{"id":25367,"date":"2014-10-16T14:01:25","date_gmt":"2014-10-16T14:01:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25367"},"modified":"2014-10-16T14:01:25","modified_gmt":"2014-10-16T14:01:25","slug":"fim-de-safra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/fim-de-safra\/","title":{"rendered":"Fim de safra"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24379\" aria-describedby=\"caption-attachment-24379\" style=\"width: 214px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24379 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva-214x300.jpg\" alt=\"QUERUBIM SILVA Padre. Diretor\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva-214x300.jpg 214w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/editorial_Pe-Querubim-Silva.jpg 288w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24379\" class=\"wp-caption-text\">QUERUBIM SILVA<br \/> Padre. Diretor<\/figcaption><\/figure>\n<p>O assunto n\u00e3o \u00e9 novo. Mas, cada ano que passa, parece que as coisas se degradam, ante um mutismo e in\u00e9rcia generalizados da parte dos respons\u00e1veis pastorais. \u00c9 o problema das festas ditas religiosas.<br \/>\nA religiosidade popular \u00e9 um h\u00famus excelente para fazer desabrochar uma f\u00e9 aut\u00eantica, que ultrapasse as tenta\u00e7\u00f5es racionalistas e se situe numa vasta envolv\u00eancia humana marcada pela afei\u00e7\u00e3o &#8211; a rela\u00e7\u00e3o verdadeiramente interpessoal e ativa &#8211; entre as pessoas e o Senhor Jesus, o Esp\u00edrito Santo, a Virgem Maria e essa multid\u00e3o imensa de Santos e Anjos que invocamos como patronos. Curiosamente n\u00e3o conhe\u00e7o invoca\u00e7\u00f5es do Pai, a n\u00e3o ser envolvido na Trindade Sant\u00edssima!<br \/>\nMas analisemos a olho nu &#8211; n\u00e3o \u00e9 preciso mais! &#8211; o que vai por essa Diocese, por esse Portugal fora. H\u00e1 raras exce\u00e7\u00f5es, digamos de antem\u00e3o. Todavia, a generalidade dos cartazes, que anunciam \u201cfestas em honra de\u2026\u201d ou mesmo \u201cgrandiosos festejos em honra de\u2026\u201d, desdobram um caudal de banalidades, nulidade cultural, at\u00e9 mesmo brejeirice e falta de educa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o s\u00f3 desonram como desacreditam a dignidade espiritual dos nomes invocados.<br \/>\nUsou-se uma estrat\u00e9gia de multiplicar atos de culto &#8211; tr\u00edduos preparat\u00f3rios, novenas\u2026 &#8211; para provocar alguma prepara\u00e7\u00e3o interior e, de certa forma, consagrar a multiplicidade de arraiais. E aquilo que &#8211; diga-se -, em muitas circunst\u00e2ncias surtiu efeito, depressa foi abafado por uma onda de libertinagem, algumas vezes aplaudida pelos respons\u00e1veis pastorais, que confundiram a proximidade do povo com o baixar da fasquia da proposta crist\u00e3 de alegria s\u00e3. Hoje, \u00e9 uma verdadeira selva de paganismo aquilo que se passa em muitas das nossas terras, sobretudo em tempo de ver\u00e3o.<br \/>\nFestas populares ter\u00e3o sentido. E h\u00e1 gente capaz de organizar programas ricos de conte\u00fado, de arte, de eleva\u00e7\u00e3o humana, verdadeiramente divertidos\u2026, mas enriquecedores. Por\u00e9m, \u00e9 triste que, a coberto de evoca\u00e7\u00f5es e invoca\u00e7\u00f5es religiosas, se d\u00ea, in\u00fameras vezes, o triste espet\u00e1culo de pobreza art\u00edstica, de gastos escandalosos, de ignor\u00e2ncia e indignidade nas manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9, sobrando um \u201cfolclore religioso\u201d de baixo n\u00edvel, como n\u00famero justificativo do cartaz.<br \/>\n\u00c9 fim de safra. Tempo para reavaliar e tomar decis\u00f5es corajosas. A Alegria do Evangelho reclama uma atitude diferente de quem tem responsabilidades de pastoreio. A desculpa de que os nossos emigrantes v\u00eam de f\u00e9rias e gostam destas coisas n\u00e3o colhe. Eles merecem-nos mais respeito. E apreciar\u00e3o seguramente programas de qualidade, sem fogo de vista, que os fa\u00e7am voltar aos seus locais de labuta com o desejo de voltar no ano seguinte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assunto n\u00e3o \u00e9 novo. Mas, cada ano que passa, parece que as coisas se degradam, ante um mutismo e in\u00e9rcia generalizados da parte dos respons\u00e1veis pastorais. \u00c9 o problema das festas ditas religiosas. 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