{"id":24954,"date":"2014-05-29T14:40:22","date_gmt":"2014-05-29T14:40:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=24954"},"modified":"2014-05-29T14:40:22","modified_gmt":"2014-05-29T14:40:22","slug":"amor-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/amor-a-igreja\/","title":{"rendered":"Amor \u00e0 Igreja"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAmou a Igreja\u201d. Esta frase est\u00e1 sobre a sepultura do padre Jos\u00e9 Kentenich, em Vallendar, Alemanha. Santa Teresa de Jesus, ao morrer, disse: \u201cPor fim, morro filha da Igreja\u201d. E o mesmo poder\u00edamos dizer de todos os santos. Cada um deles teve uma express\u00e3o verbal ou gestual desse amor que fez com que morressem no seio da Igreja. Uma Igreja que abre as suas portas e fronteiras para um mundo ecum\u00e9nico e inter-religioso, de modo encantador para os de mente aberta ao sopro do Esp\u00edrito, ao vermos a visita do Papa Francisco ao M\u00e9dio Oriente.<br \/>\nSe me permitem a minha opini\u00e3o, parece-me a mais intensa de todas as visitas realizadas por todos os Papas. O Papa que quebra protocolos humanos para levar um mu\u00e7ulmano a rezar com ele no Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es, ou um judeu \u00e0 mesquita mu\u00e7ulmana, e que caminha por terras de fogo sem carro blindado, e beija o muro que separa Israel da Palestina, e n\u00e3o entra no sepulcro antes do Patriarca de Constantinopla, mas detem-se, para que este entre primeiro, quando a B\u00edblia nos disse que Jo\u00e3o n\u00e3o entrou antes que entrasse Pedro. Que disse que o minist\u00e9rio petrino tinha de ser colegial e que Pedro n\u00e3o pode governar sozinho\u2026 Meu Deus, que alegria, o nosso tempo. Pensava que tinha visto tudo com Jo\u00e3o Paulo II ou ouvido maravilhas com Bento XVI e agora o Francisco move-nos como o de Assis moveu, na sua pobreza, a Igreja do seu tempo.<br \/>\nDou gra\u00e7as a Deus pela Igreja que somos. Mas, o Padre Kentenich e Santa Teresa n\u00e3o revelam o seu amor s\u00f3 porque a Igreja do seu tempo os entusiasmava assim. O amor deles \u00e0 Igreja n\u00e3o nasce do entusiasmo de ver o \u00eaxito. N\u00e3o ca\u00edram na tenta\u00e7\u00e3o dos Ap\u00f3stolos, que diante do fracasso da Cruz fugiram\u2026 P.e Kentenich foi exilado nos EUA, pela pr\u00f3pria Igreja, durante 14 anos. E Santa Teresa esteve em vias de cair na fogueira da Inquisi\u00e7\u00e3o, por causa das suas ideias de reforma. A prud\u00eancia da Igreja, como M\u00e3e, leva a tomar decis\u00f5es que podem parecer absurdas, e exige das pessoas implicadas a grande prova da obedi\u00eancia\u2026 E os dois obedeceram, certos de que Deus est\u00e1 na sua Igreja.<br \/>\nH\u00e1 dias, um padre dizia numa homilia que ouvi com prazer que os dons de Deus, os seus carismas, saem sempre perfeitos das m\u00e3os de Deus. Ao chegar \u00e0s nossas m\u00e3os tornam-se imperfeitos, e isso porque n\u00e3o somos obra acabada. Por isso, o bispo diz ao padre no dia de sua ordena\u00e7\u00e3o que o que Deus que nele come\u00e7ou, a Obra Boa, Ele mesmo a leve a bom termo. Amar a Igreja \u00e9 aceit\u00e1-la assim, imperfeita, a caminho, sem deixar ela de ser caminho. Por isso, os crist\u00e3os aspiram \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o ou santidade, mas n\u00e3o podemos ser perfecionistas. O perfecionismo \u00e9 uma forma velada de ego\u00edsmo.<br \/>\nQuando eu era seminarista, visitou o meu semin\u00e1rio o Papa Jo\u00e3o Paulo II. Alguns foram escolhidos para comungar das m\u00e3os do Papa. O meu colega escolhido contou que, quando chegou a sua vez, disse: \u201cEu creio, Senhor, agora eu creio\u201d. Nunca esqueci esta frase que entendi que era devida \u00e0 emo\u00e7\u00e3o de comungar da m\u00e3o do Papa que hoje \u00e9 santo, mas sempre pensei que dizer isso ali, com aquela intensidade, pode ser enganoso. Pois temos de o dizer mesmo na mais remota das igrejinhas bolorentas do mundo, diante do Senhor, na Eucaristia e na vida.<br \/>\nSe nos momentos de uma visita papal, indiscutivelmente maravilhosos, a f\u00e9 parece que aumenta, n\u00e3o podemos esquecer que mais importante do que estar com o Papa \u00e9 estar com Jesus.<br \/>\nN\u00e3o sei se o faria hoje, mas quando o Papa se encontrou com os seminaristas de Espanha, onde eu estudava, e o encontro seria na cidade de Val\u00eancia, eu fui um dos sorteados. Mas um colega meu, peruano, quase morria se n\u00e3o ia. Dei-lhe o meu bilhete e fiquei aquele dia com Jesus no sacr\u00e1rio. O colega ficou feliz, pois esteve com o Papa pessoalmente a representar o meu semin\u00e1rio de Toledo\u2026 Eu estive sozinho com Jesus, e a paz que senti naquele domingo n\u00e3o a trocaria por nada neste mundo. Claro que os meus colegas, um e outro, s\u00e3o padres maravilhosos. Mas sei que, como dizia Faustina Kowalska, a obedi\u00eancia e o amor pela Igreja nos levam n\u00e3o s\u00f3 a aceit\u00e1-la e vibrar com seus \u00eaxitos e coisas lindas, mas tamb\u00e9m a aceitar os seus defeitos de imperfei\u00e7\u00e3o, e sobretudo, a viver esse amor, quando ela exige de n\u00f3s a obedi\u00eancia, por vezes no absurdo, com confian\u00e7a, como Teresa e Jos\u00e9 Kentenich.<br \/>\n<strong>Vitor Espadilha<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAmou a Igreja\u201d. Esta frase est\u00e1 sobre a sepultura do padre Jos\u00e9 Kentenich, em Vallendar, Alemanha. 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