{"id":25376,"date":"2014-10-17T08:50:54","date_gmt":"2014-10-17T08:50:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25376"},"modified":"2014-10-17T08:50:54","modified_gmt":"2014-10-17T08:50:54","slug":"paulo-vi-uma-luz-que-brilha-sobre-o-cume-do-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/paulo-vi-uma-luz-que-brilha-sobre-o-cume-do-monte\/","title":{"rendered":"Paulo VI, uma luz que brilha sobre o cume do monte"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25377\" aria-describedby=\"caption-attachment-25377\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Paulo-VI.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25377\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Paulo-VI.jpg\" alt=\"Paulo VI com a Irm\u00e3 L\u00facia, em 1967, no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima\" width=\"400\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Paulo-VI.jpg 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Paulo-VI-300x213.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25377\" class=\"wp-caption-text\">Paulo VI com a Irm\u00e3 L\u00facia, em 1967, no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Retrato do Papa Paulo VI, com vista da beatifica\u00e7\u00e3o de 19 de outubro, por <\/strong><br \/>\n<strong>D. Antonio Lanzoni, vice-postulador da Causa de Beatifica\u00e7\u00e3o do Papa Paulo VI.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No dia 6 de agosto de 1978, domingo em que celebr\u00e1vamos a festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, o Papa Paulo VI, \u00e0s 21h40, na resid\u00eancia estival de Castel Gandolfo, retornava \u00e0 casa do Pai.<br \/>\nAssim, um m\u00edstico do Isl\u00e3o fala sobre a morte de Paulo VI: \u201cO Mensageiro de Deus subia todos os dias o monte santo, mas ontem, festa do monte santo, Deus disse-lhe: N\u00e3o des\u00e7a outra vez at\u00e9 os homens, mas permane\u00e7a aqui, na luz, comigo\u201d.<br \/>\nPoucos dias ap\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o como Sumo Pont\u00edfice, que teve lugar dia 21 de junho de 1963, num retiro espiritual, o Papa Paulo VI escreve: \u201cA luz do casti\u00e7al queima e consome-se sozinha. Mas tem uma fun\u00e7\u00e3o, a de iluminar os outros, a todos, se poss\u00edvel\u201d. Ele, o Papa \u201cperito em humanidade\u201d, foi realmente luz que brilha no cume da montanha e ainda continua a ser, gra\u00e7as ao seu grande e sempre atual ensinamento.<br \/>\nO seu profundo amor por Cristo foi uma constante que animou a sua rica espiritualidade e a sua dolorosa e exigente a\u00e7\u00e3o pastoral. Ensinava que se deve conhecer Jesus para viver e sempre ser aluno na sua escola. Fez seu, o lema de Santo Ambr\u00f3sio: \u201cCristo \u00e9 tudo para n\u00f3s\u201d. A sua alegria, a sua paz profunda provinha da cruz e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo.<br \/>\nOs problemas que o perseguiam e que se abatiam sobre os seus ombros, os problemas da Igreja e do mundo, o sofrimento do indiv\u00edduo e da humanidade eram enfrentados por ele com um forte sentido de responsabilidade e dever, sempre com conhecimento e lucidez corajosos, com uma f\u00e9 como rocha, inabal\u00e1vel, e \u00e0 luz da esperan\u00e7a crist\u00e3.<br \/>\nEle era um homem altamente contemplativo: a ora\u00e7\u00e3o era como o h\u00famus que tornava o solo f\u00e9rtil, onde crescia a sua vida. Amou muito a M\u00e3e de Deus. No dia 21 de novembro de 1964, no contexto do Conc\u00edlio Vaticano II, proclamou Maria \u201cM\u00e3e da Igreja\u201d, provocando o consentimento dos Padres conciliares, que se levantaram espontaneamente para aplaudir.<br \/>\nH\u00e1 um t\u00edtulo pelo qual \u00e9 poss\u00edvel expressar o papel de Paulo VI na hist\u00f3ria da Igreja?<br \/>\nO Patriarca de Constantinopla, Aten\u00e1goras, a 5 de janeiro de 1964, quando se encontrou com o Papa na Terra Santa, n\u00e3o hesitou em cham\u00e1-lo de \u201cPaulo II\u201d pela forte afinidade entre o ap\u00f3stolo dos gentios e Paulo VI. Em seguida, redescobrindo o grande valor de Paulo VI, pode-se cham\u00e1-lo de \u201cprimeiro Papa moderno\u201d. E mais:<br \/>\n\u201cO Papa do di\u00e1logo\u201d<br \/>\n\u201cO Papa do Conc\u00edlio Vaticano II\u201d<br \/>\n\u201cO Papa do ecumenismo\u201d<br \/>\n\u201cO Papa Peregrino\u201d<br \/>\n\u201cO Papa da civiliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d<br \/>\n\u201cO Papa defensor da vida\u201d<br \/>\n\u201cO Papa dos tempos futuros\u201d<br \/>\n\u201cO Papa perito em humanidade\u201d<br \/>\n\u201cO Papa da Paz\u201d<br \/>\n\u201cO Papa da alegria\u201d<br \/>\n\u201cO Papa professor e testemunha\u201d<br \/>\n\u201cO Papa enamorado de Cristo e da Igreja\u201d<br \/>\nUma pessoa muito pr\u00f3xima da vida de Paulo VI sintetiza: \u201cPosso confirmar sua caracter\u00edstica de ser sempre servo. Servo de Cristo e do homem; servo no Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II e no compromisso de sua execu\u00e7\u00e3o; constante servo, ousado e prudente na atualiza\u00e7\u00e3o da Igreja; servo nas viagens apost\u00f3licas, no compromisso com a paz, na tens\u00e3o ecum\u00e9nica; servo na defesa da f\u00e9 pela solene profiss\u00e3o de f\u00e9 conhecida como o \u201cCredo de Paulo VI\u201d; servo nas suas enc\u00edclicas, nos seus discursos, em todo o seu magist\u00e9rio; humilde servo, sempre dispon\u00edvel e generoso nas suas obras de caridade\u201d.<\/p>\n<p>Os quinze anos de seu pontificado (1963-1978), no entanto, foram repletos de sofrimentos, cr\u00edticas e at\u00e9 mesmo cal\u00fanias. Um pontificado que foi, muitas vezes, a agonia no Gets\u00e9mani e que conduziu o homem, o crist\u00e3o Giovanni Battista Montini a viver o mist\u00e9rio da cruz, configurando-se cada vez mais a Cristo Crucificado. Basta pensar no atentado que ele sofreu em 27 de novembro de 1970 em Manila e no uso do cil\u00edcio como uma pr\u00e1tica penitencial. N\u00e3o foi por acaso que Paulo VI instituiu o rito da Via-Sacra no Coliseu na Sexta-feira da Paix\u00e3o e a cruz nas m\u00e3os do Papa durante a liturgia. Gestos emblem\u00e1ticos do seu esfor\u00e7o para conduzir a Igreja aos p\u00e9s da Cruz, onde nasceu a Igreja.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos esquecer que Paulo VI, no curso de sua rica experi\u00eancia de Sacerdote-Bispo-Papa, aceitou com entusiasmo e consci\u00eancia cr\u00edtica o confronto com a cultura dos homens do seu tempo. \u00c9 um \u201cgrande\u201d no sentido evang\u00e9lico, que conseguiu encarnar em si o amor, a paix\u00e3o, o sacrif\u00edcio de Jesus, para o bem da Igreja.<br \/>\nNa exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u201cEvangelii Nuntiandi\u201d, Paulo VI evidenciou uma verdade muito importante: \u201cO homem contempor\u00e2neo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou ent\u00e3o, se escuta os mestres \u00e9 porque eles s\u00e3o testemunhas\u201d. Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9, talvez, o melhor coment\u00e1rio que implicitamente Paulo VI fez da sua vida: mestre, mas acima de tudo testemunha. Uma testemunha cred\u00edvel porque n\u00e3o hesitou em dar testemunho de Cristo at\u00e9 o derramamento de sangue.<br \/>\nPor isso, a imagem inicial da l\u00e2mpada que arde e se consome a si mesma talvez seja a mais significativa; a luz que sempre iluminou a personalidade de Paulo VI. Ele escreve no seu \u201dTestamento\u201d: \u201cFixo o olhar no mist\u00e9rio da morte e do que a ela segue \u00e0 luz de Cristo, o \u00fanico que a esclarece; olho, portanto, para a morte com confian\u00e7a, humilde e serenamente. Percebo a verdade que esse mist\u00e9rio projetou sempre sobre a vida presente e bendigo ao Vencedor da morte por haver dissipado em mim as trevas e descoberto a luz. Por isso, ante a morte e a separa\u00e7\u00e3o total e definitiva da vida presente, sinto o dever de celebrar o dom, a fortuna, a beleza, o destino desta mesma fugaz exist\u00eancia: Senhor, dou-te gra\u00e7as porque me chamaste \u00e0 vida e mais ainda porque me regeneraste e destinaste \u00e0 plenitude da vida\u201d.<br \/>\nE no \u201cPensamento da morte\u201d: \u201cE \u00e0 Igreja, \u00e0 qual tudo devo e que foi minha, que direi? As b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus estejam acima de ti; tem consci\u00eancia da tua natureza e da tua miss\u00e3o; tem o sentido das necessidades verdadeiras e profundas da humanidade; e caminha pobre, isto \u00e9, livre, forte e amorosa rumo a Cristo\u201d.<br \/>\nA luz da l\u00e2mpada que se extinguiu em 06 de agosto de 1978, Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, agora est\u00e1 viva para sempre e resplandece em Jesus Ressuscitado; e tornou-se para todos luminoso reflexo da gl\u00f3ria e da alegria que Deus oferece aos seus Santos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retrato do Papa Paulo VI, com vista da beatifica\u00e7\u00e3o de 19 de outubro, por D. 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