{"id":24786,"date":"2014-04-03T14:56:34","date_gmt":"2014-04-03T14:56:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=24786"},"modified":"2014-04-03T14:56:34","modified_gmt":"2014-04-03T14:56:34","slug":"ze-penicheiro-artista-que-adotou-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ze-penicheiro-artista-que-adotou-aveiro\/","title":{"rendered":"Z\u00e9 Penicheiro, artista que adotou Aveiro"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24787\" aria-describedby=\"caption-attachment-24787\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Penicheiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24787\" alt=\"Penicheiro\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Penicheiro.jpg\" width=\"500\" height=\"718\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Penicheiro.jpg 500w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Penicheiro-208x300.jpg 208w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24787\" class=\"wp-caption-text\">Z\u00e9 Penicheiro faleceu no dia 15 de mar\u00e7o de 2014<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cEsta paisagem, com todo este azul da ria e do c\u00e9u, \u00e9 a minha fonte de inspira\u00e7\u00e3o\u201d, disse-nos, h\u00e1 alguns anos, o artista pl\u00e1stico Z\u00e9 Penicheiro, junto \u00e0 grande vidra\u00e7a do seu atelier, no primeiro piso de uma moradia virada para a Ria de Aveiro, situada na Rua da Pega, na cidade que escolheu para viver ap\u00f3s ter residido em diversas terras, incluindo uma primeira estadia na \u201ccidade dos canais\u201d em finais da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcios da seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Se Aveiro foi a cidade que escolheu para residir, a Figueira da Foz \u00e9 o local da sua \u00faltima morada, cidade onde foi sepultado no passado dia 17 de mar\u00e7o, tendo falecido dois dias antes, ap\u00f3s doen\u00e7a prolongada que o levou a um internamento na Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de \u00cdlhavo.<br \/>\nZ\u00e9 Penicheiro nasceu em Candosa, no ano de 1921, onde foi batizado, sendo filho de Jos\u00e9 Maria Penicheiro e de Maria de Nazar\u00e9 Sim\u00f5es, ambos da Figueira da Foz, que haviam migrado para aquela aldeia do concelho de T\u00e1bua. Tr\u00eas anos mais tarde, regressam \u00e0 Figueira da Foz, cidade onde frequentou a escola prim\u00e1ria e onde obteve o seu \u00fanico diploma escolar. Em 1931, e apesar dos parcos recursos familiares, ingressou no col\u00e9gio \u201cAcademia Figueirense\u201d, tendo ficado isento do pagamento de propinas pelo facto do seu pai ter combatido em Fran\u00e7a durante a Primeira Guerra Mundial. Mesmo assim, teve de abandonar os estudos para ingressar no mundo laboral, passando ent\u00e3o a estudar \u00e0 noite, na Escola Comercial e Industrial da Figueira da Foz, n\u00e3o concluindo o curso porque passava as aulas a caricaturar professores e alunos.<br \/>\nEssa apet\u00eancia pelo desenho e pela caricatura levou-o, a partir de 1939, a colaborar com a imprensa local e regional como ilustrador, tendo criado a primeira cole\u00e7\u00e3o de postais editada pelo Turismo da Figueira da Foz, retratando figuras tradicionais da regi\u00e3o, passando tamb\u00e9m a colaborar coletividades locais.<br \/>\nEm 1942 cumpre o servi\u00e7o militar em Coimbra, aproveitando os seus tempos livres para fazer caricaturas dos alunos quartanistas da universidade coimbr\u00e3, e para colaborar no jornal humor\u00edstico \u201cO Palhinhas\u201d.<br \/>\nTr\u00eas anos depois, regressou \u00e0 Figueira da Foz, tendo trabalhado em escrit\u00f3rios, conciliando o emprego com o desenho. Nesse ano, enviou alguns desenhos de humor para o jornal portuense \u201cO Primeiro de Janeiro\u201d, que lhe pagou 50 escudos, facto que o entusiasmou a prosseguir com a caricatura, tendo sido o primeiro cartoonista do jornal desportivo \u201cA Bola\u201d, publicando tamb\u00e9m trabalhos em jornais como \u201cO Sempre Fixe\u201d, \u201cOs Rid\u00edculos\u201d e a \u201cBomba\u201d.<br \/>\nNo ano de 1948 criou bonecos em madeira, inspirados em figuras populares, a que deu o nome de \u201ccaricaturas em volume\u201d, as quais atingem grande sucesso na exposi\u00e7\u00e3o realizada no ano seguinte, no Casino Peninsular, na Figueira da Foz. Esse sucesso levou-o a expor em Lisboa, no ano de 1950. No entanto, uma das suas caricaturas a\u00ed expostas foi apreendida pela PIDE.<br \/>\nEm 1951, Z\u00e9 Penicheiro executou um painel para o Teatro Municipal do Funchal, tendo criado la\u00e7os de amizade com os cantores Max, Am\u00e1lia Rodrigues e Jo\u00e3o Vilaret.<br \/>\nAp\u00f3s uma breve passagem por Lisboa, o artista foi convidado para trabalhar como publicit\u00e1rio numa empresa de Ovar, terra onde fixou resid\u00eancia no ano de 1962. A\u00ed desenvolve uma intensa atividade cultural, dinamizando tert\u00falias e o cortejo carnavalesco, sendo autor de in\u00fameros carros aleg\u00f3ricos. Passou a colaborar com o jornal aveirense \u201cLitoral\u201d e com o suplemento liter\u00e1rio \u201cA Companha\u201d. A paisagem lagunar da Ria de Aveiro foi fonte de inspira\u00e7\u00e3o para as suas primeiras incurs\u00f5es pela pintura, n\u00e3o abandonando, no entanto, o desenho e as \u201ccaricaturas em relevo\u201d. Em 1957 exp\u00f4s no Coliseu do Porto e, dois anos mais tarde, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.