{"id":25300,"date":"2014-09-11T14:52:17","date_gmt":"2014-09-11T14:52:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25300"},"modified":"2014-09-11T14:52:17","modified_gmt":"2014-09-11T14:52:17","slug":"o-meu-brinquedo-e-um-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-meu-brinquedo-e-um-livro\/","title":{"rendered":"O meu brinquedo \u00e9 um livro"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24407\" aria-describedby=\"caption-attachment-24407\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24407 size-thumbnail\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela-150x150.jpg\" alt=\"Joana Portela M\u00e3e e Revisora de Texto\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela-150x150.jpg 150w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24407\" class=\"wp-caption-text\">Joana Portela<br \/> M\u00e3e e Revisora de Texto<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Cada palavra que leres<\/em><br \/>\n<em>h\u00e1-de alargar o teu mundo<\/em><br \/>\n<em>acrescentando sentido<\/em><br \/>\n<em>ao que sabes l\u00e1 no fundo,<\/em><br \/>\n<em>e aquilo que tu nomeias<\/em><br \/>\n<em>passa a ter nome e lugar,<\/em><br \/>\n<em>tesouro de sons soletrado<\/em><br \/>\n<em>quando te p\u00f5es a falar.<\/em><\/p>\n<p><em>Cada palavra que aprendes<\/em><br \/>\n<em>tem o gosto da aventura<\/em><br \/>\n<em>e a magia secreta<\/em><br \/>\n<em>que h\u00e1 no acto de leitura.<\/em><br \/>\n<em>Cada palavra que escreves<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 um fruto j\u00e1 maduro<\/em><br \/>\n<em>Que cai da \u00e1rvore dos sons<\/em><br \/>\n<em>E tem sabor de futuro.<\/em><\/p>\n<p><em>Jos\u00e9 Jorge Letria,<\/em><br \/>\nin<em> Versos para os Pais Lerem aos Filhos em Noites de Luar<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Auspicioso, Setembro \u00e9 m\u00eas de (re)come\u00e7os. De inaugurar cadernos em branco. De folhear p\u00e1ginas a cheirar a novo e a promessa. E as letras do alfabeto, em l\u00e1pis titubeante ou dedo calejado, t\u00eam sabor de futuro, t\u00eam horizonte de porta que se abre para alargar o nosso mundo\u2026<br \/>\n\u2026 um mundo onde 774 milh\u00f5es de analfabetos, por n\u00e3o terem acesso \u00e0 palavra escrita, encontram fechadas as portas de uma vida digna. Para alterar a situa\u00e7\u00e3o, assinala-se, a 8 de Setembro, o Dia Internacional da Alfabetiza\u00e7\u00e3o\/Literacia. Na Uni\u00e3o Europeia, um em cada cinco jovens de 15 anos tem dificuldades de leitura e 73 milh\u00f5es de cidad\u00e3os t\u00eam n\u00edveis de literacia insuficientes para lidar com o mundo moderno. E Portugal apresenta um dos mais baixos n\u00edveis de literacia entre os pa\u00edses da UE (sobre isto, vale a pena ver: www.youtube.com\/watch?v=tP2y0vU7EG8).<br \/>\nAproveito a pertin\u00eancia da data e tr\u00eas \u201cinspira\u00e7\u00f5es\u201d recentes para insistir num tema que, como m\u00e3e e cidad\u00e3, me interessa cada vez mais: a literacia emergente na primeira inf\u00e2ncia. \u00c9 um novo conceito de literacia, entendido como o processo de aquisi\u00e7\u00e3o e desenvolvimento gradual das compet\u00eancias da fala, leitura e escrita na idade pr\u00e9-escolar, proporcionado por experi\u00eancias, h\u00e1bitos e interac\u00e7\u00f5es positivas com a linguagem escrita. Ora, a promo\u00e7\u00e3o da literacia deve ocorrer desde o primeiro ano de vida, pois come\u00e7a muito antes do ensino formal, assumindo um papel primordial na preven\u00e7\u00e3o de dificuldades futuras, que ocorrem com frequ\u00eancia durante a aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem escrita no decurso da escolariza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA primeira inspira\u00e7\u00e3o chegou-me por via da palavra escrita. O pediatra dos meus filhos enviou-me um artigo da Sociedade Americana de Pediatria, cujo t\u00edtulo traduzo: \u201cPromo\u00e7\u00e3o da Literacia: uma componente essencial dos cuidados prim\u00e1rios na pr\u00e1tica pedi\u00e1trica\u201d. Resumo algumas ideias: ler regularmente com as crian\u00e7as estimula padr\u00f5es ideais de desenvolvimento do c\u00e9rebro e fortalece o relacionamento entre pais e filhos num momento-chave do desenvolvimento infantil, o que, por sua vez, constr\u00f3i linguagem, literacia e compet\u00eancias socioemocionais que duram a vida inteira.