{"id":2530,"date":"2010-09-08T10:00:00","date_gmt":"2010-09-08T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2530"},"modified":"2010-09-08T10:00:00","modified_gmt":"2010-09-08T10:00:00","slug":"o-sindroma-da-vassoura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-sindroma-da-vassoura\/","title":{"rendered":"O s\u00edndroma da vassoura"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> As par\u00e1bolas do evangelho de hoje s\u00e3o consideradas muito representativas do n\u00facleo do Evangelho \u2013 em especial, a do \u00abfilho pr\u00f3digo\u00bb. O tra\u00e7o dominante \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o de Deus como \u00abalegria de procurar\u00bb, \u00abalegria de encontrar\u00bb, \u00abalegria de conviver\u00bb, \u00abalegria de s\u00f3 querer bem\u00bb.<\/p>\n<p>Particularmente pitoresca \u00e9 a da mulher, de vassoura nas m\u00e3os, revirando a casa inteira metodicamente, sem descansar enquanto n\u00e3o encontra o que procura. E \u00e0 alegria do sucesso, acresce o prazer de uma casa limpa e da festa com os amigos&#8230;<\/p>\n<p>Tudo obra de uma vassoura adequada, em m\u00e3os t\u00e3o decididas como criteriosas e cuidadosas. Para procurar a moeda de oiro, n\u00e3o vamos partir as porcelanas; nem vamos lan\u00e7ar o lixo noutros cantos, e muito menos para o quintal do vizinho. E se as crian\u00e7as parecerem estorvar, n\u00e3o as vamos correr com o cabo da vassoura. Nem varremos o quintal com a mesma vassoura da sala de jantar ou de estar. E se acharmos bem emprestar a vassoura ao vizinho, \u00e9 ofensivo e contraproducente passar-lhe a vassoura mais velha ou, pior ainda, escavacada. Muito menos devemos impor aos outros o nosso estilo de vassoura e de varrer, por muito que a casa dos outros se mostre suja e desarrumada. O ideal \u00e9 perguntar com amizade: ser\u00e1 que lhe faz jeito a minha vassoura? Quer experimentar aquela esp\u00e9cie de vassoura \u201c\u00faltimo grito\u201d, que o amigo at\u00e9 se diverte a observar?<\/p>\n<p>E n\u00e3o vamos aprofundar algumas formas patol\u00f3gicas do s\u00edndroma da vassoura: desde o  querer dar nas vistas \u201cmontado numa vassoura\u201d (entram aqui os \u201cefeitos especiais\u201d); at\u00e9 ao fazer neg\u00f3cio exportando vassouras em pe\u00e7as soltas, t\u00e3o sofisticadas que quem as procura montar s\u00f3 consegue construir metralhadoras. \u00c9 que a vassoura tamb\u00e9m pode ser vista como s\u00edmbolo agressivo de poder (autoridade e poder s\u00e3o coisas distintas), uma forma perversa da \u00abvarinha m\u00e1gica\u00bb nas m\u00e3os dos domadores de feras, dos pesquisadores de veios de \u00e1gua, ou dos pastores e condutores de orquestra&#8230;<\/p>\n<p>Hoje, Jesus aparece como o trabalhador incans\u00e1vel para um encontro alegre do Homem com Deus. Utilizando os melhores conceitos humanos para juntar amor, perd\u00e3o, justi\u00e7a e preocupa\u00e7\u00e3o maternal, d\u00e1 a Deus a imagem de Pai, suficientemente corajoso para exigir que o amor dos filhos tenha a marca transparente da liberdade. \u00c0 imagem desse Pai, \u00e9 que Jesus tem a coragem de \u201carrega\u00e7ar as mangas\u201d. Sem uma boa varridela, de tempos a tempos, cobrem-se de p\u00f3 e de esquecimento grandes e pequenas preciosidades \u2013 mas gra\u00e7as \u00e0 vassoura, descobrimos que at\u00e9 os piores momentos da nossa vida escondem surpresas bem valiosas.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o se lan\u00e7asse a varrer a vida, \u00abo filho pr\u00f3digo\u00bb n\u00e3o daria conta do amor que tinha perdido e do egoismo em que se deixara atolar. Mas tamb\u00e9m lhe valeu a s\u00f3lida educa\u00e7\u00e3o familiar, dando-lhe os alicerces de amor e confian\u00e7a resistentes a toda a prova.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que a nossa varredora n\u00e3o sentia alegria pelas outras moedas de ouro ainda guardadas? Ser\u00e1 que o pastor se deixou de interessar com as \u00abnoventa e nove\u00bb ovelhas bem a salvo? Ser\u00e1 que o Pai do \u00abfilho pr\u00f3digo\u00bb se sentia infeliz com a companhia do outro filho? De certeza que Jesus, ao ilustrar a sua grande miss\u00e3o de \u00abvir ao mundo para salvar os pecadores\u00bb (2.\u00aa leitura), pegou naquele sentimento t\u00e3o forte que Deus deixou nos homens, \u00abquando os criou \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a\u00bb: nunca estamos satisfeitos com o muito que possamos ter ou com o muito que fizemos. Se os \u00abnoventa e nove justos\u00bb e o \u00abfilho fiel\u00bb do evangelho n\u00e3o se esfor\u00e7arem continuamente por valerem cada vez mais, passar\u00e3o a ter de justos apenas o nome, \u00e0 semelhan\u00e7a dos que se chamam \u201ctrabalhadores\u201d para encobrir que n\u00e3o trabalham; ou se chamam \u201cdemocratas\u201d para melhor esconder o ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>N\u00e3o anda na justi\u00e7a quem fica a dormir sobre a riqueza acumulada (Lucas 12,16-21), quantas vezes \u00ab\u00e0 custa dos despojos dos pobres\u00bb (Isa\u00edas 3,14-15). <\/p>\n<p>Jesus veio claramente afastar-nos de especula\u00e7\u00f5es sobre um Deus punitivo: Deus quer que os homens saibam de tudo tirar partido para gerar a beleza e o bem, com a coragem de discernir e discutir publicamente o que \u00e9 bem e o que \u00e9 mal.<\/p>\n<p> Seria o \u00abfilho fiel\u00bb um bom irm\u00e3o? Afinal, n\u00e3o sabia varrer os preconceitos, presun\u00e7\u00f5es, comodismo e frustra\u00e7\u00f5es, pr\u00f3prias de quem n\u00e3o confiava numa conversa aberta com o pai e com a fam\u00edlia. Cobriu de p\u00f3 e de lixo as coisas valiosas que o pai e \u00abo mau irm\u00e3o\u00bb lhe deixaram. S\u00f3 para alguns \u00e9 que aparecia como um filho bem comportado. <\/p>\n<p>O pior \u00e9 quando filhos como estes s\u00e3o chamados a gerir a casa, sem nunca terem varrido e nada interessados em varr\u00ea-la como conv\u00e9m e para o que conv\u00e9m. Aplica-se a eles o que disse o profeta Isa\u00edas: \u00abPovo meu, os que te guiam destroem o caminho que deves seguir\u00bb (3, 4-12). Confundem varrer com \u201candar \u00e0 vassourada\u201d, perdendo cada vez mais o tesouro que faz falta a todos e impedindo os filhos de ocupar um lugar produtivo na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-2530","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2530\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}