{"id":25624,"date":"2015-02-19T15:52:09","date_gmt":"2015-02-19T15:52:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25624"},"modified":"2015-02-19T15:52:09","modified_gmt":"2015-02-19T15:52:09","slug":"que-logica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/que-logica\/","title":{"rendered":"Que l\u00f3gica?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24498\" aria-describedby=\"caption-attachment-24498\" style=\"width: 100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Querubim-silva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24498\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Querubim-silva.jpg\" alt=\"Querubim Silva Padre. Diretor\" width=\"100\" height=\"140\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24498\" class=\"wp-caption-text\">Querubim Silva<br \/>Padre. Diretor<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os sintomas s\u00e3o preocupantes: a pol\u00edtica foi capturada pela finan\u00e7a! \u00c9 isso que todos os dias verificamos: as medidas pol\u00edticas est\u00e3o absolutamente ref\u00e9ns dos subterr\u00e2neos meandros financeiros. Com toda a frequ\u00eancia assumam \u00e0 luz do dia labir\u00ednticos esquemas fraudulentos de enriquecimento, que seduzem o poder. E, mais grave, aparecem aqui e ali ind\u00edcios de pessoas ligadas ao pr\u00f3prio poder judicial enredadas nas mesmas malhas destes esquemas corruptos. Urge, por isso, promover a ecologia humana, desencadear \u201cagressivas\u201d campanhas de purifica\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es, para que a pessoa humana se reencontre como ser aut\u00f3nomo, mas consciente da sua existencial depend\u00eancia e rela\u00e7\u00e3o com os demais, que s\u00f3 a primazia do bem comum, o respeito e a solidariedade com todos podem preservar e tonificar.<br \/>\nNeste esfor\u00e7o de reorienta\u00e7\u00e3o civilizacional, ganham cada vez mais import\u00e2ncia as palavras e os gestos do Papa Francisco. O recente Consist\u00f3rio proporcionou duas reflex\u00f5es basilares, dirigidas especialmente aos cardeais e aos crist\u00e3os, mas v\u00e1lidas para todos os homens que honestamente se disponham a servir a res publica, os povos, os estados.<br \/>\nA primeira, a partir do Hino \u00e0 Caridade de Paulo (1Cor 13), Francisco estabelece uma rela\u00e7\u00e3o proporcional entre as responsabilidades eclesiais e o dever de \u201cpuerificar o cora\u00e7\u00e3o: \u201cQuanto mais se amplia a responsabilidade no servi\u00e7o \u00e0 Igreja, tanto mais se deve ampliar o cora\u00e7\u00e3o, dilatando-se de acordo com a medida do cora\u00e7\u00e3o de Cristo. A magnanimidade \u00e9, em certo sentido, sin\u00f3nimo de catolicidade: \u00e9 saber amar sem limites, mas ao mesmo tempo fi\u00e9is \u00e0s situa\u00e7\u00f5es particulares e com gestos concretos\u201d.<br \/>\nA tenta\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo, da auto-refer\u00eancia, do interesse pr\u00f3prio, \u00e9 comum a todos Mas \u00e9 poss\u00edvel erradicar do cora\u00e7\u00e3o essas \u201cplantas invasoras\u201d. Como diz o Papa: \u201cIsto \u00e9 verdadeiramente um milagre da caridade, porque n\u00f3s, seres humanos (todos, e em todas as idades da vida), sentimo-nos inclinados \u00e0 inveja e ao orgulho por causa da nossa natureza ferida pelo pecado. E as pr\u00f3prias dignidades eclesi\u00e1sticas n\u00e3o est\u00e3o imunes desta tenta\u00e7\u00e3o\u201d. Mas o ant\u00eddoto \u00e9 perfeito: \u201cAo contr\u00e1rio, a caridade descentraliza-te, situando-te no \u00fanico verdadeiro centro que \u00e9 Cristo. Ent\u00e3o, sim, podes ser uma pessoa respeitadora e atenta ao bem dos outros\u201d. Em verdade, \u201cquem vive na caridade, se descentralizou de si mesmo. A pessoa que vive auto-centralizada, inevitavelmente falta ao respeito e, muitas vezes, nem se d\u00e1 conta disso, porque o \u00abrespeito\u00bb \u00e9 precisamente a capacidade de ter em conta o outro, a sua dignidade, a sua condi\u00e7\u00e3o, as suas necessidades. Quem est\u00e1 auto-centralizado, procura inevitavelmente o seu pr\u00f3prio interesse, parecendo-lhe isso normal, quase um dever\u201d.