<br \/>\nTrocado para mi\u00fados, o artigo recomenda que, como pol\u00edtica de sa\u00fade nos cuidados prim\u00e1rios, e especialmente nos contextos sociais mais desfavorecidos, os pediatras receitem\u2026 livros, em doses di\u00e1rias: para (ouvir) ler, manusear e manter sempre ao alcance das crian\u00e7as. Desde o ber\u00e7o, a hora do conto \u00e9 vacina contra a iliteracia, vitamina ABC para o desenvolvimento cerebral e profilaxia de sa\u00fade mental. Palpita-me, por\u00e9m, que os m\u00e9dicos portugueses continuem a prescrever, \u00e0s crian\u00e7as e jovens, mais suplementos cerebrais do que livros, apesar de termos entre n\u00f3s o \u201cProjecto Ler + D\u00e1 Sa\u00fade\u201d, que visa envolver os profissionais dos centros de sa\u00fade e hospitais no aconselhamento da leitura em fam\u00edlia. \u00c9 que ler tamb\u00e9m contagia!<br \/>\nA segunda inspira\u00e7\u00e3o chegou-me por meio da palavra dita, numa revela\u00e7\u00e3o entristecida da minha filha (4 anos). \u201cM\u00e3e, porque \u00e9 que n\u00f3s temos de oferecer sempre livros [como prenda de anos]? Os meus amigos nunca gostam das minhas prendas, s\u00f3 a Lia \u00e9 que gostou. As prendas que eles gostam \u00e9 brinquedos, n\u00e3o \u00e9 livros\u2026\u201d Surpreendida por esta confid\u00eancia, perguntei-lhe: \u201cE porque \u00e9 que n\u00e3o gostam?\u201d \u201cOh, porque eles olham, olham e n\u00e3o percebem as letras\u2026 n\u00e3o sabem o que \u00e9 que l\u00e1 diz\u2026 Se calhar os pais n\u00e3o l\u00eaem a hist\u00f3ria e eles dizem que aquilo n\u00e3o d\u00e1 para brincar! M\u00e3e, v\u00e1 l\u00e1, podemos oferecer brinquedos como os outros?\u201d<br \/>\nFoi por causa desta conversa que fui respigar, a um projecto de promo\u00e7\u00e3o da leitura, o t\u00edtulo desta cr\u00f3nica. Acho que vou sugerir \u00e0 minha filha que, da pr\u00f3xima vez, ofere\u00e7a a sua prenda com esta legenda: <em>O meu brinquedo \u00e9 um livro!<\/em> E talvez lhe junte o guia parental (dispon\u00edvel em PDF) \u201cPorqu\u00ea ler ao meu beb\u00e9?\u201d, tamb\u00e9m adequado \u00e0s idades seguintes. Acredito, manifestamente, que um bom livro \u00e9 um presente que pode fazer a diferen\u00e7a no futuro, se n\u00e3o ficar encerrado na prateleira. A capacidade de ler \u2013 atestam os neurologistas \u2013 come\u00e7a a desenvolver-se desde o primeiro ano de vida e deve ser estimulada regularmente com a ajuda da fam\u00edlia. Est\u00e3o dispon\u00edveis sugest\u00f5es, conselhos e dicas no<em> site<\/em> \u201cLer + em Fam\u00edlia\u201d, um projecto do Plano Nacional de Leitura considerado, l\u00e1 fora, um exemplo de boas-pr\u00e1ticas na promo\u00e7\u00e3o da literacia.<br \/>\nEm idade pr\u00e9-escolar, um livro \u00e9 um brinquedo colectivo para partilhar com os pais\/av\u00f3s\/manos que sabem ler. N\u00e3o se trata de mais-um-objecto-de-pl\u00e1stico para entreter individualismos; \u00e9 uma obra cheia de plasticidade criativa para ver\/ler em fam\u00edlia e estimular a imagina\u00e7\u00e3o\u2026 e tamb\u00e9m o afecto. Ler em voz alta \u00e0s crian\u00e7as \u00e9 um gesto de amor impregnado de futuro \u2013 t\u00e3o expressivo e determinante como aqueles gestos que envolvem o beb\u00e9 do livro <em>Tanto, Tanto<\/em> (Ed. Gatafunho), que durante meses foi o \u201cbrinquedo\u201d mais reclamado l\u00e1 em casa: \u201cM\u00e3e, conta outra vez!\u201d<br \/>\nA terceira inspira\u00e7\u00e3o chegou-me pelas tantas vozes das Palavras Andarilhas, essa contagiante FESTA da palavra lida, contada, escutada, cantada, na qual todas as gera\u00e7\u00f5es se imbri(n)cam nos cantos dos contos, num fabuloso encontro de narra\u00e7\u00e3o oral e promo\u00e7\u00e3o da leitura, organizado em Beja. Contar \u00e9 um gesto de futuro impregnado de amor.<br \/>\nE ler pode tornar-se um gesto pleno de cidadania. Por isso, ainda a transbordar de entusiasmo andarilho, desafio os leitores (e, sobretudo, os av\u00f3s) a envolverem-se, com gratuidade, num gratificante projecto de literacia: <strong>Volunt\u00e1rios de Leitura<\/strong> (www.voluntariosdaleitura.org) \u2013 pessoas comuns que ajudam a promover o prazer de ler entre as crian\u00e7as, disponibilizando algum do seu tempo para (ouvir) ler, com um pequeno grupo ou com um s\u00f3 aluno, em infant\u00e1rios, escolas ou bibliotecas. Vamos dar (a)voz aos livros?<br \/>\nEm Setembro, vou estrear o meu caderno novo: Leituras de Bolso para Meninos de Bibe!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cada palavra que leres h\u00e1-de alargar o teu mundo acrescentando sentido ao que sabes l\u00e1 no fundo, e aquilo que tu nomeias passa a ter nome e lugar, tesouro de sons soletrado quando te p\u00f5es a falar. 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