{"id":25475,"date":"2014-11-27T15:22:18","date_gmt":"2014-11-27T15:22:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25475"},"modified":"2014-11-27T15:22:18","modified_gmt":"2014-11-27T15:22:18","slug":"aquela-gente-nao-merece-este-bispo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aquela-gente-nao-merece-este-bispo\/","title":{"rendered":"Aquela gente n\u00e3o merece este Bispo"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25476\" aria-describedby=\"caption-attachment-25476\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/domingos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25476\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/domingos.jpg\" alt=\"DOMINGOS CERQUEIRA\" width=\"235\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/domingos.jpg 235w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/domingos-233x300.jpg 233w\" sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25476\" class=\"wp-caption-text\">DOMINGOS CERQUEIRA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em fevereiro passado, quando da sa\u00edda de D. Ant\u00f3nio Francisco para o Porto, prometi que quando fosse poss\u00edvel o iria visitar \u00e0 sua nova Diocese, e prometi que se me fosse poss\u00edvel levaria comigo esta fant\u00e1stica aragem de Aveiro a cheirar a maresia.<br \/>\nUsando na altura o \u201csanto praguedo\u201d da gente de Aveiro, dizia que estava muito chateado com a sua sa\u00edda da nossa Diocese. Mas como tenho o Porto como a minha segunda cidade, e como vejo os portuenses como se fossem de Aveiro, n\u00e3o tinha, e continuo a n\u00e3o ter, a menor das d\u00favidas de que ele iria ser recebido nesta cidade com a mesma abertura, e com a mesma simpatia, e com a mesma esperan\u00e7a crist\u00e3 como havia sido recebido na minha terra.<br \/>\nO que nos \u00faltimos dias se tem passado na par\u00f3quia de Canelas da Diocese do Porto, n\u00e3o tem nada a ver com as pessoas da regi\u00e3o do Porto.<br \/>\nO que a televis\u00e3o trouxe a minha casa, foram imagens de \u00f3dio, de intoler\u00e2ncia, de frases cheias de maldade, de ataques soezes ao Bispo e aos Padres de que n\u00e3o gostam. Mas o pior e o mais grave \u00e9 que assisti, e toda a gente p\u00f4de ver na televis\u00e3o, o desprezo absoluto que aquela gente mostrava por Cristo e pela sua \u2013 e nossa \u2013 Igreja. Porque o celebrante n\u00e3o era o seu padre, recusaram-se a entrar na Igreja, provocando um sururu ensurdecedor no exterior, como se celebrassem a sua missinha l\u00e1 fora. Nem repararam que quem estava dentro da Igreja era Cristo, de bra\u00e7os abertos \u00e0 espera que todos entrassem na sua Igreja. Naquela multid\u00e3o, pelo que nos disseram, estavam catequistas, escuteiros, e tantas outras pessoas ligadas \u00e0 par\u00f3quia. Ou t\u00eam andado distra\u00eddos na sua pr\u00e1tica religiosa, ou pela sua intoler\u00e2ncia, ia a dizer at\u00e9 pelo seu \u00f3dio, nem tiveram a consci\u00eancia de que estavam a virar as costas a Cristo, que estava dentro da Igreja \u00e0 sua espera.<br \/>\nPelo que me chegou atrav\u00e9s dos relatos dos jornais, tenho de chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que ainda h\u00e1 muita gente que est\u00e1 na Igreja por causa de causas menores, como no caso presente pela simpatia para com certo padre, e n\u00e3o por causa de Cristo.<br \/>\nApetece-me perguntar: que raio andou a fazer o ex-p\u00e1roco de Canelas naquela par\u00f3quia, que andou ele a pregar por aquelas terras durante oito anos, que bastou o seu afastamento, para que as pessoas mostrem tanta fragilidade na sua ades\u00e3o \u00e0 Igreja? As pessoas n\u00e3o est\u00e3o na Igreja por causa de Cristo, mas est\u00e3o pela sua ades\u00e3o a um padre Roberto qualquer?