<br \/>\nNo dia 15, concelebrando com os novos Cardeais e comentando o evangelho de Marcos que narra a cura do leproso, o Bispo de Roma desce \u00e0s atitudes concretas que tornam viva a ternura de Deus neste mundo envolto em ego\u00edsmo exclusivo, fabricador de manchas imensas de desprotegidos e marginalizados. \u201cA compaix\u00e3o de Jesus! Aquele \u00abpadecer com\u00bb levava-O a aproximar-Se de cada pessoa atribulada! Jesus n\u00e3o Se retrai, antes, pelo contr\u00e1rio, deixa-Se comover pelo sofrimento e as necessidades do povo, simplesmente porque Ele sabe e quer \u00abpadecer com\u00bb, porque possui um cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se envergonha de ter \u00abcompaix\u00e3o\u00bb\u201d.<br \/>\nJesus vence os preconceitos. Rompe a exclus\u00e3o, porque aquele leproso \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas v\u00edtima da doen\u00e7a, mas sente que \u00e9 tamb\u00e9m o culpado, punido pelos seus pecados. \u00c9 um morto-vivo, como \u00abse o pai lhe tivesse cuspido na cara\u00bb (cf. Nm 12, 14). Al\u00e9m disso, o leproso suscita medo, desprezo, nojo e, por isso, \u00e9 abandonado pelos seus familiares, evitado pelas outras pessoas, marginalizado pela sociedade; mais, a pr\u00f3pria sociedade o expulsa e constringe a viver em lugares afastados dos s\u00e3os, exclui-o\u201d.<br \/>\nO Mestre n\u00e3o vem abolir a Lei. Mas vem trazer-lhe o sentido pleno. \u201cJesus revoluciona e sacode intensamente aquela mentalidade fechada no medo e autolimitada pelos preconceitos. Contudo Ele n\u00e3o abole a Lei de Mois\u00e9s, mas leva-a \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o (cf. Mt 5, 17), declarando, por exemplo, a inefic\u00e1cia contraproducente da lei de tali\u00e3o; declarando que Deus n\u00e3o gosta da observ\u00e2ncia do s\u00e1bado que despreza o homem e o condena; ou, quando perante a mulher pecadora, n\u00e3o a condena, pelo contr\u00e1rio salva-a do zelo cego de quantos j\u00e1 estavam prontos para a lapidar sem d\u00f3 nem piedade, convictos de aplicar a Lei de Mois\u00e9s. Jesus revoluciona tamb\u00e9m as consci\u00eancias no Serm\u00e3o da Montanha\u201d. Extenso e profundo programa de ecologia do cora\u00e7\u00e3o humano! \u00d3timo caminho de convers\u00e3o quaresmal!<br \/>\n\u201cPara Jesus, o que importa acima de tudo \u00e9 alcan\u00e7ar e salvar os afastados, curar as feridas dos doentes, reintegrar a todos na fam\u00edlia de Deus. E isto deixou algu\u00e9m escandalizado!<br \/>\nE Jesus n\u00e3o teme este tipo de esc\u00e2ndalo. N\u00e3o olha \u00e0s mentes fechadas que se escandalizam at\u00e9 por uma cura, que se escandalizam diante de qualquer abertura, qualquer passo que n\u00e3o entre nos seus esquemas mentais e espirituais, qualquer car\u00edcia ou ternura que n\u00e3o corresponda aos seus h\u00e1bitos de pensar e \u00e0 sua pureza ritualista. Ele quis integrar os marginalizados, salvar aqueles que est\u00e3o fora do acampamento (cf. Jo 10).<br \/>\nTrata-se de duas l\u00f3gicas de pensamento e de f\u00e9: o medo de perder os salvos e o desejo de salvar os perdidos\u201d. Qual \u00e9 a nossa l\u00f3gica de f\u00e9?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sintomas s\u00e3o preocupantes: a pol\u00edtica foi capturada pela finan\u00e7a! \u00c9 isso que todos os dias verificamos: as medidas pol\u00edticas est\u00e3o absolutamente ref\u00e9ns dos subterr\u00e2neos meandros financeiros. Com toda a frequ\u00eancia assumam \u00e0 luz do dia labir\u00ednticos esquemas fraudulentos de enriquecimento, que seduzem o poder. E, mais grave, aparecem aqui e ali ind\u00edcios de pessoas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-25624","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25624"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25627,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25624\/revisions\/25627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}