{"id":25422,"date":"2014-10-24T14:37:50","date_gmt":"2014-10-24T14:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25422"},"modified":"2014-10-24T14:37:50","modified_gmt":"2014-10-24T14:37:50","slug":"sobre-o-ardor-do-viver-ebola-sem-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sobre-o-ardor-do-viver-ebola-sem-nos\/","title":{"rendered":"Sobre o ardor do viver: \u00c9bola sem n\u00f3s?!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25424\" aria-describedby=\"caption-attachment-25424\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Pedroj.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25424 size-full\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Pedroj.jpg\" alt=\"PEDRO JOS\u00c9 Padre. Comiss\u00e3o Diocesana &quot;Justi\u00e7a e Paz&quot;\" width=\"234\" height=\"259\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25424\" class=\"wp-caption-text\">PEDRO JOS\u00c9<br \/> Padre. Comiss\u00e3o Diocesana &#8220;Justi\u00e7a e Paz&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00abAmenidade: \u00abSomos sedentos de \u00abamenidade\u00bb.<br \/>\n(Cfr. Santo Agostinho, Confiss\u00f5es, Livro IX, n\u00ba3, p.250 e Livro X, n\u00ba34, p.334).<\/p>\n<p>\u00abO surto que vivemos atualmente &#8211; e que, com o caso de cont\u00e1gio em Madrid, j\u00e1 escapou ao controlo do continente africano &#8211; \u00e9 mais do que uma simples epidemia, assegura Piot. \u201cIsto deve ficar claro para todos: isto n\u00e3o \u00e9 apenas uma epidemia. \u00c9 uma cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria. N\u00e3o necessitamos apenas de cuidados de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m especialistas em log\u00edstica, cami\u00f5es, jeeps e produtos alimentares. Uma epidemia como esta pode desestabilizar regi\u00f5es inteiras. Tenho esperan\u00e7a que consigamos control\u00e1-la. Nunca pensei que pudesse chegar a este ponto.\u201d<br \/>\nPeter Piot, investigador belga, que fez parte da equipa de investiga\u00e7\u00e3o que descobriu o \u00e9bola, in http:\/\/expresso.sapo.pt\/a-incrivel-historia-da-descoberta-do-ebola=f892965, acesso 15-10-2014.<br \/>\n(Re)Inventar o quotidiano absurdo retendo o Sofrimento, a Dor, e a Morte do \u00abOutro\u00bb, em \u00c1frica, ou em Madrid, \u00ab\u00e0s nossas portas\u00bb, pois dizem-nos a \u00absitua\u00e7\u00e3o est\u00e1 descontrolada\u00bb. Se ningu\u00e9m duvida da Realidade do perigo mortal que nos amea\u00e7a a todos (\u201cl\u00e1\u201d e \u201cc\u00e1\u201d; mais \u201cl\u00e1\u201d do que \u201cc\u00e1\u201d; e posteriormente, nem haver\u00e1 \u201cc\u00e1\u201d ou \u201cl\u00e1\u201d\u2026). Algu\u00e9m nos situa diante da Indiferen\u00e7a ao \u00c9bola? Eis a \u00abchave apocal\u00edptica\u00bb. Apenas ignor\u00e2ncia de relaxamento. S\u00f3 agora acordamos (mais uma vez) para o pesadelo humanit\u00e1rio?!<br \/>\nN\u00e3o podemos ignorar as contradi\u00e7\u00f5es e vicissitudes da Hist\u00f3ria, a mobilidade em crise, a multiplicidade dos espa\u00e7os em curtos per\u00edodos de tempo (\u201c21\u201d dias e a morte poder\u00e1 chegar com hora marcada\u2026), as fronteiras flutuam sem veda\u00e7\u00f5es. Geografias do Medo irracional. Estamos diante da tenta\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia, da tenta\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, numa palavra, em situa\u00e7\u00e3o humilhante: da tenta\u00e7\u00e3o da totalidade do abandono. Descaso sem Dignidade: que vem de \u201ctr\u00e1s\u201d e chega \u201cagora\u201d; cada vez mais acelerando a Hist\u00f3ria, com viol\u00eancia mortal.<br \/>\nQuest\u00e3o da singularidade da Morte nos objetos; da singularidade dos grupos ou das perten\u00e7as, da recomposi\u00e7\u00e3o de lugares e tempos; da singularidade de todos os relacionamentos e hist\u00f3rias pessoais. \u201cN\u00f3s\u201d (protegidos a qualquer custo\u2026) n\u00e3o podemos correr o risco de morrer; \u201caqueles\u201d, \u201celes\u201d e \u201cesses\u201d (desprotegidos sem qualquer custo\u2026) podem vir a morrer. Sup\u00f5e, prop\u00f5e e imp\u00f5e-se o Futuro do Pr\u00f3ximo diante de Mim Mesmo salvo do Ego\u00edsmo.<br \/>\nConsiderando apenas algumas s\u00ednteses (im)poss\u00edveis:<br \/>\na) \u00abTodos se conjugam e tudo se conjuga\u00bb. N\u00e3o podemos (des)multiplicar desculpas e adiamentos. \u00abPaz e Justi\u00e7a\u00bb sejam sustento e rem\u00e9dio para a nossa Vida em Comum. Temos de deixar de conjugar a n\u00e3o-inscri\u00e7\u00e3o de \u00c1frica no Tempo. Espectadores de si pr\u00f3prios ou protagonistas da convers\u00e3o? Turistas da pervers\u00e3o ou cr\u00edticos da mentira abjecta? O responder mudo.<br \/>\nb) \u00abCada corpo ocupa o seu lugar\u00bb. Mas esta ocupa\u00e7\u00e3o singular e exclusiva \u2013 pelo perigo eminente do cont\u00e1gio mortal e respetiva fuga diante do tratamento \u2013 \u00e9 mais a do cad\u00e1ver na sua sepultura do que a do corpo nascente ou vivo. Na ordem do nascimento e da vida, o lugar pr\u00f3prio, como a individualidade absoluta, s\u00e3o mais dif\u00edceis de definir e de pensar (cfr. AUG\u00c9, Marc, \u201cN\u00e3o-Lugares: Introdu\u00e7\u00e3o a uma antropologia da sobremodernidade\u201d, Livraria Letra Viva, Lisboa, 2012, p.50). Onde est\u00e1 o nosso compromisso vital com um espa\u00e7o digno para vivermos todos? O perguntar surdo.<br \/>\nc) \u00abPelo ardor do viver n\u00e3o se pode ignorar (mais) \u00c1frica\u00bb. \u00abN\u00f3s\u00bb (real e n\u00e3o virtual) humanidade inteira nascemos \u201cl\u00e1\u201d e de \u201cl\u00e1\u201d n\u00e3o podemos morrer mas reviver. Cada desgra\u00e7a televisa apaga a mem\u00f3ria da desgra\u00e7a anterior!? Porque temos um Mundo fechado e autossuficiente, uma Globaliza\u00e7\u00e3o insolid\u00e1ria, \u00e9 assim que todos continuaremos a pagar \u2013 uns (quase sempre) mais que outros \u2013 com o pre\u00e7o da \u00abpr\u00f3pria\u00bb Vida: a do Outro Algures!? Di\u00e1logo com obras: n\u00e3o dizer mas fazer!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abAmenidade: \u00abSomos sedentos de \u00abamenidade\u00bb. (Cfr. 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