{"id":255,"date":"2010-01-08T11:21:00","date_gmt":"2010-01-08T11:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=255"},"modified":"2010-01-08T11:21:00","modified_gmt":"2010-01-08T11:21:00","slug":"futuro-sem-projecto-ou-projecto-sem-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/futuro-sem-projecto-ou-projecto-sem-futuro\/","title":{"rendered":"Futuro sem projecto ou projecto sem futuro?"},"content":{"rendered":"<p>O futuro ou \u00e9 um projecto que se constr\u00f3i tendo em conta o passado e a reflex\u00e3o no presente sobre o que nos foi transmitido e a realidade que se vive, ou ent\u00e3o \u00e9 um vazio e apenas se traduzir\u00e1 uma sucess\u00e3o de acontecimentos, imediatos e sem nexo.<\/p>\n<p>Quando se diz \u201cano novo, vida nova\u201d, n\u00e3o estamos a auspiciar um resultado autom\u00e1tico. A vida nova \u00e9 constru\u00edda por n\u00f3s com atitudes e gestos que exprimem vida. <\/p>\n<p>O confronto s\u00e9rio entre o j\u00e1 vivido e o que se deseja viver \u00e9 fundamental para projectar o futuro, com crit\u00e9rios v\u00e1lidos, tanto para as pessoas, como para as institui\u00e7\u00f5es. A menos que se pense que tudo esteve e continua bem e n\u00e3o vale a pena mudar nada, nem sonhar nada diferente. De uma atitude de morte n\u00e3o se pode esperar vida. Cada um sabe de onde parte e o que \u00e9 que anima os seus votos e desejos de futuro. <\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, um espa\u00e7o comum de que todos podemos falar, com os elementos p\u00fablicos de que dispomos e a seriedade que o tema comporta. Falo do futuro do pa\u00eds que somos.<\/p>\n<p>O passado recente traz at\u00e9 n\u00f3s a percep\u00e7\u00e3o de que ele n\u00e3o constituiu, a seu tempo, um futuro programado. A n\u00e3o ser que a programa\u00e7\u00e3o tenha sido inspirada numa cultura \u00e0 revelia da vida e da realidade, s\u00f3 ao gosto de alguns, para os quais o bem comum e as suas indeclin\u00e1veis exig\u00eancias nada dizem.<\/p>\n<p>O passado recente deu ao pa\u00eds um presente sem solu\u00e7\u00e3o para o aborto, mesmo o clandestino; uma escandalosa facilidade de div\u00f3rcio, nunca vista nem imaginada; um menosprezo pela institui\u00e7\u00e3o familiar, com consequ\u00eancias dolorosas que se multiplicam em espiral incontrol\u00e1vel; muitas escolas com professores agastados, alunos desinteressados, pais preocupados; o emprego, um bem cada vez mais ef\u00e9mero quando ainda se tem e mais dif\u00edcil de se conseguir, quando se perde ou se procura pela primeira vez; uma pobreza sem cami-nhos de solu\u00e7\u00e3o ou de diminui\u00e7\u00e3o; uma inseguran\u00e7a pessoal, nalguns s\u00edtios em cada esquina, e de bens a ponto de nada estar seguro; uma falta de respeito pelos outros, gesto que se vai tornando raro, a ponto de muitos j\u00e1 nem saberem o que isso \u00e9; uns meios de comunica\u00e7\u00e3o social a deformar novos e velhos pelo ideal de vida das telenovelas em s\u00e9rie; uma vida cada vez mais dif\u00edcil para fam\u00edlias sem grandes recursos, para pobres sem sorte, para os idosos que os filhos abandonam, para doentes que esperam em v\u00e3o; uma corrup\u00e7\u00e3o sem san\u00e7\u00f5es e um proteccionismo descarado.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e3o os governos os culpados de tantas desgra\u00e7as, se vemos que hoje e pela ac\u00e7\u00e3o dos mesmos se vive melhor do que h\u00e1 quarenta anos e com mais oportunidades? <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m ter\u00e1 bom futuro se n\u00e3o colaborar na constru\u00e7\u00e3o do mesmo ou se apenas pensar no seu pr\u00f3prio bem, esquecendo que onde muitos se omitem, todos ficam prejudicados.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os governantes t\u00eam uma parte de que ningu\u00e9m os pode dispensar: ver o bem comum, como bem ao alcance de todos e o \u00fanico projecto que avaliza o governo; n\u00e3o p\u00f4r os interesses partid\u00e1rios acima dos nacionais, pois o programa partid\u00e1rio \u00e9 esquecido ou alterado, segundo os seus interesses; respeitar nas decis\u00f5es as prioridades justificadas e exigidas, com maior aten\u00e7\u00e3o em tempos de crise social; ter em aten\u00e7\u00e3o os direitos fundamentais, como exig\u00eancia indiscut\u00edvel da democracia que, apesar das suas limita\u00e7\u00f5es \u00e9 a que temos, enquanto n\u00e3o houver coragem para corrigir os seus defeitos mais graves; atender \u00e0s minorias, sem se desprezarem as maiorias\u2026<\/p>\n<p>Sabendo que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil governar, temos, por vezes, a sensa\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds vai \u201csem rei nem roque\u201d, de tal maneira o pragmatismo e imediatismo imperam e as opini\u00f5es de passagem abafam as raz\u00f5es permanentes. <\/p>\n<p>Um projecto sem futuro nasce sempre de um futuro sem projecto. O tempo passa, queiramos ou n\u00e3o, e \u00e9 na sabedoria do presente que se pensa e se programa o futuro. <\/p>\n<p>Se governar n\u00e3o \u00e9 isto, ent\u00e3o a vida pessoal, familiar e nacional \u00e9 um cont\u00ednuo pesadelo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futuro ou \u00e9 um projecto que se constr\u00f3i tendo em conta o passado e a reflex\u00e3o no presente sobre o que nos foi transmitido e a realidade que se vive, ou ent\u00e3o \u00e9 um vazio e apenas se traduzir\u00e1 uma sucess\u00e3o de acontecimentos, imediatos e sem nexo. 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