{"id":25473,"date":"2014-11-27T15:17:42","date_gmt":"2014-11-27T15:17:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25473"},"modified":"2014-11-27T15:17:42","modified_gmt":"2014-11-27T15:17:42","slug":"deixar-o-acessorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/deixar-o-acessorio\/","title":{"rendered":"Deixar o acess\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25389\" aria-describedby=\"caption-attachment-25389\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/luis-sancho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25389 size-full\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/luis-sancho.jpg\" alt=\"LU\u00cdS SANCHO Professor do Ensino Superior\" width=\"234\" height=\"264\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25389\" class=\"wp-caption-text\">LU\u00cdS SANCHO<br \/> Professor do Ensino Superior<\/figcaption><\/figure>\n<p>Considerando que a tarde come\u00e7a ao meio-dia, o in\u00edcio da mesma era habitualmente passada a caminhar. Mesmo que interrompida por uma pausa para um almo\u00e7o (ligeiro, se seguido de mais percurso) e um pouco de repouso (ligeiro tamb\u00e9m, se seguido do mesmo programa\u2026), \u00aba tarde\u00bb na peregrina\u00e7\u00e3o era contada a partir da chegada ao albergue.<br \/>\nTalvez o pior fosse a necessidade de tratar das ablu\u00e7\u00f5es antes do descanso. Um restaurador chuveiro, lavar a roupa e p\u00f4-la a secar e, finalmente, aquilo que devia ser o in\u00edcio real da tarde de qualquer pessoa \u2013 a sesta! Os ritmos circadianos normais do ser humano incluem esta pausa a meio do dia e os estudos cient\u00edficos t\u00eam sublinhado n\u00e3o s\u00f3 a sua relev\u00e2ncia como tamb\u00e9m o seu efeito potenciador da efic\u00e1cia no trabalho e n\u00e3o s\u00f3.<br \/>\nEra um h\u00e1bito enraizado nos pa\u00edses das nossas latitudes n\u00e3o h\u00e1 muito tempo. Recordo-me que os meus dois av\u00f4s faziam a sesta antes de regressarem \u00e0s suas respetivas atividades profissionais e as minhas av\u00f3s procediam da mesma forma antes de retornarem \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o de gest\u00e3o do agregado familiar. No espa\u00e7o de duas gera\u00e7\u00f5es, esse bom h\u00e1bito foi praticamente suprimido ou remetido a algo que se faz nas f\u00e9rias, o que n\u00e3o deixa de ser ir\u00f3nico.<br \/>\nComo fomos completamente tomados por uma vis\u00e3o marxista da vida \u2013 em que a pessoa s\u00f3 tem valor enquanto produtor ou consumidor! \u2013 algo t\u00e3o ben\u00e9fico e natural como a sesta foi empurrado para fora das nossas vidas quotidianas e s\u00f3 agora come\u00e7a a regressar. Mesmo esse regresso ocorre, n\u00e3o pelas raz\u00f5es corretas, mas antes porque esse h\u00e1bito parece ter vantagens de produtividade! Mais uma vez, equaciona-se valor com pre\u00e7o!<br \/>\nQuantas vezes na nossa vida aceitamos que nos condicionem, desta ou doutra forma? N\u00e3o penso esgotar os exemplos, pois certamente os am\u00e1veis leitores conseguir\u00e3o pensar em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, eventos ou h\u00e1bitos que foram sendo perdidos \u2013 ou adquiridos \u2013 n\u00e3o pelo seu valor intr\u00ednseco mas pelo pre\u00e7o que tem para n\u00f3s e para outros? Bastar\u00e1 olhar \u00e0 volta no centro dos nossos ajuntamentos populacionais para ver \u2013 ainda em in\u00edcio ou meados de NOVEMBRO! \u2013 tantas decora\u00e7\u00f5es de Natal, quando nem sequer ao Advento chegamos. Um p\u00e9ssimo h\u00e1bito, que vulgariza o Natal e reduz o valor (embora aumente o pre\u00e7o) dessa festa crist\u00e3, a que at\u00e9 os crist\u00e3os se rendem. Outro excelente exemplo de relev\u00e2ncia por impacto econ\u00f3mico, mas agora no sentido inverso (n\u00e3o existia mas \u00e9 ativamente incentivado por raz\u00f5es comerciais) \u00e9 a \u2013 perdoem-me a candura \u2013 estupidez do (alegado) \u00abdia das bruxas\u00bb ou, no original anglo-sax\u00f3nico, halloween. Que as crian\u00e7as queiram fazer diabruras \u00e9 apenas natural, benza-as Deus. O que n\u00e3o considero natural \u00e9 que os encarregados da educa\u00e7\u00e3o das mesmas (e somos todos n\u00f3s, pois subscrevo a perspetiva que todos somos educadores com o nosso exemplo, em todas as circunst\u00e2ncias, mas mais aqueles que tem as obriga\u00e7\u00f5es parentais e familiares) sejam coniventes com esta importa\u00e7\u00e3o desprovida de sentido e, pior, n\u00e3o consigam perceber o qu\u00e3o instrumentalizados est\u00e3o a ser, n\u00e3o tanto pelos seus educandos (embora as crian\u00e7as sejam ex\u00edmias nesse papel), mas pelo com\u00e9rcio que, n\u00e3o contente em vender velas e flores para os cemit\u00e9rios, se entret\u00e9m agora a escoar m\u00e1scaras de \u201ccarnaval fora de \u00e9poca\u201d, entre outros itens. E a bem da brevidade, deixai-me ficar por aqui!<br \/>\nUma das grandes vantagens de peregrinar \u00e9 \u2013 j\u00e1 o referi \u2013 soltarmo-nos do acess\u00f3rio. Se quisermos ser economicistas, \u00e9 o repensar da rela\u00e7\u00e3o entre o benef\u00edcio que obtemos de algo e o custo de o transportar. Convido os queridos leitores a refletirem sobre os seus h\u00e1bitos e a fazerem essa an\u00e1lise. Quantas coisas boas deixamos para tr\u00e1s e quantas coisas desnecess\u00e1rias trazemos, \u00e0s vezes at\u00e9 porque nem damos conta que as nos meteram na mochila? Claro que este convite \u00e9 feito para que esse exerc\u00edcio seja levado a cabo n\u00e3o com uma vis\u00e3o dial\u00e9tica focada no valor e no pre\u00e7o, mas antes com \u00e0 luz da vis\u00e3o da Igreja sobre o ser humano, que \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus, em toda a plenitude das nossas vidas. Ou seja, com humildade, consideremos que tudo aquilo que nos aproxima de Deus \u00e9 bom, pois Deus quer o nosso bem, parafraseando o Ap\u00f3stolo dos Gentios na sua carta a Tim\u00f3teo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerando que a tarde come\u00e7a ao meio-dia, o in\u00edcio da mesma era habitualmente passada a caminhar. Mesmo que interrompida por uma pausa para um almo\u00e7o (ligeiro, se seguido de mais percurso) e um pouco de repouso (ligeiro tamb\u00e9m, se seguido do mesmo programa\u2026), \u00aba tarde\u00bb na peregrina\u00e7\u00e3o era contada a partir da chegada ao albergue. 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