{"id":25571,"date":"2015-01-02T16:38:05","date_gmt":"2015-01-02T16:38:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25571"},"modified":"2015-01-02T16:38:05","modified_gmt":"2015-01-02T16:38:05","slug":"libertacao-da-teologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/libertacao-da-teologia\/","title":{"rendered":"Liberta\u00e7\u00e3o da teologia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/livro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-25572 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/livro-198x300.jpg\" alt=\"\" width=\"198\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/livro-198x300.jpg 198w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/livro.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pobre para os pobres.<br \/>\nA miss\u00e3o da Igreja<br \/>\nGerhard M\u00fcller<br \/>\nPaulus<br \/>\n184 p\u00e1ginas<br \/>\n12,90 euros<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Papa Francisco escreveu o Pref\u00e1cio desta obra. Afirma que h\u00e1 muitas formas de pobreza &#8211; f\u00edsica, econ\u00f3mica, espiritual, social, moral \u2013 e que o mundo ocidental valoriza quase somente a aus\u00eancia de poder econ\u00f3mico. Esta pobreza \u201c\u00e9 a que \u00e9 vista com maior horror\u201d. O Papa n\u00e3o discorda. Afirma \u00e9 que o modo de a combater deve ser outro. A solidariedade. \u201cO homem sabe que o que nega aos outros e guarda para si, mais cedo ou mais tarde, volta-se contra si pr\u00f3prio. (\u2026) Pelo contr\u00e1rio, quando os bens de que dispomos n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 utilizados para as nossas necessidades, ao difundir-se eles multiplicam-se e originam com frequ\u00eancia um fruto inesperado\u201d.<br \/>\nPor\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 pobrezas ligadas \u00e0 economia. H\u00e1 uma outra pobreza ligada \u00e0 pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana. \u201cQuando nascemos, para viver precisamos do cuidado dos nossos pais, e assim tamb\u00e9m em cada uma das \u00e9pocas e etapas da vida nunca nenhum de n\u00f3s se conseguir\u00e1 libertar totalmente da necessidade e da ajuda dos outros, nunca ser\u00e1 capaz de erradicar de si pr\u00f3prio o limite da impot\u00eancia perante algu\u00e9m ou alguma coisa\u201d (p\u00e1g. 7). Esta pobreza criatural \u00e9, defende Francisco, uma riqueza. \u201cQuando o homem se concebe assim e \u00e9 educado para viver assim, a origin\u00e1ria pobreza de ser criatura j\u00e1 n\u00e3o se sente como uma defici\u00eancia, mas como um recurso, no qual o que enriquece cada um, e \u00e9 livremente dado, \u00e9 um bem e um dom que depois de torna vantagem para todos\u201d (p\u00e1g. 8).<br \/>\n\u00c9 nesta perspetiva que se deve ler \u201cPobre com os pobres\u201d. Humano com os humanos.<br \/>\nO livro do prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 pretende ajudar a Igreja e os crist\u00e3os a olharem para quem est\u00e1 ao lado, o qual, visto pelo homem ou mulher que olha para Deus e se deixa olhar por Ele, \u201cpassa de estranho a pr\u00f3ximo\u201d. \u00c9 isto teologia da liberta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nGerhard M\u00fcller faz um balan\u00e7o desta corrente da teologia que nasceu na Am\u00e9rica Latina e se propagou pelo mundo. Nota que ela \u201cn\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que nasceu \u00e0 mesa\u201d (p\u00e1g. 37), mas resulta do desenvolvimento da teologia cat\u00f3lica dos s\u00e9culos XX e XXI e reconhece as suas potencialidades para a Igreja que quer evangelizadora<br \/>\nN\u00e3o deixa de ir\u00f3nico que o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 se torne um divulgador da teologia da liberta\u00e7\u00e3o. Joseph Ratzinger, quando ocupava o mesmo cargo, assinou a instru\u00e7\u00e3o \u201cLibertatis conscientia\u201d, que contribuiu para reprimir esta corrente de teologia. O principal entrave estava na tend\u00eancia para \u201cpolitizar a teologia e reduzir a Igreja a uma s\u00e9rie de atividades intramundanas\u201d. Entretanto, o Muro de Berlim caiu e as ideologias marxistas entraram em crise nos anos 1990, o que contribuiu para libertar a teologia da liberta\u00e7\u00e3o. Hoje, a liberta\u00e7\u00e3o prossegue numa linha ratzingeriana. Consiste em desfazer a ideia de que a verdade e a intoler\u00e2ncia est\u00e3o fundidas \u2013 pretens\u00e3o t\u00e3o presente no relativismo e t\u00e3o combatida por Bento XVI (p\u00e1g. 107).<br \/>\nPor outro lado, o Papa que veio do fim do mundo, tendo sido um cr\u00edtico de certa teologia da liberta\u00e7\u00e3o quando estava na Argentina, relan\u00e7a a pobreza como desafio da f\u00e9, como nota Josef Sayer nas \u00faltimas p\u00e1ginas deste livro. O antigo diretor da Misereor (a organiza\u00e7\u00e3o dos bispos cat\u00f3licos alem\u00e3es para o desenvolvimento e coopera\u00e7\u00e3o; ver www.misereor.org) escreve tamb\u00e9m sobre a rela\u00e7\u00e3o de amizade entre o cardeal Gerhard M\u00fcller e o padre Gustavo Guti\u00e9rrez, o te\u00f3logo peruano que \u00e9 considerado o fundador da teologia da liberta\u00e7\u00e3o, e como este levou o ent\u00e3o padre M\u00fcller aos camponeses de Choquencancha e a outras regi\u00f5es remotas dos Andes ou aos bairros pobres de Lima, La Paz e S\u00e3o Paulo.<br \/>\nO volume cont\u00e9m ainda dois textos de Gustavo Guti\u00e9rrez, um sobre a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres no documento de Aparecida (de que Jorge Mario Bergolgio \/ Papa Francisco foi um dos principais redatores) e outro sobre a espiritualidade do Vaticano II. Muitos pontos de interesse num livro em que, por isso mesmo, se desculpa alguma falta de harmonia no desenvolvimento dos temas.<br \/>\n<strong>J.P.F.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/muller.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-25573 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/muller-300x233.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/muller-300x233.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/muller.jpg 440w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>O autor<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gerhard Ludwig M\u00fcller, autor principal de \u201cPobre para os Pobres\u201d, \u00e9 o atual prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, nomeado por Bento XVI e reconduzido por Francisco. Foi ordenado padre na diocese Mainz (onde trabalha o P.e Rui Barnab\u00e9, da Diocese de Aveiro, junto da comunidade portuguesa), em 1978, e nomeado bispo de Regensburg, em 2002. Bento XVI chamou-o para o Vaticano em 2012 e deu-lhe ainda a fun\u00e7\u00e3o de coordenar a publica\u00e7\u00e3o das suas obras completas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pobre para os pobres. A miss\u00e3o da Igreja Gerhard M\u00fcller Paulus 184 p\u00e1ginas 12,90 euros &nbsp; O Papa Francisco escreveu o Pref\u00e1cio desta obra. Afirma que h\u00e1 muitas formas de pobreza &#8211; f\u00edsica, econ\u00f3mica, espiritual, social, moral \u2013 e que o mundo ocidental valoriza quase somente a aus\u00eancia de poder econ\u00f3mico. 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