, mesmo quando o fruto do trabalho lhe abriu horizontes novos. Gente que pode confessar agora, com simplicidade e verdade, que, nas suas empresas, com centenas de colaboradores, nunca a\u00ed se despediu um trabalhador, mesmo em momentos de crise. Quem cresceu a contar os tost\u00f5es e a fixar o olhar pensativo nos filhos que iam crescendo e no modo de prevenir o seu futuro, sabe bem a fragilidade de um lar quando n\u00e3o tem hoje a garantia do p\u00e3o de amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Nestes tempos, a escola est\u00e1 mais \u00e0 m\u00e3o de todos os que dela quiserem aproveitar. H\u00e1  mais de cinquenta anos, e mesmo ainda h\u00e1 menos, n\u00e3o era assim. N\u00e3o fossem os semin\u00e1rios, escolas acess\u00edveis a fam\u00edlias pobres e numerosas, milhares que triunfaram na vida teriam ficado sem possibilidade de ir al\u00e9m da escola prim\u00e1ria, quando esta existia ou ainda podia ministrar as quatro classes. N\u00e3o fossem muitos pais que tiraram o p\u00e3o da boca para dar aos filhos, gente que se sujeitou a tudo para que estes fossem mais longe, e Portugal seria muito mais pobre. A gente idosa rural agradecida pelo Estado lhe dar uma pequena pens\u00e3o, uma vez que nada tinha contribu\u00eddo, fui abrindo os olhos e dizendo do seu grande investimento em transmitir aos seus filhos valores com o amor ao trabalho, a honestidade, o respeito pelos outros, a coragem ante as dificuldades, enriquecendo assim o patrim\u00f3nio do pa\u00eds. Ent\u00e3o foi percebendo que n\u00e3o era favor pol\u00edtico, mas dever p\u00fablico de gratid\u00e3o.   <\/p>\n<p> A hist\u00f3ria de muitos de n\u00f3s, mais idosos, como a de muitos que v\u00eam de tempos dif\u00edceis, mas onde o trabalho era honra, a palavra dada uma escritura, o amor uma realidade com consequ\u00eancias, ilustra esta realidade que muita gente nova n\u00e3o consegue entender, porque foi crescendo sem que lhe ensinassem  a ler o livro da vida, o mais eloquente  e importante dos livros. <\/p>\n<p>Gente que triunfou, que veio do nada, criou empresas, deu trabalho e gerou riqueza, sem que soubesse o caminho do liceu ou da universidade, e nem sequer onde esta ficava, foi gente que leu este livro, ensinada pelos pais ou rompendo ela mesma sempre que viu fresta de onde vinha luz ou porta entreaberta a permitir entrada. Gente que deixa, normalmente, filhos que aprenderam na mesma escola e s\u00e3o garantia de continuidade. De netos que receberam tudo de m\u00e3o beijada, diz o povo que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 igual seguran\u00e7a. <\/p>\n<p>Merece a homenagem agradecida de todos a gente grande deste pa\u00eds, que nunca desistiu de ir mais longe, quando ainda era pequena. As li\u00e7\u00f5es eloquentes da hist\u00f3ria, porque s\u00e3o li\u00e7\u00f5es de vida, n\u00e3o podem ser esquecidas, mesmo quando depreciadas ou apagadas  pelos novos ricos incultos, que sempre andaram ao colo de outros ou subiram e se instalaram na vida, sem esfor\u00e7o pr\u00f3prio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 em tempo de f\u00e9rias, algumas revistas generalistas trataram, como tema de interesse, o facto de haver, em Portugal, empres\u00e1rios empreendedores e de sucesso, que n\u00e3o eram nem doutores, nem engenheiros. 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