{"id":24199,"date":"2013-02-28T10:42:00","date_gmt":"2013-02-28T10:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24199"},"modified":"2013-02-28T10:42:00","modified_gmt":"2013-02-28T10:42:00","slug":"agarre-se-com-firmeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/agarre-se-com-firmeza\/","title":{"rendered":"Agarre-se com firmeza!"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Precioso conselho que n\u00e3o devia figurar apenas nos autocarros, contra as paragens bruscas, para os que gostam de ir em p\u00e9 ou n\u00e3o t\u00eam outro rem\u00e9dio. <\/p>\n<p>O evangelho at\u00e9 se aplica a este tipo de viagens, muito digno e necess\u00e1rio, mas por vezes her\u00f3ico: \u00abJulgais que a desgra\u00e7a s\u00f3 acontece aos outros? E que foi por culpa deles?\u00bb E sublinha que as trag\u00e9dias n\u00e3o s\u00e3o um chicote de Deus \u2013 mas consequ\u00eancias naturais de um conjunto de factores muitas vezes n\u00e3o domin\u00e1veis. S\u00f3 se o acidente \u00e9 causado por imprud\u00eancia (pol\u00edtica, t\u00e9cnica\u2026) ou m\u00e1 educa\u00e7\u00e3o (de passageiros\u2026 e tamb\u00e9m de pol\u00edticos!), \u00e9 que haver\u00e1 pessoas a responsabilizar e n\u00e3o pouco. De resto, o natural desejo de coisas novas e arriscadas dar\u00e1 sempre frutos bons e maus.<\/p>\n<p>Ficar satisfeito e tranquilo com uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel \u00e9 que seria pior (como quando nos fazemos \u201cconvenientemente\u201d afiliados num partido ou qualquer tipo de associa\u00e7\u00e3o, ou sabich\u00f5es quanto basta para comprar posi\u00e7\u00e3o e fama\u2026). <\/p>\n<p>Por isso, o ser espica\u00e7ado pela vida garante a const\u00e2ncia no caminhar, quantas vezes pelo deserto e sob o ataque de oportunistas e invejosos.\t<\/p>\n<p>Manifestamente era obra sobre-humana, a da 1.\u00aa leitura: libertar todo um povo que trabalhava sob a tirania da na\u00e7\u00e3o mais poderosa da hist\u00f3ria antiga, e conduzi-lo por meio de perigos da natureza, ataques de inimigos, e sobretudo contra o des\u00e2nimo e at\u00e9 revolta crescente dos que exigiam uma caminhada sem dificuldades.<\/p>\n<p>Tamanha proeza e t\u00e3o extraordin\u00e1rio recome\u00e7o na vida de um povo s\u00f3 seria poss\u00edvel com f\u00e9 no \u00fanico s\u00f3lido fundamento da nossa livre vontade \u2013 o \u00abDeus criador\u00bb, a \u00fanica realidade independente, que tudo sustenta, que n\u00e3o pode caber nos nossos conceitos \u2013 e por isso n\u00e3o tem nome. Uma realidade que associamos com a luz perfeita, a verdade perfeita, a felicidade perfeita \u2013 e por isso lhe chamamos \u00abDeus\u00bb \u2013 etimologicamente, \u00abo luminoso\u00bb. <\/p>\n<p>A 1.\u00aa leitura testemunha a experi\u00eancia de que Deus \u201cest\u00e1 mas n\u00e3o est\u00e1\u201d. N\u00e3o tem rosto, n\u00e3o tem nome\u2026 \u2013 \u201cn\u00e3o est\u00e1\u201d! Se tivesse rosto e nome, era um de n\u00f3s, por mais importante que fosse. \u201cN\u00e3o est\u00e1\u201d, para que seja o nosso rosto e o nosso nome a estar. No s\u00e9c. XV, Nicolau de Cusa falava admiravelmente do \u00abDeus escondido\u00bb. Toda a gente e todo o mundo trazem o fogo de Deus e, como a sar\u00e7a ardente, \u00e9 um fogo que n\u00e3o destr\u00f3i. Muito pelo contr\u00e1rio: \u00e9 o fogo da beleza e da for\u00e7a da humanidade inteira e de todo o universo. \u00c9 o fogo que nos entusiasma a \u00abdar a cara\u00bb para que nunca esmore\u00e7a o projecto de sempre \u00abnova cria\u00e7\u00e3o\u00bb. <\/p>\n<p>\u00c9 interessante verificar que \u00e0s conhecidas tradu\u00e7\u00f5es \u00abEu sou quem sou\u00bb (nome oculto) ou \u00abEu sou aquele que \u00e9\u00bb (a realidade verdadeira) pode ser acrescentada uma terceira: \u00abEu sou quem eu serei\u00bb \u2013 isto \u00e9, sou o futuro, em que me vou revelando atrav\u00e9s da experi\u00eancia que far\u00e3o da minha presen\u00e7a no pr\u00f3prio agir humano. <\/p>\n<p>O desafio deste projecto obriga-nos a \u00abir de p\u00e9\u00bb e a agarrarmo-nos com firmeza. S\u00f3 que h\u00e1 gente distra\u00edda, ou que se agarra com firmeza a coisas muito pouco firmes\u2026 O pr\u00f3prio S. Paulo lembra que nem os pregadores do evangelho t\u00eam a garantia de n\u00e3o poderem cair (I Cor\u00edntios 9,27).<\/p>\n<p>Mesmo que o ponto de apoio seja bom, h\u00e1 sempre travagens bruscas \u2013 e, como lembra Jesus Cristo, n\u00e3o s\u00e3o os piores os que sofrem desastres. Ali\u00e1s, s\u00f3 cai quem est\u00e1 em p\u00e9. Por\u00e9m, o evangelista (particularmente no cap\u00edtulo 12) sublinha que pode ter consequ\u00eancias graves n\u00e3o se preparar para poss\u00edveis trambolh\u00f5es. \u00c9 melhor n\u00e3o andar distra\u00eddo \u2013  e \u00abarrepender-se\u00bb de posi\u00e7\u00f5es ou passadas imprudentes, que tanto podem acelerar a hora da morte como ainda provocar outros graves \u00abefeitos nada secund\u00e1rios\u00bb\u2026 De resto, se nos queremos curar dos trambolh\u00f5es da vida, haver\u00e1 sempre um bom m\u00e9dico como S. Lucas (que o seria de facto) a garantir um \u00abhappy end\u00bb: como \u00e0 figueira est\u00e9ril, n\u00e3o nos faltar\u00e1 a oportunidade para tirar proveito de bom tratamento \u2013 e continuar firmemente em p\u00e9!<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-24199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}