<br \/>\nQuando em Fevereiro passado manifestei o meu desgosto pela sa\u00edda para o Porto de D. Ant\u00f3nio Francisco, escrevi: \u201cE o facto de me manifestar neste momento, muito \u201cchateado\u201d, pode ser motivo de esc\u00e2ndalo para alguns. Desculpem-me por isso. A Igreja tem-me ensinado que s\u00f3 por ser Crist\u00e3o, tenho a obriga\u00e7\u00e3o de lutar pela justi\u00e7o, pela verdade e pela dignidade. N\u00e3o me custa reconhecer que a hist\u00f3ria da Igreja est\u00e1 cheia de a\u00e7\u00f5es perfeitamente conden\u00e1veis, ou reprov\u00e1veis, dos pr\u00f3prios crist\u00e3os. E por vezes h\u00e1 erros, que n\u00e3o sendo conden\u00e1veis ou reprov\u00e1veis, n\u00e3o deixam de ser erros. Erros que eu suporto como elemento desta Igreja. E se algum elemento desta Igreja comete uma \u201cargolada\u201d, essa \u201cargolada\u201d tamb\u00e9m me atinge a mim.\u201d<br \/>\nSinto-me profundamente atingido pelo espet\u00e1culo degradante que os crist\u00e3os da par\u00f3quia de Canelas, do Porto, ofereceram a todo o Pa\u00eds.<br \/>\nE at\u00e9 me apetece tornar p\u00fablico um facto que um dia se passou na minha vida de militante crist\u00e3o: Tive um dia um grave desaguisado com um alto respons\u00e1vel da Igreja da minha Diocese. E eu lembro-me de ter dito, no calor da refrega, mais ou menos isto: \u201cPode V. Excel\u00eancia cometer comigo todas as injusti\u00e7as, que nada me levar\u00e1 a afastar da Igreja. \u00c9 que meu patr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o senhor. O meu patr\u00e3o \u00e9 Cristo, e \u00e9 por causa dele que eu continuo a andar por aqui\u201d. J\u00e1 me penitenciei pelo calor que na altura pus nesta discuss\u00e3o.<br \/>\nE lembrei-me agora deste facto, porque me parece que para aqueles manifestantes de Canelas, o patr\u00e3o religioso n\u00e3o \u00e9 Cristo, mas um qualquer padre Roberto.<br \/>\nTodos estes acontecimentos t\u00eam provocado em mim uma grande tristeza: n\u00e3o apenas por se passarem na minha Igreja; n\u00e3o apenas por se passarem com meus irm\u00e3os em Cristo; mas tamb\u00e9m, e principalmente, porque aquelas pessoas escolheram para v\u00edtima um grande Bispo. Aquelas pessoas ainda n\u00e3o tiveram tempo para conhecer o grande Bispo que Deus lhes deu. N\u00e3o tenho d\u00favida alguma, que todos aqueles manifestantes, quando reconhecerem o enorme sofrimento que por certo est\u00e3o, neste momento, a provocar em D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, ser\u00e3o os primeiros a penitenciarem-se.<br \/>\nNas palavras que escrevi em Fevereiro, dizia: \u201c\u00c9 certo que o barco vai ser outro. Eu por mim continuo a preferir a leveza e a eleg\u00e2ncia do moliceiro, se comparado ao rabelo. Mas rezo a Deus para que os remos n\u00e3o sejam mais pesados, e que os colaboradores que vai encontrar sejam igualmente dedicados e ao seu lado em todas as circunst\u00e2ncias. Que Cristo estar\u00e1 ao leme desta sua nova barca, disso n\u00e3o tenho a m\u00ednima d\u00favida.\u201d<br \/>\nDizia na altura, e repito hoje: \u201cEstou certo que por aqui ficar\u00e3o, nesta retaguarda da ria, um grande ex\u00e9rcito de volunt\u00e1rios a torcerem, a rezarem, para que tamb\u00e9m nessa terra do Porto, se sinta em casa. Deus que lhe pediu este sacrif\u00edcio, estou certo de que estar\u00e1 sempre ao seu lado\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em fevereiro passado, quando da sa\u00edda de D. 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