{"id":24995,"date":"2014-05-30T10:33:24","date_gmt":"2014-05-30T10:33:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=24995"},"modified":"2014-05-30T10:33:24","modified_gmt":"2014-05-30T10:33:24","slug":"alarga-se-o-fosso-entre-os-poucos-que-tem-muito-e-os-muitos-que-tem-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/alarga-se-o-fosso-entre-os-poucos-que-tem-muito-e-os-muitos-que-tem-pouco\/","title":{"rendered":"Alarga-se o fosso entre os poucos que t\u00eam muito e os muitos que t\u00eam pouco"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/plutocratas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24996\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/plutocratas.jpg\" alt=\"Plutocratas\" width=\"300\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/plutocratas.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/plutocratas-190x300.jpg 190w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Plutocratas<\/strong><br \/>\n<em>Chrystia Freeland<\/em><br \/>\nTemas e Debates<br \/>\n415 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este livro tem como subt\u00edtulo \u201cA ascens\u00e3o dos novos super-ricos globais e a queda de todos os outros\u201d. Ou seja, \u00e9 sobre a crescente desigualdade de rendimentos entre pessoas, n\u00e3o propriamente sobre a pobreza, mas sobre a disparidade de distribui\u00e7\u00e3o do dinheiro. Os novos super-ricos s\u00e3o menos de 1% cento, pelo que j\u00e1 algu\u00e9m escreveu que \u201ceste \u00e9 um livro que 100% dos 99% por cento deve ler\u201d.<br \/>\nAlguns dados indicam que, de facto, caminhamos a n\u00edvel global para um extremar de posi\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo que alguns dados revelam que cerca de 400 milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram da pobreza, principalmente na \u00c1sia, gra\u00e7as \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, outros revelam que os ricos est\u00e3o cada vez mais ricos, sendo isso mais fruto do sistema global do que do m\u00e9rito das pessoas em causa. \u201cDinheiro faz dinheiro\u201d, diz o povo.<br \/>\nVejamos alguns dados deste livro:<br \/>\n&#8211; nos Estados Unidos, em 1970, 1% dos mais ticos tinham 10% do rendimento total; em 2005, 1% dos americanos possu\u00edam 30 % da riqueza do pa\u00eds; em 2011 os mesmos 1 % det\u00eam 35 % da riqueza norte-americana;<br \/>\n&#8211; em 2009 e 2010 o rendimento nacional dos EUA cresceu 2,3%; no entanto, enquanto o rendimento de 99% dos americanos cresceu 0,2%, o dos americanos mais ricos (os tais 1%) saltou 11,6%.<br \/>\nO mesmo se passou na Europa, na \u00c1sia, na Am\u00e9rica do Sul\u2026 Os dados apresentados no livro est\u00e3o em conson\u00e2ncia com outros que foram muito badalados em janeiro de 2014, quando em Davos, Su\u00ed\u00e7a, estava reunida a nata do capitalismo e da pol\u00edtica mundial:<br \/>\n&#8211; 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 dona de quase metade (46%) da riqueza do mundo;<br \/>\n&#8211; 85 pessoas ricas t\u00eam o mesmo patrim\u00f3nio (1,7 trili\u00f5es de d\u00f3lares) que 3,5 mil milh\u00f5es de pessoas, metade da popula\u00e7\u00e3o mundial, a metade mais pobre;<br \/>\n&#8211; os cinco homens mais ricos do mundo em 2014 (Bill Gates, que tem liderado a filantropia dos multimilion\u00e1rios e acredita que em 2035 n\u00e3o haver\u00e1 pa\u00edses pobres, Carlos Slim, Am\u00e2ncio Ortega, Warren Buffet e Larry Allison) possuem 318 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, mais que do PIB portugu\u00eas (252 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares), mais do que a soma do PIB dos seguintes pa\u00edses, que t\u00eam 172 milh\u00f5es de habitantes e n\u00e3o s\u00e3o, de longe, os mais pobres: Madag\u00e1scar, Mo\u00e7ambique, Afeganist\u00e3o, Camar\u00f5es, Tanz\u00e2nia, Uruguai, Jord\u00e2nia, Costa do Marfim; a riqueza dos tr\u00eas mais ricos \u00e9 superior \u00e0 dos 48 pa\u00edses mais pobres.<br \/>\nO assunto da desigualdade de rendimentos \u00e9, como ser\u00e1 de supor, \u201cideologicamente desconfort\u00e1vel\u201d, diz a autora. Logo no in\u00edcio da obra, relata o caso de um investigador que tem dificuldade em obter financiamento para estudos sobre a desigualdade, mas n\u00e3o sobre a pobreza. Um dos que garante os patroc\u00ednios que tornam poss\u00edveis tais estudos explica porqu\u00ea: \u201cA minha preocupa\u00e7\u00e3o com a pobreza de algumas pessoas, com efeito, projeta sobre mim um brilho muito simp\u00e1tico e caloroso: estou dispon\u00edvel para usar o meu dinheiro para os ajudar. A caridade \u00e9 algo de bom; muitos egos engrandecem-se com isso e ganha-se muitos pontos na escala da \u00e9tica quando se d\u00e1 aos pobres, nem que seja pequenas quantias. Mas a desigualdade \u00e9 diferente: qualquer refer\u00eancia que se lhe fa\u00e7a sugere, na verdade, a quest\u00e3o do direito ou da legitimidade do meu rendimento\u201d (p\u00e1g. 10).<br \/>\nEste livro fica bem ao lado de outro que tem feito muito furor, \u201cO Capital no S\u00e9c. XXI\u201d, de Thomas Piketty. O economista franc\u00eas, considerando que o capitalismo n\u00e3o tem concorrente \u00e0 altura mas deve ser corrigido por uma via fiscal fortemente redistributiva, tem dito que \u201ca reparti\u00e7\u00e3o da riqueza \u00e9 uma quest\u00e3o demasiado importante para ser deixada apenas a economistas, soci\u00f3logos, historiadores e fil\u00f3sofos. Ela interessa a toda a gente, e ainda bem\u201d. Chrystia Freeland, que \u00e9 canadiana e foi diretora-adjunta do \u201cFinancial Times\u201d s\u00f3 pode concordar.<\/p>\n<p><strong>J.P.F.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Plutocratas Chrystia Freeland Temas e Debates 415 p\u00e1ginas &nbsp; Este livro tem como subt\u00edtulo \u201cA ascens\u00e3o dos novos super-ricos globais e a queda de todos os outros\u201d. Ou seja, \u00e9 sobre a crescente desigualdade de rendimentos entre pessoas, n\u00e3o propriamente sobre a pobreza, mas sobre a disparidade de distribui\u00e7\u00e3o do dinheiro. 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