{"id":24700,"date":"2014-03-19T09:40:25","date_gmt":"2014-03-19T09:40:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=24700"},"modified":"2014-03-19T09:41:26","modified_gmt":"2014-03-19T09:41:26","slug":"valente-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/valente-mulher\/","title":{"rendered":"Valente mulher!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24701\" aria-describedby=\"caption-attachment-24701\" style=\"width: 175px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/jgaspar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24701 \" alt=\"Jo\u00e3o Gon\u00e7alvesGaspar Padre e historiador. Vig\u00e1rio geral da Diocese de Aveiro\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/jgaspar.jpg\" width=\"175\" height=\"179\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24701\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar<br \/>Padre e historiador.<br \/>Vig\u00e1rio geral da Diocese de Aveiro<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"LTR\" style=\"text-align: left;\" align=\"JUSTIFY\">No passado dia 08 de mar\u00e7o, dei comigo a fazer uma reflex\u00e3o sobre a &#8220;mulher&#8221;. Desejaria v\u00ea-la sempre respeitada, elogiada e engrandecida nas rela\u00e7\u00f5es humanas, na propaganda e nos conceitos sobre a sua dignidade. \u00c9 que, tantas vezes, a mulher \u00e9 amesquinhada e, ao falar-se dela, apresentam-se pretensos valores que s\u00e3o contravalores, que aviltam as consci\u00eancias, que significam pretextos para indignos abusos e que n\u00e3o levam \u00e0 aut\u00eantica felicidade.<\/p>\n<p dir=\"LTR\" style=\"text-align: left;\" align=\"JUSTIFY\">Vou relembrar uma experi\u00eancia, ocorrida h\u00e1 cerca de dois meses. Procurou-me uma mulher que tinha necessidade de desabafar com algu\u00e9m. Trata-se de uma m\u00e3e solteira, cuja filhinha passa os dias num centro social. Desde a primeira hora do seu infort\u00fanio, foi abandonada pelo companheiro e pressionada pelos familiares e pelos amigos e amigas a abortar. Perante a sua consci\u00eancia baseada em nobres princ\u00edpios, n\u00e3o cedeu, apesar do sacrif\u00edcio e da perca da sua boa fama.<\/p>\n<p dir=\"LTR\" style=\"text-align: left;\" align=\"JUSTIFY\">Fora catequista na sua par\u00f3quia; mas agora n\u00e3o se sentia bem acolhida na comunidade e era julgada com a crueza de palavras duras; fora-lhe mesmo negado o batismo da menina. Embora sem a conhecer, dispus-me a ouvi-la. Assim aconteceu durante uma manh\u00e3. Deixei-a falar, desabafar e chorar, sem fazer quaisquer ju\u00edzos, pois tinha uma pessoa perante mim, a qual me merecia todo o respeito. Admirei a sua valentia em n\u00e3o interromper o percurso de uma vida humana. Lutou e luta sozinha\u2026 mas quer vencer.<\/p>\n<p dir=\"LTR\" style=\"text-align: left;\" align=\"JUSTIFY\">Perante a conversa, eu fui pensando que n\u00e3o deveria ser um simples padre de laborat\u00f3rio mas um humilde instrumento de compaix\u00e3o em favor de uma mulher ferida; e surgiram-me, num acaso indefin\u00edvel, as palavras que finalmente lhe disse: &#8211; \u00abVoc\u00ea foi e \u00e9 uma mulher valente\u2026 uma hero\u00edna!\u00bb Ela, olhando mais para a seu \u00edntimo do que para mim, respondeu com gratid\u00e3o: &#8211; \u00abEra isso que eu queria ouvir de si; nas suas palavras vejo o perd\u00e3o de Deus.\u00bb Repeti-lhe o conselho de Jesus a uma certa mulher: &#8211; \u00abContinue a ter coragem; n\u00e3o volte a pecar!\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Fiquei a saber que uma fam\u00edlia lhe havia facultado o emprego de colaboradora dom\u00e9stica, para obter uma retribui\u00e7\u00e3o justa pelo seu trabalho. Tamb\u00e9m me lembrei de lhe dizer que, para a ajudar nos seus problemas, era \u00fatil encontrar algu\u00e9m com quem desabafasse e dialogasse. E indiquei-lhe uma senhora, m\u00e3e de diversos filhos, que, embora vi\u00fava, educa no ensino escolar, forma na catequese paroquial e vive a alegria na saudade do marido que falecera h\u00e1 anos. Tomei a liberdade de lhe indicar o endere\u00e7o e o nome: &#8211; D\u00e1lia Aisele da Cidade. Conheci o seu av\u00f4 No\u00e9, homem que confortava abnegadamente os tristes; e ela, por seu turno, deixara-se entusiasmar pela padroeira de Aveiro, para quem amar a Deus era servir, e pelo monge de Cister, que escreveu: &#8211; \u00abAmo para poder amar mais.\u00bb Tornaram-se amigas e\u2026 a vida continua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 08 de mar\u00e7o, dei comigo a fazer uma reflex\u00e3o sobre a &#8220;mulher&#8221;. 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