{"id":25576,"date":"2015-01-02T16:44:42","date_gmt":"2015-01-02T16:44:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25576"},"modified":"2015-01-02T16:44:42","modified_gmt":"2015-01-02T16:44:42","slug":"santa-joana-princesa-a-padroeira-ontem-hoje-e-amanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/santa-joana-princesa-a-padroeira-ontem-hoje-e-amanha\/","title":{"rendered":"Santa Joana Princesa: a Padroeira ontem, hoje e amanh\u00e3"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25577\" aria-describedby=\"caption-attachment-25577\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/nunopaula.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25577\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/nunopaula.jpg\" alt=\"NUNO GON\u00c7ALO DA PAULA Irm\u00e3o de Santa Joana\" width=\"200\" height=\"251\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25577\" class=\"wp-caption-text\">NUNO GON\u00c7ALO DA PAULA<br \/> Irm\u00e3o de Santa Joana<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na feliz comemora\u00e7\u00e3o dos cinquenta anos do breve pontif\u00edcio que declarou Santa Joana Princesa como Padroeira da Cidade e da Diocese de Aveiro, datado de 5 de Janeiro de 1965, sendo papa o beato Paulo VI, e tornado p\u00fablico a 9 de Abril do mesmo ano, ocorreram-me tr\u00eas linhas de pensamento que julguei oportunas partilhar e porventura servirem para pontos de reflex\u00e3o e discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Padroeira ontem: <\/strong><br \/>\n<strong>personalidade \u00edmpar<\/strong><br \/>\nNa \u00e9poca que marca a transi\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria de Portugal da Idade M\u00e9dia para a Idade Moderna, a Infanta Dona Joana \u00e9 unanimemente reconhecida pela cron\u00edstica como uma personalidade de car\u00e1cter vincado e de raras qualidades humanas e espirituais. Certamente que a perda da m\u00e3e em tenra idade, o natural ascendente que exerceria sobre o pr\u00edncipe herdeiro seu irm\u00e3o e os balan\u00e7os pol\u00edticos e palacianos da \u00e9poca, moldaram a sua vida para a doa\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o. N\u00e3o esque\u00e7amos o quadro pol\u00edtico e social em que a Infanta nasceu e cresceu: seu pai ser\u00e1 o \u00faltimo rei de caracter\u00edsticas cruzad\u00edsticas e cavaleirescas, aos quais n\u00e3o eram indiferentes as influ\u00eancias exercidas pela nobreza portuguesa mais poderosa. Por seu lado, seu irm\u00e3o, de forte personalidade e tra\u00e7o pol\u00edtico sagaz (e sanguinolento) e de vis\u00f5es ambiciosas, preferia as alian\u00e7as com os extractos interm\u00e9dios da popula\u00e7\u00e3o, os caminhos do mar e de outros meridianos como alicerces para a sua pol\u00edtica r\u00e9gia. Estas duas vis\u00f5es \u2013 medieval e moderna \u2013 consequentes mas, de certa forma, divergentes, a Infanta anteviu e mediu. No seu \u00edntimo, entendeu que todo o jogo pol\u00edtico era v\u00e3o: a roda da fortuna do mando e dos poderosos a todos contempla, a seu tempo e a seu modo. N\u00e3o fugiu, por\u00e9m, Dona Joana das suas responsabilidades pol\u00edticas: foi regente do reino e j\u00e1 em Aveiro predisp\u00f4s-se a casar, por imperativo dos interesses do reino e de seu irm\u00e3o, seu senhor e rei. Cumpridas com zelo as responsabilidades, assegurada, por certo tempo, a permiss\u00e3o para entrar em religi\u00e3o, a ela se devotou, em estado consent\u00e2neo com o de senhora da sua condi\u00e7\u00e3o. Mas, no seu interior e nas suas atitudes e afazeres, foi uma das demais e humil\u00edssimas novi\u00e7as do Mosteiro do Santo Nome de Jesus de Aveiro, cuja primeira pedra D. Afonso V colocara, como em premoni\u00e7\u00e3o do que a\u00ed deixaria, de mais valioso e de verdadeiramente seu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Padroeira hoje: <\/strong><br \/>\n<strong>exemplo e desafio<\/strong><br \/>\n\u00c9 porventura complexo transferir para o plano dos dias actuais uma figura que partiu deste mundo h\u00e1 mais de 500 anos. Que nos dir\u00e1 uma mulher escrupulosa nos seus deveres religiosos, intransigente em fazer valer a sua decis\u00e3o \u2013 na consci\u00eancia que era cumprir um desejo do Alto e n\u00e3o uma vaidade pessoal \u2013 e de inquebrant\u00e1vel prud\u00eancia e sentido de sofrimento acolhido, porque associado aos sofrimentos de Cristo, cuja coroa de espinhos escolheu, em vez da tiara de ouro e pedrarias? Santa Joana n\u00e3o precisa hoje dos nossos louvores, ou incensos. Somos n\u00f3s que precisamos dos santos. Estes est\u00e3o j\u00e1 na comunh\u00e3o com Deus e de pouco lhes valer\u00e1 o que tenhamos a oferecer-lhe. A sua miss\u00e3o \u00e9 serem sinal e chamada ao Caminho. Pessoalmente, vejo, por vezes, nas nossas