{"id":2483,"date":"2010-09-15T11:47:00","date_gmt":"2010-09-15T11:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2483"},"modified":"2010-09-15T11:47:00","modified_gmt":"2010-09-15T11:47:00","slug":"desmoronamento-da-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/desmoronamento-da-familia\/","title":{"rendered":"Desmoronamento da fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Cada dia que passa somos confrontados com estat\u00edsticas que nos dizem do n\u00famero crescente de div\u00f3rcios, da queda acentuada de casamentos civis e religiosos, da subida vertiginosa de uni\u00f5es de facto. Tamb\u00e9m n\u00e3o deixam os jornais, e mesmo as televis\u00f5es, de dar conta, aqui ou ali, de novos casamento de homossexuais e at\u00e9 j\u00e1 de seus div\u00f3rcios.<\/p>\n<p>Deixar de tomar a s\u00e9rio o casamento e a fam\u00edlia, pela maneira f\u00e1cil e r\u00e1pida de as leis a desfazerem, constitui uma trag\u00e9dia de muitas consequ\u00eancias \u00e0 vista, e de outras, n\u00e3o menos graves, que o tempo ir\u00e1 revelando. A fam\u00edlia que nasce de uma decis\u00e3o livre de gente adulta e, presume-se, respons\u00e1vel ser\u00e1 sempre o alicerce de uma sociedade com futuro. O contr\u00e1rio significa inquinar o ambiente social, tornando o casamento  objecto de contrato de reduzida import\u00e2ncia, rescind\u00edvel ao menor capricho ou \u00e0 incapacidade progressiva de assumir as responsabilidades inerentes. <\/p>\n<p>Se fizermos a contagem dos governantes, deputados, magistrados, gente da telenovela, fazedores de opini\u00e3o e tantos outros de nome e profiss\u00e3o conhecidos que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o no primeiro casamento e, por vezes, j\u00e1 nem no segundo, percebemos o que se passa neste em pa\u00eds em crise. Dificilmente poder\u00e1 falar do casamento e da fam\u00edlia, com apre\u00e7o e respeito, quem n\u00e3o tem uma experi\u00eancia gratificante da vida conjugal e familiar. S\u00e3o muitos destes que interferem no modelo de casamento e fam\u00edlia, impostos arbitrariamente \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>O desmoronamento da fam\u00edlia \u00e9 dos acontecimentos mais graves da nossa hist\u00f3ria. As v\u00edtimas n\u00e3o s\u00e3o apenas os filhos, mas tamb\u00e9m os c\u00f4njuges, ou algum deles, os pais e familiares, que assistem impotentes ao ruir de sonhos e de projectos, que eles amassaram com alegrias e dores. V\u00edtima \u00e9 tamb\u00e9m a sociedade pela sua impiedosa desumaniza\u00e7\u00e3o. O cuidado do Estado, como gl\u00f3ria de estado social, n\u00e3o se pode traduzir em respostas sociais a favor das v\u00edtimas das decis\u00f5es pol\u00edticas. Casas de acolhimento e subs\u00eddios familiares n\u00e3o compensam o amor ferido e destru\u00eddo.  <\/p>\n<p>A ideia que se transmite de fam\u00edlia, a infidelidade a compromissos livremente assumidos para toda a vida, o pouco respeito pelos outros a que se ficou para sempre ligado, a educa\u00e7\u00e3o sem esfor\u00e7o e valores, o menosprezo pelas institui\u00e7\u00f5es que  existem para servir as pessoas, n\u00e3o podem constituir motivos de esperan\u00e7a e  renova\u00e7\u00e3o social. Quando a vontade pessoal, comandada por emo\u00e7\u00f5es e interesses, se desresponsabiliza ante dificuldades normais, quando o ego\u00edsmo se sobrep\u00f5e ao dever de colaborar na edifica\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e, por ela, de uma sociedade sadia nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, nas aspira\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas e coerentes, no contributo de todos para o bem de todos, a sociedade est\u00e1 em perigo. Assim n\u00e3o o entendem os que s\u00f3 obedecem \u00e0 sua vontade soberana em detrimento dos outros, os que querem a felicidade pessoal, por vezes \u00e0 custa de uma sementeira de infelicidades, os que influenciam leis que  sossegam a consci\u00eancia pr\u00f3pria e anestesiam a alheia.<\/p>\n<p>Sabemos que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es graves de fam\u00edlias que nasceram mal ou se deterioraram, e que as pessoas precisam, ent\u00e3o, de quem tutele direitos em perigo, respeitando op\u00e7\u00f5es de quem nem sempre respeitou os outros. A vida equilibrada de um casal e de uma fam\u00edlia nunca foi nem ser\u00e1 uma tarefa f\u00e1cil e um caminho apenas de \u00eaxitos. Mas, num casamento e numa fam\u00edlia a s\u00e9rio, as dificuldades s\u00e3o desafios a responder com coragem e generosidade, com perseveran\u00e7a e paci\u00eancia, com amor e esperan\u00e7a. O amor n\u00e3o \u00e9 uma coisa que se faz, com o por a\u00ed se propala. \u00c9 dom que se recebe e se permuta, riqueza que se vive e se cultiva, se defende e se disponibiliza. Assim todos os dias, para se poder construir o que o mesmo amor livremente ditou, como projecto de fidelidade di\u00e1ria e de felicidade sonhada e querida.<\/p>\n<p>Muitos dos casamentos, desfeitos por div\u00f3rcio ou arrastados por uma dolorosa resigna\u00e7\u00e3o, foram aben\u00e7oados pela Igreja, a pedido dos noivos. N\u00e3o se pode ela lamentar pelos fracassos,  se continua a aceitar este pedido por uma rotina acr\u00edtica. O acolhimento devido aos divorciados recasados n\u00e3o significa desvaloriza\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio, mas traduz cuidados de m\u00e3e, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas concretas e \u00e0s novas fam\u00edlias que surgem ap\u00f3s um div\u00f3rcio.<\/p>\n<p>Imp\u00f5e-se uma den\u00fancia comprometia, p\u00fablica e clara, sem subterf\u00fagios, por parte dos respons\u00e1veis da Igreja, ante as leis que desvalorizam o casamento e destroem a fam\u00edlia. \u00c9 um problema social, n\u00e3o religioso, mas de responsabilidade pastoral. Ante este desmoronamento, a Igreja, sem olhar a riscos: ou serve as pessoas com a sua dignidade e direitos e, por este meio, as pessoas e a sociedade, ou tem de se interrogar, seriamente, para que serve ela pr\u00f3pria e a quem serve de verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada dia que passa somos confrontados com estat\u00edsticas que nos dizem do n\u00famero crescente de div\u00f3rcios, da queda acentuada de casamentos civis e religiosos, da subida vertiginosa de uni\u00f5es de facto. 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