{"id":25242,"date":"2014-08-28T14:41:42","date_gmt":"2014-08-28T14:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25242"},"modified":"2014-08-28T14:41:42","modified_gmt":"2014-08-28T14:41:42","slug":"abundancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/abundancia\/","title":{"rendered":"Abund\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>A cidade de Bras\u00edlia, no Brasil, tem uma caracter\u00edstica provavelmente \u00fanica no mundo: na arboriza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos, foi plantado um milh\u00e3o de \u00e1rvores de fruto. Passados v\u00e1rios anos da inaugura\u00e7\u00e3o desta cidade singular, as \u00e1rvores est\u00e3o enormes e o povo pode ir colher os frutos, abundantes, de gra\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 nada que o pro\u00edba. De sua casa, uma pessoa pode ir buscar a fruta que pretender, ali na porta, na avenida ou no jardim p\u00fablico.<br \/>\nAquela abund\u00e2ncia faz lembrar que o Deus que em Jesus multiplica os p\u00e3es e os peixes e que nos disse que enviava o Seu Filho para termos Vida em abund\u00e2ncia conduz a humanidade entre duas terras: a perdida e a prometida. A perdida est\u00e1 representada no para\u00edso terreal, em que, aos primeiros homens, simbolizados em Ad\u00e3o e Eva, era dado a comer de todos os frutos do Jardim. Tudo era generosamente distribu\u00eddo pelos homens, numa harmonia c\u00f3smica, ferida e alterada pelo pecado original. Terra das origens, o para\u00edso foi perdido. Os homens nunca mais deixaram de sentir saudades dele. Surgem hist\u00f3rias, mitos, lendas, em todas as culturas do mundo, em todos os tempos. O que mais gosto \u00e9 a ideia da Shangri-l\u00e1, que deu livro e filme de cinema que encantou os meus sonhos de crian\u00e7a. Recomendo\u2026<br \/>\nOs homens da B\u00edblia sentiram que, em Deus, nada est\u00e1 perdido para sempre. Pela Alian\u00e7a de Amor com seu Povo, Deus devolveria o para\u00edso perdido. Foi com base neste para\u00edso e seguindo as descri\u00e7\u00f5es do G\u00e9nesis, que mosteiros, mesquitas e pal\u00e1cios foram feitos com claustros, jardins interiores e \u00e1gua abundante. Representam o para\u00edso perdido que nos ser\u00e1 devolvido, um dia.<br \/>\nOs profetas dizem-nos que na Terra Prometida correr\u00e1 leite e mel, que podemos ir buscar vinho e leite sem despesas, que todos seremos saciados como o veado que suspira pela corrente das \u00e1guas\u2026 E essa abund\u00e2ncia e harmonia c\u00f3smica passaram a ser tamb\u00e9m promessas vinculadas \u00e0 vinda do Messias. Jesus assume esta realidade dizendo que veio para nos dar vida em abund\u00e2ncia, que do nosso cora\u00e7\u00e3o brotar\u00e3o rios de agua viva, que a \u00e1gua que nos der n\u00e3o nos deixar\u00e1 ter mais sede. O P\u00e3o que nos der, acabar\u00e1 com a fome\u2026 E as multiplica\u00e7\u00f5es de p\u00e3o e do peixe mostram bem essa realidade.<br \/>\nO para\u00edso perdido e a terra prometida encontram em Jesus a plenitude das esperan\u00e7as humanas. Mas os judeus que n\u00e3o aceitaram Jesus como Messias esperam que essa prometida abund\u00e2ncia aconte\u00e7a no espa\u00e7o e no tempo, em Jerusal\u00e9m. Da\u00ed lutarem pela posse desta terra e se fazerem enterrar, muitos, como tamb\u00e9m mu\u00e7ulmanos, perto das muralhas da cidade santa. No entanto, muitos crist\u00e3os tamb\u00e9m pensam que a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus est\u00e1 na abund\u00e2ncia de bens nesta terra. Ter uma casa bela e bom carro, dinheiro no banco e boa roupa, boa posi\u00e7\u00e3o social, viagens, regalias\u2026 parece ser a \u00fanica abund\u00e2ncia que muitos desejam.