<br \/>\nNo ano de 1958 pintou o enorme mural que se encontra nas arruinadas instala\u00e7\u00f5es da empresa Vitasal, em Aveiro. Passou a residir nesta cidade no ano de 1969, tendo criado, em 1971, a Galeria Conv\u00e9s, primeira galeria de arte a surgir em Aveiro. Foi um dos fundadores do Grupo Aveiro Arte e promoveu a primeira exposi\u00e7\u00e3o de rua, intitulada \u201cArte ao Ar Livre\u201d. Em 1973, criou o logotipo do Congresso da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica, realizado em Aveiro, e executou uma s\u00e9rie de cartoons com figuras t\u00edpicas, adquiridos pela C\u00e2mara Municipal de Aveiro.<br \/>\nA partir de 1977 passou a dedicar-se em exclusivo \u00e0 pintura, abandonando a publicidade e a decora\u00e7\u00e3o. Dois anos depois, regressou novamente \u00e0 Figueira da Foz. Em 1983 inaugurou na sua casa na Praia de Quiaios uma minigaleria de arte.<\/p>\n<figure id=\"attachment_24788\" aria-describedby=\"caption-attachment-24788\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/ua.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24788\" alt=\"Painel que Z\u00e9 Penicheiro concebeu para a Universidade de Aveiro\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/ua.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/ua.jpg 500w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/ua-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24788\" class=\"wp-caption-text\">Painel que Z\u00e9 Penicheiro concebeu para a Universidade de Aveiro<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\nA par da pintura, Z\u00e9 Penicheiro criou algumas obras p\u00fablicas, nomeadamente esculturas e, sobretudo, pain\u00e9is cer\u00e2micos, como o enorme painel de azulejos que criou para comemorar os 30 anos da Universidade de Aveiro, que se encontra instalado frente ao edif\u00edcio da Reitoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Cardoso Ferreira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Reconhecimento p\u00fablico do artista<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Z\u00e9 Penicheiro teve o prazer de ver a a sua arte ser reconhecida pelas mais diversas entidades, nomeadamente a Figueira da Foz. Esta cidade n\u00e3o s\u00f3 lhe outorgou a Medalha de M\u00e9rito como tamb\u00e9m deu o seu nome \u00e0 galeria de exposi\u00e7\u00f5es do Centro de Artes e Espet\u00e1culos.<br \/>\nTamb\u00e9m outros munic\u00edpios o homenagearam, como aconteceu com T\u00e1bua e Ovar, que lhe atribu\u00edram as respetivas medalhas de ouro, tendo tamb\u00e9m recebido a medalha da cidade de Santar\u00e9m.<br \/>\nFoi convidado a expor em diversos pa\u00edses, com destaque para Alemanha, Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Espanha e Luxemburgo. Em Portugal, exp\u00f4s praticamente em todas as grandes galerias p\u00fablicas e privadas, um pouco por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>O autodidata que se tornou mestre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><\/strong><br \/>\nZ\u00e9 Penicheiro assumia-se como um autodidata e um verdadeiro amante da arte.<br \/>\nPor onde foi passando, deixou sempre um rasto de saudade e de amizade, j\u00e1 que n\u00e3o se limitava a expor o seu trabalho, mas tinha o gosto de conversas com os visitantes. A par disso, foi um cultivador de tert\u00falias, n\u00e3o s\u00f3 sobre pintura, mas tamb\u00e9m de poesia, literatura e m\u00fasica, de que foi exemplo a Galeria Conv\u00e9s, situada junto \u00e0 Pra\u00e7a do Peixe, em Aveiro.<br \/>\nNessa pequena galeria, que era tamb\u00e9m est\u00fadio\/ atelier, Z\u00e9 Penicheiro teve alguns ent\u00e3o jovens disc\u00edpulos aveirenses e que hoje s\u00e3o artistas consagrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Avers\u00e3o \u00e0s not\u00edcias \u201ccom sangue\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><\/strong><br \/>\nZ\u00e9 Penicheiro gostava demais da vida e detestava not\u00edcias sensacionalistas sobre crimes, mortes e acidentes, como certo dia nos confidenciou ao dizer: \u201cQuando olho para a primeira p\u00e1gina de um jornal e vejo grandes destaques a noticias como sangue, sejam crimes ou acidentes, o jornal vai direitinho para o cesto do lixo sem ser aberto. Nem sequer o leio\u201d.<br \/>\nH\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada, quando dessa nossa conversa, Z\u00e9 Penicheiro elogiou a linha editorial do \u201cCorreio do Vouga\u201d, especialmente por n\u00e3o seguir o sensacionalismo noticioso e por dar relevo \u00e0 cultura e aos artistas locais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEsta paisagem, com todo este azul da ria e do c\u00e9u, \u00e9 a minha fonte de inspira\u00e7\u00e3o\u201d, disse-nos, h\u00e1 alguns anos, o artista pl\u00e1stico Z\u00e9 Penicheiro, junto \u00e0 grande vidra\u00e7a do seu atelier, no primeiro piso de uma moradia virada para a Ria de Aveiro, situada na Rua da Pega, na cidade que escolheu para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-24786","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24786","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24786"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24786\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24789,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24786\/revisions\/24789"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}