{"id":24916,"date":"2014-05-23T14:19:33","date_gmt":"2014-05-23T14:19:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=24916"},"modified":"2014-05-23T14:19:33","modified_gmt":"2014-05-23T14:19:33","slug":"casa-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/casa-comum\/","title":{"rendered":"Casa Comum"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24379\" aria-describedby=\"caption-attachment-24379\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-thumbnail wp-image-24379\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva-150x150.jpg\" alt=\"QUERUBIM SILVA Padre. Diretor\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24379\" class=\"wp-caption-text\">QUERUBIM SILVA<br \/>Padre. Diretor<\/figcaption><\/figure>\n<p>1. O Papa Francisco \u00e9 sempre surpreendente. Desta vez, at\u00e9 os marcianos t\u00eam lugar na Igreja. A express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente ret\u00f3rica. \u00c9 simb\u00f3lica, sem d\u00favida, mas o referente de um profundo e denso conte\u00fado. T\u00e3o simples como isto: um \u201chospital de campanha\u201d n\u00e3o pode recusar nem sequer os mais ferozes inimigos; tem de ter lugar para todos os que dele necessitam. A Igreja tem de estar permanentemente de portas abertas, dispon\u00edvel para acolher todos os feridos, de todas as feridas, e ofertar todos os seus recursos em benef\u00edcio daqueles que urge tratar.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o primeiro gesto expressivo da mensagem de Jesus como Boa Not\u00edcia: sentir-se acolhido, mesmo quando se andou longe, mesmo quando se esteve do lado contr\u00e1rio, mesmo quando nos perdemos no labirinto das justifica\u00e7\u00f5es interesseiras, dos pretextos insignificantes\u2026, \u00e9 a clara gram\u00e1tica da convic\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00fanico fundamento s\u00f3lido da esperan\u00e7a que permite os come\u00e7os ou recome\u00e7os.<br \/>\nAcolhidos para sermos curados! Ser\u00e1 ilus\u00f3rio acolher no \u201chospital de campanha\u201d para deixar que continuemos tocados pelos mesmos focos infeciosos, para n\u00e3o liquidar os v\u00edrus, as bact\u00e9rias\u2026 A Palavra do Mestre n\u00e3o deixa d\u00favidas: o abra\u00e7o do acolhimento \u00e9 o t\u00f3nico para mudar de rumo, para intensificar o entusiasmo da convers\u00e3o, do empenhamento, do testemunho. \u201cVai em paz; e n\u00e3o voltes a pecar\u201d ou \u201cHoje entrou a salva\u00e7\u00e3o nesta casa\u201d ou \u201cA quem muito se perdoa muito ama\u201d &#8211; s\u00e3o palavras que ouvimos constantemente d\u2019Aquele que nos cura de todas as feridas.<br \/>\nS\u00f3 assim se compreende que, no meio dos destro\u00e7os das guerras fratricidas, nos territ\u00f3rios das desconfian\u00e7as institucionais, seja a casa da Igreja o o\u00e1sis da esperan\u00e7a da reconcilia\u00e7\u00e3o e do recome\u00e7o.<\/p>\n<p>2. As elei\u00e7\u00f5es europeias est\u00e3o a\u00ed. Perecem-nos coisas demasiado long\u00ednquas e t\u00e3o pouco influentes no nosso quotidiano que \u00e9 f\u00e1cil ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da absten\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 verdade que a imagem que passa \u00e9 a de um parlamento que sorve rios de dinheiro sem produtividade que o justifique. \u00c9 mesmo escandalosa a inefic\u00e1cia, a en\u00e9rcia da maioria dos parlamentares. E pena \u00e9 que a nossa comunica\u00e7\u00e3o social n\u00e3o escrutine &#8211; aqui, sim! &#8211; o itiner\u00e1rio, o curr\u00edculo dos propostos, para percebermos se temos algu\u00e9m que valha. Muitos n\u00e3o valem mesmo. At\u00e9 cabe\u00e7as de lista!<br \/>\nMas o certo \u00e9 que as ideias que por l\u00e1 passam v\u00eam a traduzir-se, \u201ca posteriori\u201d, em condicionantes, se n\u00e3o mesmo imposi\u00e7\u00f5es \u00e0s nossas vidas nacionais. E os problemas reais dos nossos estados, das nossas na\u00e7\u00f5es, reclamam um conhecimento e uma capacidade de aten\u00e7\u00e3o, uma prepara\u00e7\u00e3o de abertura e firmeza, para que o Parlamento Europeu promova a \u201ccasa comum\u201d dos povos da Europa, incentive uma abertura rec\u00edproca \u00e0s riquezas culturais e religiosas, como potencial de constru\u00e7\u00e3o de unidade e de civiliza\u00e7\u00e3o de paz.<br \/>\nTamb\u00e9m o Parlamento Europeu se deveria tornar, de algum modo, \u201chospital de campanha\u201d, lugar de acolhimento, o\u00e1sis de esperan\u00e7a, t\u00f3nico de recome\u00e7os! Mas, para isso, precisar\u00edamos, na maioria dos casos, de outros \u201cm\u00e9dicos\u201d, outros \u201cenfermeiros\u201d, isto \u00e9, outros deputados, que os haver\u00e1 por a\u00ed, conhecedores da Europa, amantes dos povos e na\u00e7\u00f5es, sedentos de uma civiliza\u00e7\u00e3o de paz. E n\u00e3o pontas de lan\u00e7a de interesses partid\u00e1rios ou outros bem mais ocultos. De qualquer modo, diga sim ou n\u00e3o! Ficar em casa \u00e9 que n\u00e3o ajudar\u00e1 a construir o que quer que seja!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O Papa Francisco \u00e9 sempre surpreendente. Desta vez, at\u00e9 os marcianos t\u00eam lugar na Igreja. A express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente ret\u00f3rica. \u00c9 simb\u00f3lica, sem d\u00favida, mas o referente de um profundo e denso conte\u00fado. 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