{"id":25629,"date":"2015-02-19T15:55:00","date_gmt":"2015-02-19T15:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25629"},"modified":"2015-02-19T15:55:00","modified_gmt":"2015-02-19T15:55:00","slug":"o-paraiso-aqui-tao-perto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-paraiso-aqui-tao-perto\/","title":{"rendered":"O para\u00edso aqui t\u00e3o perto"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estranheza das a\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito<\/strong>. No Evangelho deste domingo, temos o epis\u00f3dio das tenta\u00e7\u00f5es e o in\u00edcio da chamada vida p\u00fablica de Jesus. De alguma forma, \u00e9 estranho que seja o Esp\u00edrito Santo a impelir Jesus para o deserto, que \u00e9 lugar de tenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 a primeira a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, ap\u00f3s o batismo de Jesus.<br \/>\nNa B\u00edblia, o deserto \u00e9 o lugar do melhor e do pior. \u00c9 o lugar em que os israelitas se constituem como comunidade, ao sa\u00edrem da escravid\u00e3o do Egito, mas \u00e9 tamb\u00e9m o lugar da tenta\u00e7\u00e3o, da dificuldade que gera disc\u00f3rdia, da priva\u00e7\u00e3o que gera divis\u00e3o, da desorienta\u00e7\u00e3o que impede ver Deus e faz desejar abra\u00e7ar outros \u00eddolos. O Povo, e quem quer que se aventure no deserto, sujeita-se a tomar a miragem por realidade. E a vida est\u00e1 cheia de miragens. Espera-se que o Esp\u00edrito impele para lugares recomend\u00e1veis, n\u00e3o para um em que a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus seja posta em causa. Ora o deserto \u00e9 um destes, habitado por esp\u00edritos malignos, espa\u00e7o que pode fazer brotar do cora\u00e7\u00e3o humano o que h\u00e1 de pior nele.<br \/>\nJesus, no deserto, conduzido pelo Esp\u00edrito como outrora \u201cuma nuvem\u201d, s\u00edmbolo do Esp\u00edrito, conduziu o povo pelo deserto, est\u00e1 perante duas possibilidades: fazer do deserto o lugar da perdi\u00e7\u00e3o, cedendo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, ou o para\u00edso, o que parecer\u00e1 \u00e0 partida uma hip\u00f3tese invi\u00e1vel, para n\u00e3o dizer tola, dada a aridez que por defini\u00e7\u00e3o \u00e9 o deserto.<br \/>\n<strong>Final feliz<\/strong>. Sem dizer como s\u00e3o os quarenta dias de tenta\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s (que \u00e9 o \u201caquele que divide\u201d, \u201cque separa\u201d, da\u00ed ser traduzido por di\u00e1bolos, em grego, ou diabo, em portugu\u00eas, que se op\u00f5e a \u201cs\u00edmbolo\u201d, que \u00e9 \u201co que junta\u201d, o \u201cque congrega\u201d), Marcos indica-nos logo como acaba a hist\u00f3ria. Se fosse um filme, passava das cenas iniciais para o \u201cfinal feliz\u201d em poucos segundos. Pouca a\u00e7\u00e3o (a a\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 para vir, ao longo do Evangelho). Para saber como foram as tenta\u00e7\u00f5es, temos os outros evangelhos (Lucas e Mateus), mas mesmo nesses, sabemos que as tenta\u00e7\u00f5es (sequ\u00eancia de desafios-respostas) s\u00e3o um resumo da vida toda de Jesus por compara\u00e7\u00e3o com a vida do Povo de Israel no Antigo Testamento. Onde Israel falhou, Jesus n\u00e3o falha. Ou seja, Jesus faz do deserto o para\u00edso.