{"id":25227,"date":"2014-08-28T13:45:30","date_gmt":"2014-08-28T13:45:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25227"},"modified":"2014-08-28T13:45:30","modified_gmt":"2014-08-28T13:45:30","slug":"aveiro-num-bater-de-asa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aveiro-num-bater-de-asa\/","title":{"rendered":"Aveiro num bater de asa"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24564\" aria-describedby=\"caption-attachment-24564\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Gaspar-albino1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24564\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Gaspar-albino1-239x300.jpg\" alt=\"GASPAR ALBINO Artista pl\u00e1stico\" width=\"200\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Gaspar-albino1-239x300.jpg 239w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Gaspar-albino1.jpg 267w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24564\" class=\"wp-caption-text\">GASPAR ALBINO<br \/> Artista pl\u00e1stico<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dia, centenas de anos recuado, o Atl\u00e2ntico deixou-se apaixonar por um extenso naco do nosso litoral. Dos rios do norte, corriam para o mar aluvi\u00f5es que, lavados pelas ondas, foram construindo comprido cord\u00e3o de brancas areias que, ternamente, foram abra\u00e7ando as suas salsas \u00e1guas. Foi deste namoro de s\u00e9culos que surgiu a Ria, com as suas ilhas, os seus esteiros, as suas calas. O homem da borda de \u00e1gua foi moldando a natureza, construindo as marinhas de sal com muros de torr\u00e3o feito de lamas e junco argamassados e secos nas eiras. E foi inventando barcos conforme as suas necessidades: o moliceiro para rapar dos fundos da ria o moli\u00e7o fertilizante das areias lentamente transformadas em ricos campos de cultivo; o mercantel para o transporte de mercadorias e do sal que, entretanto, aprendeu a produzir; as bateiras para o exerc\u00edcio da pesca nas \u00e1guas da laguna; as ca\u00e7adeiras, mais maneirinhas, para navegar pelos estreitos caminhos da ria, com utilidades de toda a ordem; o barco de meia lua para o exerc\u00edcio da pesca da x\u00e1vega na nossa costa; e at\u00e9 caravelas, mais altaneiras, para permitir navegar mar fora em busca de novas terras, novos e mais ricos pesqueiros.<\/p>\n<p>Alav\u00e1rio surge como nome de Aveiro em testamento da vimaranense Dona Muma, dispondo, em testamento de 959, terras e salinas de que era propriet\u00e1ria no nosso termo. Alav\u00e1rio foi cadinho de pescadores e marnotos que sabiam conjugar a sua vida marinheira com a actividade da lavoura, da constru\u00e7\u00e3o naval, da ind\u00fastria do barro de que a terra firme era \u00fabere, e do com\u00e9rcio. Cedo aprenderam a navegar ao largo chegando ao mar dos bacalhaus muito antes da descoberta oficial da Terra Nova.<br \/>\nFoi nesta terra de \u00e1gua que, tamb\u00e9m um dia, a princesa Joana, filha de Afonso V, quis viver, chamando-lhe \u201csua Lisboa, a pequena\u201d. Aqui procurou a santidade. Hoje, \u00e9 a padroeira da cidade.<br \/>\nAs imagens mais antigas de Aveiro correspondem a uma leitura setentrional da vila.<br \/>\nIsto \u00e9: uma leitura tomada sempre pela perspectiva da Vila Nova ou do lado da nossa Beira-Mar.<br \/>\nS\u00e3o as gravuras que nos mostram uma vila de Aveiro toda ela dentro das muralhas mandadas construir por El-Rei D. Jo\u00e3o I e que o Infante D. Pedro tornou realidade.<br \/>\nFalar da sorte de Aveiro \u00e9 falar da sorte da nossa Ria e da nossa Barra.<br \/>\nNos s\u00e9culos XV e XVI a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de Aveiro, favorecida pelas condi\u00e7\u00f5es do porto mar\u00edtimo, tinha elevado a um alto grau as suas aptid\u00f5es agr\u00edcolas, mar\u00edtimas, industriais e mercantis, e gozava os benef\u00edcios de uma riqueza criada pelo esfor\u00e7o de muitas gera\u00e7\u00f5es. A popula\u00e7\u00e3o da vila regulava por 14.000 habitantes, entre eles muitos estrangeiros.<br \/>\nA descoberta da Terra Nova em 1501 criou um novo campo de ac\u00e7\u00e3o para as aptid\u00f5es mar\u00edtimas da vila. Eram cinquenta as caravelas empenhadas nesta pescaria do bacalhau.<br \/>\nA passagem do canal da Barra para o sul do extremo norte das dunas da Gafanha, em 1575, consequ\u00eancia da ac\u00e7\u00e3o permanente dos elementos activos da forma\u00e7\u00e3o lagunar, produziu fen\u00f3menos que acabaram por arruinar, nos s\u00e9culos XVII e XVIII, a economia regional. Em 1611 j\u00e1 a pra\u00e7a de Aveiro n\u00e3o tinha um \u00fanico navio.<br \/>\nNo fim do s\u00e9culo XVIII Aveiro tinha 900 fogos e 1.400 casas e pardieiros em ru\u00ednas, desabitados ou abandonados; a desvaloriza\u00e7\u00e3o da propriedade urbana atingira o seu limite m\u00e1ximo.<br \/>\nEra a crise, a mais profunda. E \u00e9 neste quadro que a vila de Aveiro \u00e9 promovida a cidade por disposi\u00e7\u00e3o do rei D. Jos\u00e9, em 1759. A sa\u00edda da crise passava pela reabertura da nossa Barra.<br \/>\nAs muralhas que abra\u00e7avam a parte mais significativa do que era a Vila Velha s\u00e3o quase totalmente demolidas para a constru\u00e7\u00e3o dos molhes que viriam a viabilizar a Barra Nova que ficou aberta em Abril de 1808. Ent\u00e3o Aveiro recome\u00e7ou a nascer com a reabertura da barra\u2026<br \/>\nHoje, com o seu activo porto de mar, com a sua excelente universidade, com o seu povo laborioso sempre em busca de uma vida econ\u00f3mica saud\u00e1vel, Aveiro procura resistir \u00e0 crise que avassala o nosso Portugal.<br \/>\nNascida terra de \u00e1gua, esperemos que sobrenade neste mar cheio de escolhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia, centenas de anos recuado, o Atl\u00e2ntico deixou-se apaixonar por um extenso naco do nosso litoral. Dos rios do norte, corriam para o mar aluvi\u00f5es que, lavados pelas ondas, foram construindo comprido cord\u00e3o de brancas areias que, ternamente, foram abra\u00e7ando as suas salsas \u00e1guas. Foi deste namoro de s\u00e9culos que surgiu a Ria, com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-25227","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25227"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25227\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25228,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25227\/revisions\/25228"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}