{"id":2564,"date":"2010-09-29T10:14:00","date_gmt":"2010-09-29T10:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2564"},"modified":"2010-09-29T10:14:00","modified_gmt":"2010-09-29T10:14:00","slug":"os-bispos-da-republica-e-a-fidelidade-a-sua-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-bispos-da-republica-e-a-fidelidade-a-sua-missao\/","title":{"rendered":"Os bispos da Rep\u00fablica e a fidelidade \u00e0 sua miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Bispo e I Rep\u00fablica &#8211; II <!--more--> Foram v\u00e1rios os bispos do in\u00edcio da Rep\u00fablica expulsos das suas dioceses pelo poder pol\u00edtico. Por vezes, porque as dioceses n\u00e3o coincidiam com os distritos, sem que o advertissem os governantes, ficavam a viver dentro da mesma, mas noutro distrito, como aconteceu, por exemplo com o arcebispo de \u00c9vora, com resid\u00eancia for\u00e7ada em Elvas, e o com bispo de Portalegre, exilado em Proen\u00e7a-a-Nova. Das expuls\u00f5es havidas, o caso ent\u00e3o mais falado, dada a sua import\u00e2ncia, foi o do bispo de Porto, D. Ant\u00f3nio Barroso. Exilado primeiro em Cernache do Bonjardim (Sert\u00e3), depois na Covilh\u00e3 e, finalmente, na sua terra natal, Remelhe (Barcelos). Um dia, pelo facto de ter entrado na sua diocese para celebrar um baptismo, foi julgado em tribunal, por desobedi\u00eancia, mas logo absolvido por juiz sensato e corajoso.<\/p>\n<p>O objectivo do poder ao ferir o pastor era separar os bispos do seu povo, obrig\u00e1-los ao sil\u00eancio, e fazer tudo para que o rebanho se tresmalhasse.<\/p>\n<p>Afonso Costa disse no Parlamento, em 27 de Julho de 1911, que, tal como se havia feito em Fran\u00e7a, o prop\u00f3sito era, sem viol\u00eancias, impor aos bispos a completa obedi\u00eancia ao poder republicano. Acabou, por\u00e9m, por reconhecer que \u201co castigo dado a um bispo, considerado her\u00f3i pelo seu povo, foi uma infelicidade. A sua coragem e determina\u00e7\u00e3o s\u00f3 trazia custos pol\u00edticos para o Governo\u201d.<\/p>\n<p>Os primeiros tempos da Rep\u00fablica legaram-nos o testemunho corajoso do Episcopado Portugu\u00eas, agindo em concertada uni\u00e3o e fazendo, a uma s\u00f3 voz, uma leitura, cr\u00edtica e objectiva, sobre o novo regime republicano. Assim foi com a Pastoral Colectiva (24 Dezembro de 1910), o Protesto Colectivo sobre o decreto de 20 de Abril de 1911, conhecido por Lei da Separa\u00e7\u00e3o (5  de Maio de 1911) e, por fim, a Instru\u00e7\u00e3o Colectiva (22 de Janeiro de 1917), com  orienta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e oportunas  para o povo crist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 muito clara a atitude dos bispos neste contexto, convidando todos \u00e0 reflex\u00e3o serena. <\/p>\n<p>Sendo, embora, diferente o contexto actual, com problemas graves de v\u00e1ria ordem, \u00e9 este tamb\u00e9m um apelo aos respons\u00e1veis da Igreja no Portugal de 2010, com n\u00e3o menor exig\u00eancia, que a de 1910. Destaco, ent\u00e3o, a uni\u00e3o dos bispos falando a uma s\u00f3 voz, a coragem de enfrentarem, sem medo, situa\u00e7\u00f5es concretas dif\u00edceis, a clarivid\u00eancia na exposi\u00e7\u00e3o atempada da doutrina, o apelo claro \u00e0 fidelidade crist\u00e3 e \u00e0 defesa de valores fundamentais das pessoas e das comunidades.<\/p>\n<p>Vale a pena transcrever palavras iniciais de cada documento episcopal. \u201cE tempestuoso, em verdade, \u00e9 o per\u00edodo hist\u00f3rico e anormal que a nossa p\u00e1tria vai atravessando. Melindrosa, cheia de perigos era e \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o\u2026 Mas poder\u00e3o estas apreens\u00f5es dispensar-nos de falar? N\u00e3o, que o temor atingiria a meta da cobardia e o sil\u00eancio podia ser havido por trai\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s bispos, acusados por vezes de demasiada prud\u00eancia e longanimidade temos, merc\u00ea de Deus, a consci\u00eancia de n\u00e3o sermos traidores \u00e0 nossa miss\u00e3o\u2026\u201d (Dezembro de 1910).<\/p>\n<p>\u201cFoi vibrado o golpe! Realizou-se a previs\u00e3o\u2026 Realizou-se? N\u00e3o: foi excedida. O facto foi al\u00e9m da expectativa. A calamidade superou o receio. Receava-se a dureza, veio a atrocidade; receava-se a sujei\u00e7\u00e3o, veio a tirania; receava-se o cercear das garantias e direitos, veio a humilha\u00e7\u00e3o vilipendiosa; receava-se a grave e penosa redu\u00e7\u00e3o dos necess\u00e1rios recursos materiais, veio a confisca\u00e7\u00e3o; receava-se, enfim, a injusti\u00e7a, veio com ela o sarcasmo. E podemos n\u00f3s calar-nos?\u201d (Maio de 1911).<\/p>\n<p>\u201cFalar em nome de Deus, recordar atrav\u00e9s dos s\u00e9culos as verdades divinamente reveladas e os preceitos divinamente intimados ao g\u00e9nero humano; instruir, admoestar, exortar na s\u00e3 doutrina; clamar, incessantemente, erguendo a voz como tuba sonora, para advertir dos perigos e chamar \u00e0s fileiras os soldados da f\u00e9; vigiar e fortalecer na cren\u00e7a e na virtude os seus irm\u00e3os; instruir oportuna e importunamente na doutrina\u00e7\u00e3o, \u00e9 a alta miss\u00e3o que o Homem Deus, instruindo a Igreja e transmitindo-lhe a sua pr\u00f3pria autoridade, conferiu e confiou aos Ap\u00f3stolos e seus sucessores\u201d (Janeiro de 1917). <\/p>\n<p>Os documentos foram lidos em todas as par\u00f3quias. O Governo proibia a sua leitura, mas nem os bispos, nem os padres obedeceram. Por isso, prenderam-se bispos e padres, e muitos deles foram julgados, castigados e expulsos. O povo permaneceu unido aos seus pastores. A for\u00e7a do poder redundou em fraqueza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo e I Rep\u00fablica &#8211; II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-2564","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2564"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2564\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}