{"id":25522,"date":"2014-12-04T16:35:03","date_gmt":"2014-12-04T16:35:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25522"},"modified":"2015-03-16T10:00:51","modified_gmt":"2015-03-16T10:00:51","slug":"rezar-para-nao-partir-os-dentes-ao-outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/rezar-para-nao-partir-os-dentes-ao-outro\/","title":{"rendered":"Rezar para n\u00e3o partir os dentes ao outro"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25733\" aria-describedby=\"caption-attachment-25733\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/couto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25733\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/couto.jpg\" alt=\"D. Ant\u00f3nio Couto real\u00e7ou que os salmos cont\u00eam lamentos &quot;muito humanos&quot;\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/couto.jpg 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/couto-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25733\" class=\"wp-caption-text\">D. Ant\u00f3nio Couto real\u00e7ou que os salmos cont\u00eam lamentos &#8220;muito humanos&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>D. Ant\u00f3nio Couto explicou como os sentimentos humanos est\u00e3o presentes nos salmos, mesmo os maus. E como isso pode ter aspetos positivos.<\/strong><br \/>\nNa noite de 25 de novembro, o CUFC (Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura) prop\u00f4s e organizou uma atividade, quer para a comunidade acad\u00e9mica quer para a comunidade de Aveiro, sobre a linguagem dos salmos, tendo como principal objetivo perceber como \u00e9 que um Deus de amor pode incorporar \u00f3dio (sim, porque h\u00e1 salmos que falam sobre a revolta que muitas vezes preenchem o nosso dia). Para a explica\u00e7\u00e3o desta linguagem, esteve presente o senhor bispo de Lamego, D. Ant\u00f3nio Couto. O audit\u00f3rio do CUFC esteve praticamente cheio. Uma das muitas pessoas que estavam presentes era o nosso bispo, D. Ant\u00f3nio Moiteiro.<br \/>\nMas afinal, o que \u00e9 um salmo? \u00c9 uma ora\u00e7\u00e3o cantada, que deve ser acompanhada com m\u00fasica. Nos tempos b\u00edblicos, os salmos eram acompanhados por salt\u00e9rios (instrumentos de cordas). Um salmo \u00e9 tamb\u00e9m um texto l\u00edrico que invoca sentimentos humanos (que nos habitam) e sentimentos inumanos, que nos podem levar a matar.<br \/>\nCom a exposi\u00e7\u00e3o de alguns salmos, fomos observando que os mesmos servem para expormos a Deus a brutalidade de que estamos cercados e assim, dizendo a Deus o que nos revolta, j\u00e1 n\u00e3o teremos coragem de cometer\/fazer nenhuma loucura que nos possa prejudicar a n\u00f3s ou ao pr\u00f3ximo. Os salmos e a B\u00edblia em geral referem coisas boas, mas tamb\u00e9m referem coisas m\u00e1s, como por exemplo que Caim matou Abel ou ent\u00e3o uma prece a Deus para partir os dentes da boca a quem nos magoou, como refere um salmo. Aqui, podemos observar que a B\u00edblia acolhe os nossos gritos de raiva e os apelos constantes de vingan\u00e7a. Estes sentimentos n\u00e3o s\u00e3o indignos nem ao Homem nem a Deus. Estes sentimentos apontam o caminho da palavra dita a Deus: a ora\u00e7\u00e3o. Assim, a B\u00edblia ensina-nos o que devemos dizer a Deus: tudo o que nos alegra, preocupa ou revolta. N\u00e3o nos manda fazer o mal aos outros, mas dizer a Deus com toda a nossa energia o mal que queremos fazer ao pr\u00f3ximo. Se Caim tivesse dito que ia matar seu irm\u00e3o Abel a Deus, talvez n\u00e3o o tivesse feito. Assim, quando na minha raiva digo a Deus: \u201c\u00d3 Deus, quebra-lhes os dentes na sua boca\u201d (Sl 58), \u00e9 certo que j\u00e1 n\u00e3o vou ter coragem de \u201cpartir\u201d os dentes de quem por algum motivo sinto\/senti raiva.<br \/>\nD. Ant\u00f3nio Couto transmitiu-nos assim a import\u00e2ncia que os salmos t\u00eam em ser rezados\/expostos diante de Deus. Transmitiu-nos tamb\u00e9m que ao \u201cderramarmos\u201d diante de Deus os nossos lamentos e ang\u00fastias estamos a limpar a nossa casa, o nosso interior. Assim, uma forma de nos \u201climparmos\u201d \u00e9 atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, do ato de rezar. Rezar, real\u00e7ou D. Ant\u00f3nio Couto, d\u00e1 for\u00e7a, energia, alegria e leva-nos a entregar a nossa vida a Deus. O pr\u00f3prio Jesus sabia os salmos de cor e rezava-os como qualquer outro judeu. Jesus na cruz rezou um salmo que diz: \u201cMeu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?\u201d (Sl 22). E terminou o mesmo com: \u201cEsta \u00e9 a obra do Senhor\u201d, a cruz.<br \/>\nConclu\u00edmos assim que, muitas vezes, desejar o mal ao pr\u00f3ximo \u00e9 comum a qualquer ser Humano, s\u00f3 que antes de passarmos \u00e0 a\u00e7\u00e3o devemos de expor o nosso \u201cquerer os dentes do outro partidos\u201d a Deus. Devemos dizer -lhe o que queremos fazer antes de agirmos. Por\u00e9m, com a exposi\u00e7\u00e3o da nossa revolta, Deus pode n\u00e3o nos vir socorrer na hora em que queremos, mas ajuda-nos a ultrapassar a revolta e a serenar. Em vez de recalcarmos as ang\u00fastias, libertamo-nos delas. Por isso, devemos acreditar e rezar com toda a energia, amor e intensidade, pois Deus est\u00e1 sempre connosco e n\u00e3o desiste de n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Nat\u00e1lia Faria<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Couto explicou como os sentimentos humanos est\u00e3o presentes nos salmos, mesmo os maus. E como isso pode ter aspetos positivos. 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