{"id":2566,"date":"2010-10-06T09:27:00","date_gmt":"2010-10-06T09:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2566"},"modified":"2010-10-06T09:27:00","modified_gmt":"2010-10-06T09:27:00","slug":"celebrar-o-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/celebrar-o-que\/","title":{"rendered":"Celebrar o qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p>A pergunta \u00e9 leg\u00edtima: Pretendemos celebrar o qu\u00ea, quando nos atordoam os ouvidos com as comemora\u00e7\u00f5es dos cem anos de Rep\u00fablica? Sim: importa questionarmo-nos se temos raz\u00f5es para festejar o que quer que seja; se os benef\u00edcios de um regime democr\u00e1tico s\u00e3o propriedade da Rep\u00fablica; se a estabilidade pol\u00edtica e o bem-estar social brotam exclusivamente dos ideais republicanos&#8230;<\/p>\n<p>A nossa Rep\u00fablica nasceu directamente da cartilha francesa do final do s\u00e9culo XIX, confessa e voluntariamente violenta e perseguidora. Os ideais de liberdade, igualdade a fraternidade tornaram-se justifica\u00e7\u00e3o para \u201cdepura\u00e7\u00f5es\u201d arbitr\u00e1rias. Como a neutralidade do Estado se transformou em desrespeito e tentativa de elimina\u00e7\u00e3o da liberdade de pensamento e confiss\u00e3o religiosa, submetendo toda a sociedade \u00e0 ideologia do Estado.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos sequer esquecer que, nas rep\u00fablicas, se t\u00eam sucedido, muitas vezes, ditaduras, civis e militares, que nada ficam a dever, em tirania, aos absolutismos mon\u00e1rquicos mais exacerbados. Ao que consta, tamb\u00e9m fizemos essa experi\u00eancia.<\/p>\n<p>E ningu\u00e9m tem d\u00favidas de que, chegado ao poder, qualquer partido tece redes de influ\u00eancias e fabrica edif\u00edcios legais que lhe permitam perpetuar-se no dom\u00ednio do pa\u00eds, favorecendo restritas aristocracias dos seus clientes. <\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o laica do Estado foi seguramente um bem. Com a reserva de que foi mal interpretada e continua a ser mal realizada. O despertar da sociedade civil para as suas responsabilidades e compet\u00eancias fez justi\u00e7a \u00e0 maioridade do povo, ainda que a integra\u00e7\u00e3o das diversidades n\u00e3o seja sempre um caminho f\u00e1cil. E o princ\u00edpio da subsidiariedade do Estado, que deveria abrir caminho ao pleno exerc\u00edcio dessas compet\u00eancias, tem-se manifestado um fracasso rotundo na vida do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Portanto: raz\u00f5es para celebrar o republicanismo que nos tem calhado em sorte n\u00e3o as encontramos. Motivos para rejubilarmos com os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade? Tamb\u00e9m se vivem em regimes mon\u00e1rquicos, com melhor qualidade do que aquela que nos \u00e9 dado viver. Ali\u00e1s: se os crist\u00e3os tomarem a peito o Evangelho, suplantam qualquer rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Por mim, celebro apenas a esperan\u00e7a de que a alma portuguesa \u00e9 capaz de joeirar todos os oportunismos pol\u00edticos e se impor a todos esses desvirtuamentos de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pergunta \u00e9 leg\u00edtima: Pretendemos celebrar o qu\u00ea, quando nos atordoam os ouvidos com as comemora\u00e7\u00f5es dos cem anos de Rep\u00fablica? Sim: importa questionarmo-nos se temos raz\u00f5es para festejar o que quer que seja; se os benef\u00edcios de um regime democr\u00e1tico s\u00e3o propriedade da Rep\u00fablica; se a estabilidade pol\u00edtica e o bem-estar social brotam exclusivamente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-2566","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2566\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}