<br \/>\nMas nem a B\u00edblia nem Jesus prometeram esta abund\u00e2ncia. Prometem antes, na linha das Bem-Aventuran\u00e7as, a posse de outro Reino, outra Terra, outra cidade\u2026 E, de facto, vemos que os que tem muito n\u00e3o s\u00e3o felizes. Vivem aborrecidos, alienados. Os que vivem com milh\u00f5es refugiam-se na droga, no \u00e1lcool, na vida sem sentido. Essa prociss\u00e3o de gente poderosa, aniquilada com dinheiro que n\u00e3o compra a felicidade, passa diante de n\u00f3s, nos artistas de cinema e televis\u00e3o, musica, desporto. T\u00eam tudo e s\u00e3o t\u00e3o infelizes. Nem estabilidade familiar conseguem ter. Vejam a vida de Diana, Marilyn Monroe, entre tantos e tantas\u2026 Est\u00e1 provado que quanto mais se tem, mais pobre se \u00e9. Vive-se de medos e preocupa\u00e7\u00f5es, insatisfa\u00e7\u00f5es que alimentam um consumismo, num c\u00edrculo vicioso, s\u00f3 abafado na droga, na bebida ou nas a\u00e7\u00f5es sociais, algumas de car\u00e1cter aparentemente filantr\u00f3pico. E s\u00e3o os que menos partilham com quem de facto precisa. A corrup\u00e7\u00e3o domina muitos desses poderosos que, quanto mais tem, mais querem. O suic\u00eddio tem uma taxa elevada em pa\u00edses ricos e em gente rica.<br \/>\nNo entanto, a abund\u00e2ncia do Evangelho exige duas coisas para acontecer em n\u00f3s. A primeira \u00e9 a F\u00e9 em Deus Providente. Com a certeza de que o tempo que damos a Deus, na ora\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, n\u00e3o nos faz falta e s\u00f3 Ele \u00e9 o dono do ouro e da prata. A segunde exig\u00eancia \u00e9 o amor, que n\u00e3o \u00e9 gostar. Posso amar quem eu n\u00e3o gosto. Posso n\u00e3o gostar de algu\u00e9m e am\u00e1-lo apesar disso. O Amor \u00e9 doa\u00e7\u00e3o de uma pessoa a outra. \u00c9 dar e \u00e9 dar-se sem medida. E, vemos, claramente, que ao lado dos ricos que nada d\u00e3o e s\u00e3o t\u00e3o pobres, os que d\u00e3o, afinal s\u00e3o t\u00e3o ricos no sentido do viver, por isso, felizes, ainda que vivendo num barraco. A abund\u00e2ncia do Evangelho est\u00e1 no Cora\u00e7\u00e3o do homem que ama. E quem ama tem sempre para dar. A alegria est\u00e1 mais no dar do que no receber. E s\u00f3 ganhamos o que damos aos outros. O que ama espera, pois, que um dia, a terra prometida o sacie eternamente da Sua fome do Amor, que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus, que disse: \u201cSe algu\u00e9m tem sede, que venha a mim e que ele beba, aquele que cr\u00ea em mim! Do seu cora\u00e7\u00e3o brotar\u00e3o rios de \u00e1gua viva!\u201d (Jo 7,37).<\/p>\n<p><strong>Vitor Espadilha<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de Bras\u00edlia, no Brasil, tem uma caracter\u00edstica provavelmente \u00fanica no mundo: na arboriza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos, foi plantado um milh\u00e3o de \u00e1rvores de fruto. Passados v\u00e1rios anos da inaugura\u00e7\u00e3o desta cidade singular, as \u00e1rvores est\u00e3o enormes e o povo pode ir colher os frutos, abundantes, de gra\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 nada que o pro\u00edba. 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