{"id":24212,"date":"2013-03-06T17:25:00","date_gmt":"2013-03-06T17:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24212"},"modified":"2013-03-06T17:25:00","modified_gmt":"2013-03-06T17:25:00","slug":"as-cores-na-liturgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-cores-na-liturgia\/","title":{"rendered":"As cores na Liturgia"},"content":{"rendered":"<p>Perguntas e respostas sobre liturgia &#8211; 2 <!--more--> Na nossa liturgia, qual a finalidade das cores? Porqu\u00ea e para qu\u00ea as diversas cores na nossa celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3?<\/p>\n<p>A liturgia tamb\u00e9m joga com os elementos \u00f3pticos e, entre outros, como a luz, as vestes sagradas (paramentos), as imagens, a est\u00e9tica\u2026, encontram-se as cores, que s\u00e3o dos mais universais e expressivos.<\/p>\n<p>Em todas as culturas e na infinidade de manifesta\u00e7\u00f5es da nossa vida de cada dia, fazemos uma \u201cleitura simb\u00f3lica\u201d das cores: uma bandeira nacional ou a de um grupo desportivo, com as suas cores pr\u00f3prias, pode canalizar entusiasmos insuspeitados; o jogo de luzes e cores dos sem\u00e1foros, com a sua significa\u00e7\u00e3o de perigo, de proibi\u00e7\u00e3o ou de tr\u00e2nsito livre; h\u00e1 cores que inspiram alegria e outras que acompanham a tristeza ou o luto; h\u00e1 cores agressivas e fortes e outras que actuam suavemente sobre o nosso esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Quando na nossa linguagem comum, religiosa e social, aceitamos um certo simbolismo na cor (o branco, a inoc\u00eancia), estamos a fazer um resumo de uma s\u00e9rie de factores que agiram de tal modo para chegar a essa linguagem. Uns s\u00e3o naturais (se o sangue \u00e9 vermelho, o vermelho recordar-nos-\u00e1 em certas circunst\u00e2ncias o derramamento de sangue); outros s\u00e3o mais culturais, hist\u00f3ricos e religiosos que fizeram a aproxima\u00e7\u00e3o de uma cor a uma realidade ou atitude determinada (metaforicamente, dizemos que tem as m\u00e3os manchadas de vermelho aquele que foi condenado como criminoso, como opressor do d\u00e9bil\u2026).<\/p>\n<p>O branco \u00e9 uma cor alegre que, de imediato, sugere a limpeza, a festa e a luz. Da\u00ed a facilidade com que as diversas culturas identificaram a cor branca com a inoc\u00eancia, a festa e a alegria (vestido da noiva), o come\u00e7o da vida nova em Cristo (veste branca no Baptismo)\u2026<\/p>\n<p>O negro, pelo contr\u00e1rio, nega\u00e7\u00e3o da cor, tem outras conota\u00e7\u00f5es. O negro recorda espontaneamente a escurid\u00e3o, a noite, a falta de luz e, por isso, metaforicamente, significa a perdi\u00e7\u00e3o, a desgra\u00e7a, a confus\u00e3o e o pecado. <\/p>\n<p>A cor vermelha traz-nos \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o o fogo e o sangue. Portanto, o seu simbolismo pode ir no sentido da culpa (o que derrama o sangue alheio), do perigo (o \u201cstop\u201d do sem\u00e1foro), e tamb\u00e9m do amor (a paix\u00e3o que enche o cora\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O verde \u00e9 a cor da vegeta\u00e7\u00e3o mais viva, da\u00ed que esta cor tenha v\u00e1rios simbolismos e aproxima\u00e7\u00f5es metaf\u00f3ricas: a cor do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, da paz, da serenidade, da esperan\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>Nos primeiros s\u00e9culos parece que n\u00e3o houve qualquer preocupa\u00e7\u00e3o em legislar sobre o uso das cores. Provavelmente o branco era o mais usado, conjugado com a solenidade do material usado. A pouco e pouco, no entanto, dadas as diversas sensibilidades culturais, come\u00e7ou a usar-se o vermelho para determinadas celebra\u00e7\u00f5es (m\u00e1rtires, por exemplo) ou o roxo para dias mais penitenciais, vendo-se nisso uma inten\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e pedag\u00f3gica. <\/p>\n<p>H\u00e1 testemunhos do s\u00e9c. XII, em Jerusal\u00e9m, e do s\u00e9c. XIII, em Roma, de se pretender sistematizar estes sentidos simb\u00f3licos das cores. Mas s\u00f3 a partir do Conc\u00edlio de Trento (s\u00e9c. XVI) \u00e9 que se chega a um certo c\u00f3digo estabelecido, muito parecido com o actual, no que respeita \u00e0s cores que se consideram mais lit\u00fargicas: branco, negro, roxo, vermelho e verde.<\/p>\n<p>O Missal, sa\u00eddo do Conc\u00edlio Vaticano II, aponta para uma dupla finalidade pedag\u00f3gica. Antes de mais, porque o simbolismo, mais ou menos espont\u00e2neo, das diversas cores, pode ajudar a penetrar e a sintonizar melhor com o mist\u00e9rio celebrado: \u201ca diversidade das cores das vestes sagradas tem por finalidade exprimir externamente de modo mais eficaz o car\u00e1cter peculiar dos mist\u00e9rios da f\u00e9 que se celebram\u201d\u2026 (IGMR 345). E tamb\u00e9m a pedagogia  da variedade  e da din\u00e2mica de um Ano crist\u00e3o que nos vai conduzindo pelos mist\u00e9rios e atitudes graduais para \u201co sentido progressivo da vida crist\u00e3 ao longo do ano lit\u00fargico\u201d (IGMR 345).<\/p>\n<p>Que depois de uma Quaresma em que predominou o roxo, passemos a celebrar toda a P\u00e1scoa com branco festivo, e que esta P\u00e1scoa conclua com o vermelho do Esp\u00edrito no Pentecostes, tem, evidentemente, a sua pedagogia. Todos estes mist\u00e9rios exprimem-se, certamente, com as leituras, as ora\u00e7\u00f5es, os c\u00e2nticos: mas tamb\u00e9m a cor pode trazer-nos a sua pedagogia.<\/p>\n<p>A cor, como um dos elementos visuais mais simples e eficazes, quer ajudar-nos todos a celebrar melhor a nossa f\u00e9.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Manuel Marques Pereira<\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n<p>Espa\u00e7o da responsabilidade do ISCRA &#8211; Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas e respostas sobre liturgia &#8211; 2<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-24212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24212\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}