<br \/>\nSe nas primeiras p\u00e1ginas da B\u00edblia o para\u00edso \u00e9 um jardim, agora \u00e9 restaurada a cria\u00e7\u00e3o original de Deus. \u201cVivia com os animais selvagens\u201d. Amizade e harmonia paradis\u00edacas. Isa\u00edas imaginara que quando chegasse o Messias, o lobo habitaria com o cordeiro e o leopardo deitar-se-ia ao lado do cabrito, o bezerro e o le\u00e3o mais a vaca e o urso pastariam juntos (Is 11,6ss), todos os animais, de repente, s\u00e3o vegetarianos (\u201cherb\u00edvoros\u201d n\u00e3o parece t\u00e3o digno). Ora Marcos diz-nos que o Messias chegou. Os animais selvagens n\u00e3o lhe fazem mal. Cristo \u00e9 o Novo Ad\u00e3o. Come\u00e7ou a nova cria\u00e7\u00e3o. E os anjos servem-no, a Jesus, porque \u201cEle d\u00e1 ordem aos seus anjos\u201d (Salmo 91,11). S\u00f3 falta o ser humano deixar de ser lobo para o seu irm\u00e3o.<br \/>\n<strong>Nova cria\u00e7\u00e3o<\/strong>. As tenta\u00e7\u00f5es de Jesus duram 40 dias. Na B\u00edblia h\u00e1 tanta coisa que dura 40 (anos, dias, dias e noites), que devemos olhar mais para o significado do 40 do que para a sua materialidade (tipo: 39 mais 1). Ali\u00e1s, j\u00e1 referimos que as tenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o um resumo das dificuldades com que Jesus se deparou na sua a\u00e7\u00e3o. Ora o 40 surge sempre associado a uma mudan\u00e7a. Mudan\u00e7a do Egito para a Terra Prometida em 40 anos. Mudan\u00e7a da velha para a nova cria\u00e7\u00e3o nos 40 dias do dil\u00favio. Mudan\u00e7a de Elias da Palestina para o Horeb em 40 dias. Se h\u00e1 mudan\u00e7a, tem de ser em 40 qualquer coisa (da\u00ed a esperan\u00e7a da Igreja que na Quaresma mude alguma coisa na vida dos crist\u00e3os). Jesus mudou. Vai iniciar a sua prega\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Nada melhor do que anteced\u00ea-la por um retiro de 40 dias. Mas n\u00e3o foi s\u00f3 Jesus que mudou. Foi toda a cria\u00e7\u00e3o. E \u00e9 disso que Ele vai falar. Ap\u00f3s o \u201cdeserto\u201d, Jesus entra em a\u00e7\u00e3o porque \u201ccumpriu-se o tempo e est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino de Deus\u201d.<br \/>\n<strong>O Reino<\/strong>. O reino est\u00e1 a chegar, a nova cria\u00e7\u00e3o, o novo mundo, e h\u00e1 duas coisas que podemos fazer para o acolher: arrependermo-nos e acreditar no Evangelho. Na realidade, uma leva \u00e0 outra. E ficarmos apenas por uma, se \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel, \u00e9 como optar por coxear, podendo correr.<br \/>\nJesus nunca diz taxativamente em que consiste o Reino, mas contar\u00e1 muitas par\u00e1bolas para falar de algumas das suas caracter\u00edsticas, far\u00e1 sinais para mostrar que j\u00e1 chegou, e por Ele dar\u00e1 a vida. Quem vive com Jesus v\u00ea nele o Reino. A boa nova do Reino, o Evangelho, \u00e9 a boa nova de Jesus. Jesus \u00e9 o Reino, n\u00e3o da maneira t\u00e3o idol\u00e1trica quanto rid\u00edcula e centralista de um certo governante que dizia \u201cL\u2019\u00c9tat c\u2019est moi\u201d, mas porque nele vive a vontade de Deus. Jesus \u00e9 o Reino porque assume a soberania de Deus. Jesus \u00e9 o melhor reinado de Deus. O completo. Afinal, foi para a\u00ed que o conduziu o Esp\u00edrito ao longo de toda a \u201cvida terrena\u201d. E o Reino est\u00e1 descentralizado porque tem em cada pessoa, principalmente nos mais fr\u00e1geis, um representante.<br \/>\nAgora, como todos os anos, Jesus est\u00e1 a chegar. O novo Ad\u00e3o. O Reino e a possibilidade de uma sociedade nova. O Esp\u00edrito impele-nos para Jesus\/Reino, mesmo com desertos pelo meio, ou nem sequer ouvimos o Esp\u00edrito? N\u00e3o, a mensagem n\u00e3o \u00e9: \u201cOk. Temos tempo. Fiquem como est\u00e3o, que est\u00e3o bem\u201d. N\u00e3o \u00e9 para isso a Quaresma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Estranheza das a\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito. No Evangelho deste domingo, temos o epis\u00f3dio das tenta\u00e7\u00f5es e o in\u00edcio da chamada vida p\u00fablica de Jesus. 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