{"id":25500,"date":"2014-12-04T16:00:53","date_gmt":"2014-12-04T16:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25500"},"modified":"2014-12-04T16:00:53","modified_gmt":"2014-12-04T16:00:53","slug":"o-meu-amigo-girao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-meu-amigo-girao\/","title":{"rendered":"O meu amigo Gir\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24564\" aria-describedby=\"caption-attachment-24564\" style=\"width: 239px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Gaspar-albino1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24564 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Gaspar-albino1-239x300.jpg\" alt=\"GASPAR ALBINO Artista pl\u00e1stico\" width=\"239\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Gaspar-albino1-239x300.jpg 239w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Gaspar-albino1.jpg 267w\" sizes=\"auto, (max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24564\" class=\"wp-caption-text\">GASPAR ALBINO<br \/> Artista pl\u00e1stico<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os ares ainda andavam revoltos por conta dos efl\u00favios do 25 de Abril de 1974. Mas as previs\u00f5es do tempo j\u00e1 apontavam para a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas. As perspectivas de normalidade democr\u00e1tica iam-se definindo e, no horizonte, j\u00e1 se vislumbravam poentes de acalmia.<br \/>\nPor essas alturas eu tinha uma vida profissional muito activa ligada ao sector da pesca industrial, com desloca\u00e7\u00f5es constantes ao estrangeiro por conta do desempenho de fun\u00e7\u00f5es associativas para que tinha sido eleito.<br \/>\nCerto dia, \u00e0 hora do almo\u00e7o, vinha eu de carro a passar em frente da cadeia, paredes meias com o bairro da Gulbenkian, quando vislumbro de supet\u00e3o o meu amigo Gir\u00e3o Pereira a fazer-me sinal para parar. Ele morava, ent\u00e3o, ali mesmo no bairro. Sa\u00ed do carro para o saudar, para saber como ia a fam\u00edlia, enfim, para fazer o que \u00e9 habitual entre amigos que a vida levou a seguir caminhos diferentes. Que estava tudo bem, me disse ele. E foi acrescentando que a raz\u00e3o do seu pedido para eu parar era um desabafo, mais pedido de opini\u00e3o que outra coisa qualquer. Que tinha sido abordado pelo Dr. M\u00e1rio Gaioso para encabe\u00e7ar uma lista do CDS candidata \u00e0 C\u00e2mara de Aveiro nas elei\u00e7\u00f5es que se avizinhavam e ainda n\u00e3o se tinha decidido quanto \u00e0 resposta urgente que ficara de dar.<br \/>\nEu conhecia o Gir\u00e3o desde os seus tempos de professor prim\u00e1rio na Costa Nova. \u00c9ramos os dois estudantes volunt\u00e1rios na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e a\u00ed come\u00e7ara a argamassa da nossa amizade. Troca de ideias sobre as cadeiras que \u00edamos estudando conforme os nossos trabalhos permitiam levava-nos a encontros de relativa frequ\u00eancia. As dificuldades sentidas pelo voluntariado nos estudos transvasavam para os problemas das nossas vidas profissionais e tal favorecia uma certa cumplicidade nos nossos desabafos.<br \/>\nO pedido de opini\u00e3o que me pedia quanto \u00e0 sua candidatura \u00e0 nossa C\u00e2mara era mais uma prova disso mesmo.<br \/>\nLembro-me como se hoje fora a resposta que lhe dei de pronto:<br \/>\n\u201cTu n\u00e3o \u00e9s de Aveiro. Portanto n\u00e3o ir\u00e1s sofrer de nenhuma atitude mesquinha que te possa atacar. \u00c9s um jovem impoluto, que se fez a si mesmo, trabalhador. Desempenhas uma fun\u00e7\u00e3o de Delegado do Minist\u00e9rio P\u00fablico na Magistratura do Trabalho que te garante uma isen\u00e7\u00e3o plena. N\u00e3o est\u00e1s ligado a nenhum grupo econ\u00f3mico. Quanto a mim deves avan\u00e7ar, pois o povo de Aveiro admira pessoas como tu. Ali\u00e1s, n\u00e3o tens nada a perder.\u201d<br \/>\nE o Gir\u00e3o avan\u00e7ou e ganhou a C\u00e2mara. Fiquei feliz por ele, pela Silvandira, sua esposa e tamb\u00e9m professora prim\u00e1ria, colega da minha saudosa Claudette, minha mulher.<br \/>\nE o Gir\u00e3o fez sucessivos mandatos que transformaram a minha cidade. Sempre com um enorme sentido de equil\u00edbrio financeiro, por certo herdado de seus pais, pequenos propriet\u00e1rios agr\u00edcolas de Cambra, habituado desde mi\u00fado a saber quanto custa a vida.<br \/>\nA sua passada para o progresso de Aveiro nunca foi maior do que a sua perna. Ele sempre soube medir as dificuldades, ponder\u00e1-las, por certo com muitas noites n\u00e3o dormidas para que Aveiro se fosse transformando harmoniosamente.<br \/>\nTanto quanto sei, e eu sou um aveirense interessado nas coisas da minha terra, os r\u00e1cios de solvavibilidade financeira que ele deixou no Munic\u00edpio quando foi para Bruxelas para desempenhar fun\u00e7\u00f5es de euro-deputado nunca foram objecto de qualquer aprecia\u00e7\u00e3o negativa. Bem pelo contr\u00e1rio.<br \/>\nA Hist\u00f3ria fala por si.<br \/>\nA mim s\u00f3 me resta dizer: \u201cObrigado Gir\u00e3o pelo que fizeste por Aveiro.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ares ainda andavam revoltos por conta dos efl\u00favios do 25 de Abril de 1974. Mas as previs\u00f5es do tempo j\u00e1 apontavam para a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas. As perspectivas de normalidade democr\u00e1tica iam-se definindo e, no horizonte, j\u00e1 se vislumbravam poentes de acalmia. 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