{"id":25529,"date":"2014-12-11T17:13:36","date_gmt":"2014-12-11T17:13:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25529"},"modified":"2014-12-11T17:13:36","modified_gmt":"2014-12-11T17:13:36","slug":"o-serao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-serao\/","title":{"rendered":"O ser\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25530\" aria-describedby=\"caption-attachment-25530\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/luis-sancho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25530 size-full\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/luis-sancho.jpg\" alt=\"LU\u00cdS SANCHO Professor do Ensino Superior\" width=\"234\" height=\"264\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25530\" class=\"wp-caption-text\">LU\u00cdS SANCHO<br \/> Professor do Ensino Superior<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com o calor de agosto, especialmente duro nas regi\u00f5es de clima continental, \u00e9 f\u00e1cil perceber a letargia que toma conta do meio da tarde e o reavivar da az\u00e1fama que acompanha o declinar do sol. Correndo o risco de ser injusto, a impress\u00e3o que dava era mesmo a de que, depois de passarem o dia a dormir, os espanh\u00f3is s\u00f3 sa\u00edam de casa \u00e0quela hora.<\/p>\n<p>Para os peregrinos, o ser\u00e3o era semelhante. Ap\u00f3s a caminhada, as ablu\u00e7\u00f5es, o repouso e o calor do dia, era hora, \u00e0 semelhan\u00e7a dos espanh\u00f3is, de sair \u00e0 rua. Percorriam-se as povoa\u00e7\u00f5es, maiores ou menores, com a curiosidade de conhecer mais, apreciar o belo \u2013 e tamb\u00e9m o horr\u00edvel, por vezes \u2013 perceber a import\u00e2ncia do Caminho para aquele s\u00edtio e a daquele s\u00edtio para o Caminho (e sobre isto escreverei posteriormente aos incans\u00e1veis leitores).<br \/>\nOutra dimens\u00e3o importante do ser\u00e3o do peregrino era o conv\u00edvio. Penso j\u00e1 ter referido a fraternidade que se estabelece entre os peregrinos a s\u00e9rio, mesmo quando n\u00e3o passa da sua fase silenciosa. S\u00f3 assim se percebe a alegria que nos enche quando v\u00edamos a chegar aqueles que t\u00ednhamos visto em albergue anterior, que t\u00ednhamos saudado no percurso ou que t\u00ednhamos simplesmente visto de passagem.<br \/>\nComo era belo este reencontro, com amigos, conhecidos ou simples companheiros de percurso ou albergue! Quantas vezes, j\u00e1 depois do regresso, pensei que alegria maravilhosa era esta e porque n\u00e3o a sinto mais vezes? Que havia de diferente naquela gente que n\u00e3o h\u00e1 na do quotidiano?!? Mais uma vez, se calhar a falha n\u00e3o \u00e9 tanto no que os olhos veem, mas antes nos olhos que veem\u2026<br \/>\nMas escrevia-vos sobre o ser\u00e3o! Valha-me a compreens\u00e3o dos nossos empenhados leitores. O ser\u00e3o \u00e9, classicamente, uma parte agrad\u00e1vel do dia. Findos os trabalhos do dia, as pessoas encerram o seu dia com o regresso a casa, a prepara\u00e7\u00e3o do jantar e o per\u00edodo que se lhe segue. Hoje em dia, esse espa\u00e7o \u00e9, arriscaria dizer, principalmente preenchido com ajuda da televis\u00e3o, para mal dos espetadores. Felizmente, ainda h\u00e1 quem o utilize para outras atividades.<br \/>\nNo Caminho, propiciava-se muito o regresso a essas atividades. Por exemplo, n\u00e3o esquecerei ter cantado com outros peregrinos e gentes da terra can\u00e7\u00f5es espanholas, portuguesas, francesas e sabe-se l\u00e1 mais o qu\u00ea, no albergue de Najera, o provar comidas diferentes ao jantar ou \u00e0 ceia, as b\u00ean\u00e7\u00e3os dos peregrinos, o desfrute da festa local, as ora\u00e7\u00f5es, as in\u00fameras conversas que tive, muitas das quais interessantes, sobre o Caminho, o que nos levava ali e n\u00e3o s\u00f3\u2026<br \/>\nE n\u00f3s? Sabemos n\u00f3s aproveitar o ser\u00e3o que Deus nos d\u00e1 para algo que nos edifique? Aproveitamos as pessoas que Ele nos coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para crescermos na Sua gra\u00e7a? Usamos o tempo, t\u00e3o finito e fugaz, ou limitamo-nos a v\u00ea-lo passar? Quantas oportunidades de estar com os irm\u00e3os, com a fam\u00edlia, com os amigos deixamos fugir, por raz\u00f5es v\u00e1lidas ou n\u00e3o? Saibamos usar o ser\u00e3o, a v\u00e9spera \u2013 n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que todas as festas lit\u00fargicas come\u00e7am na v\u00e9spera! \u2013 para prepararmos o(s) dia(s) de amanh\u00e3 que Deus nos d\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o calor de agosto, especialmente duro nas regi\u00f5es de clima continental, \u00e9 f\u00e1cil perceber a letargia que toma conta do meio da tarde e o reavivar da az\u00e1fama que acompanha o declinar do sol. 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