mais novas raparigas, pequenas Princezinhas Joanas: tudo querem, tudo t\u00eam, porque a tudo t\u00eam direito, todas as demais t\u00eam. Dona Joana foi princesa, \u00e9 certo, mas na grandeza dos seus prop\u00f3sitos: os seus eram de servir a Deus, e f\u00ea-los vingar com sacrif\u00edcio, abnega\u00e7\u00e3o e l\u00e1grimas. Eis Dona Joana como exemplo para estas Princezinhas: aspirar a mais largos horizontes, no estudo, nas rela\u00e7\u00f5es, na linha da vida, se para tanto, seja contra tudo e contra todos, como ela, mas na convic\u00e7\u00e3o de que os sonhos s\u00e3o leg\u00edtimos e a vida exemplo concreto de consci\u00eancia tranquila e equilibrada. E a divergir das demais, que seja na grandeza interior e no empenhamento para as coisas do largo. A Infanta escolheu Aveiro para sua terra. N\u00e3o lhe faltaram convites para outras localidades, mais dignas com a sua posi\u00e7\u00e3o, mais consent\u00e2neas em conforto e requinte com o seu estado. Veio para Aveiro e veio para ficar. Quando saiu, f\u00ea-lo sempre com os olhos postos na sua Lisboa, a pequena, em tempo de pestes. Levantada a epidemia, \u00e0 sua vila regressava. \u00c0 hora da morte, perdoou a Infanta todas as d\u00edvidas, ordenou que a absolvessem de todas as culpas, a quem porventura tivesse ofendido. Ela, que em certo momento de navega\u00e7\u00e3o de uma nau com destino ao Porto, em tempo de carecia de cereais, fez valer a sua real condi\u00e7\u00e3o; e a nau aportou em Aveiro, e Aveiro matou a fome. 500 anos depois, a Infanta ter\u00e1 a dizer aos aveirenses, ela que o foi por op\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o s\u00e3o megalomanias, projectos copiados e delapida\u00e7\u00e3o da nossa identidade \u2013 sendo um nos demais \u2013 que nos afirmaremos nos diversos planos da vida colectiva. Ser\u00e1 na excel\u00eancia e diferen\u00e7a que Aveiro poder\u00e1 projectar-se. Oxal\u00e1 a Padroeira inspire quem responsabilidades maiores tem, porque a responsabilidade comum todos e cada um de n\u00f3s a tem igualmente, no que diz, representa e faz por Aveiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>A Padroeira: <\/strong><br \/>\n<strong>e amanh\u00e3?<\/strong><br \/>\nO grande problema que as figuras hist\u00f3ricas constituem ser\u00e1, porventura, serem pe\u00e7as de museu, sempre dispon\u00edveis para datas redondas, enquadramentos pol\u00edticos ou ideol\u00f3gicos. Melhor ou menos correcta interpreta\u00e7\u00e3o das suas vidas \u00e9 o pior que o presente e o futuro poder\u00e3o fazer dos que nos antecederam. A justi\u00e7a caber\u00e1 sempre em tentar olhar a figura com os olhos do tempo, e assim entendermos o por qu\u00ea desta ou daquela atitude. O grande problema, n\u00e3o dos santos, mas nosso, ser\u00e1 pensarmos que a santidade n\u00e3o \u00e9 para o comum, mas apenas para grandes rasgos de vida, quando assim n\u00e3o \u00e9, mas na fidelidade das pequenas coisas, no dia-a-dia e na vida de cada um de n\u00f3s. E Santa Joana? A sua vida est\u00e1 a\u00ed: dispon\u00edvel para ser lida e compreendida. A tarefa do futuro poder\u00e1 ser ver em Santa Joana um modelo de crist\u00e3: consciente do projecto de Deus para si, actuante no seu espa\u00e7o e com os seus, estudante da Palavra de Deus, ass\u00eddua aos sacramentos. Poder\u00e1 ser ver em Santa Joana um modelo de mulher: que fez uma op\u00e7\u00e3o clara, lutou por ela, fazendo da firmeza do seu car\u00e1cter o maior instrumento ante o poder. N\u00e3o \u00e9 aqui momento nem espa\u00e7o para que cada entidade ou crist\u00e3o tome a sua parte no quinh\u00e3o do seu culto e difus\u00e3o. A um irm\u00e3o de Santa Joana, por exemplo, caber\u00e1 ver, nas pequenas coisas do quotidiano, a li\u00e7\u00e3o de vida que ela ter\u00e1 para me dar, assim eu conhe\u00e7a o que fez e o que teria feito em meu lugar.<br \/>\nEis as linhas que me cintilaram no esp\u00edrito sobre Santa Joana nesta hora, e queira Deus que um dia ela assim possa ser liturgicamente Santa com toda a propriedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na feliz comemora\u00e7\u00e3o dos cinquenta anos do breve pontif\u00edcio que declarou Santa Joana Princesa como Padroeira da Cidade e da Diocese de Aveiro, datado de 5 de Janeiro de 1965, sendo papa o beato Paulo VI, e tornado p\u00fablico a 9 de Abril do mesmo ano, ocorreram-me tr\u00eas linhas de pensamento que julguei oportunas partilhar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-25576","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25576"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25576\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25578,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25576\/revisions\/25578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}