{"id":24194,"date":"2013-02-28T10:20:00","date_gmt":"2013-02-28T10:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24194"},"modified":"2013-02-28T10:20:00","modified_gmt":"2013-02-28T10:20:00","slug":"humildade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/humildade\/","title":{"rendered":"Humildade"},"content":{"rendered":"<p>A enc\u00edclica de Bento XVI na hora da despedida <!--more--> Bento XVI n\u00e3o publicar\u00e1 a enc\u00edclica sobre a f\u00e9 \u2013 embora em fase avan\u00e7ada \u2013 que devia apresentar na primavera. J\u00e1 n\u00e3o tem tempo. E nenhum sucessor \u00e9 obrigado a retomar uma enc\u00edclica incompleta do pr\u00f3prio predecessor. Mas existe outra enc\u00edclica de Bento XVI, escondida no seu cora\u00e7\u00e3o, uma enc\u00edclica n\u00e3o escrita. Ou melhor, escrita n\u00e3o pela sua pena mas pelo gesto do seu pontificado. Esta enc\u00edclica n\u00e3o \u00e9 um texto, mas uma realidade: a humildade.<\/p>\n<p>A 19 de abril de 2005 um homem que pertence \u00e0 ra\u00e7a das \u00e1guias intelectuais, temido pelos seus advers\u00e1rios, admirado pelos seus estudantes, respeitado por todos devido \u00e0 acutil\u00e2ncia das suas an\u00e1lises sobre a Igreja e o mundo, apresenta-se, rec\u00e9m-eleito Papa, como um cordeiro levado para o sacrif\u00edcio. Utilizar\u00e1 at\u00e9 a terr\u00edvel palavra \u00abguilhotina\u00bb para descrever o sentimento que o invadiu no momento em que os seus irm\u00e3os cardeais, na Capela Sistina, ainda fechada para o mundo, se viraram para ele, eleito entre todos, para o aplaudir. Nas imagens da \u00e9poca, a sua figura curvada e o seu rosto surpreendido testemunham-no.<\/p>\n<p>Depois teve que aprender o mister de Papa. Extirpou, como ra\u00edzes arraigadas sob o h\u00famus da terra, o eterno t\u00edmido, l\u00facido na mente mas desajeitado no corpo, para o projetar perante o mundo. Foi um choque para ambas as partes. N\u00e3o conseguia assumir a desenvoltura do saudoso Jo\u00e3o Paulo II. O mundo compreendia mal aquele Papa sem efeito. Bento XVI nem teve os cem dias de \u201cestado de gra\u00e7a\u201d que se atribuem aos presidentes profanos. Teve, sem d\u00favida, a gra\u00e7a divina, fina mas pouco mundana. Contudo teve, ainda e sempre, a humildade de aprender sob os olhares de todos.<\/p>\n<p>Foram sete anos terr\u00edveis de pontificado. Nunca um Papa teve, num certo sentido, t\u00e3o pouco \u201csucesso\u201d. Passou de pol\u00e9mica em pol\u00e9mica: crise com o Isl\u00e3o depois do seu discurso de Ratisbona, onde evocou a viol\u00eancia religiosa; deforma\u00e7\u00e3o das suas palavras sobre a Sida durante a primeira viagem \u00e0 \u00c1frica, que suscitou um protesto mundial; vergonha sofrida pelo explodir da quest\u00e3o dos sacerdotes ped\u00f3filos, por ele enfrentada; o caso Williamson, onde o seu gesto de generosidade em rela\u00e7\u00e3o aos quatro bispos ordenados por D. Lefebvre (o Papa revogou as excomunh\u00f5es) se transformou numa reprova\u00e7\u00e3o mundial contra Bento XVI, porque n\u00e3o tinha sido informado sobre os discursos negacionistas da Shoah feitos por um deles; incompreens\u00f5es e dificuldades de p\u00f4r em a\u00e7\u00e3o o seu desejo de transpar\u00eancia quanto \u00e0s finan\u00e7as do Vaticano; trai\u00e7\u00e3o de uma parte do seu grupo mais pr\u00f3ximo no caso \u201cVatileaks\u201d, com o seu mordomo que subtraiu cartas confidenciais para as publicar&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o teve nem sequer um ano de tr\u00e9gua. Nada lhe foi poupado. \u00c0s violentas prova\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do pontificado de Jo\u00e3o Paulo II, ao atentado e ao mal de Parkinson, parecem corresponder as prova\u00e7\u00f5es morais de rara viol\u00eancia desta litania de contradi\u00e7\u00f5es sofrida por Bento XVI.<\/p>\n<p>Ao renunciar, o Papa eclipsa-se. \u00c0 pr\u00f3pria imagem do seu pontificado. Mas s\u00f3 Deus conhece o poder e a fecundidade da humildade.<\/p>\n<p>Texto de Jean-Marie Gu\u00e9nois, no \u201cLe Figaro Magazine\u201d <\/p>\n<p>de 15-16 de fevereiro de 2013; vers\u00e3o do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A enc\u00edclica de Bento XVI na hora da despedida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-24194","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24194\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}