{"id":25671,"date":"2015-03-05T15:42:41","date_gmt":"2015-03-05T15:42:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25671"},"modified":"2015-03-05T15:42:41","modified_gmt":"2015-03-05T15:42:41","slug":"nem-so-de-templos-vive-o-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nem-so-de-templos-vive-o-homem\/","title":{"rendered":"Nem s\u00f3 de templos vive o homem"},"content":{"rendered":"<p><strong>O templo importava.<\/strong> H\u00e1 um aforismo judaico, contado pelo cardeal Ravasi num dos seus livros, que diz: \u201cO mundo \u00e9 como o olho: o mar \u00e9 a \u00f3rbita, a terra \u00e9 a \u00edris, Jerusal\u00e9m \u00e9 a pupila, e a imagem nela refletida \u00e9 o templo\u201d. O templo para os judeus importava. \u00c9 certo que antes da constru\u00e7\u00e3o do primeiro templo (por Salom\u00e3o, no s\u00e9c. X a.C.) houvera duas correntes, uma que dizia que Deus n\u00e3o podia ser contido num templo, por mais belo, grandioso, sublime que fosse, e outra que queria precisamente uma casa para conter a Arca da Alian\u00e7a, que por sua vez continha as t\u00e1buas de lei onde estavam inscritos os mandamentos que se proclamam na primeira leitura desde domingo (a Arca, digam o que disserem todos os romances, filmes e salteadores, foi vista pela \u00faltima vez em 586 a.C., quando os babil\u00f3nios de Nabucodonor invadem e destroem Jerusal\u00e9m e o seu templo). Para todos os efeitos, os judeus veneravam e amavam o seu templo, que, no tempo de Jesus, era o \u201csegundo templo\u201d, constru\u00eddo no s\u00e9c. VI a. C. e restaurado por Herodes. Apesar de ser cruel e perverso, o rei fazia umas coisas que ca\u00edam bem no povo. Tornar o templo resplandecente foi uma delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O templo importava como quase mais nada.<\/strong> \u00c9 abundante a Palavra de Deus, principalmente nos salmos, que real\u00e7a o valor do templo. \u201cAmo, Senhor, a beleza da tua casa e o lugar onde reside a tua gl\u00f3ria. Os teus servos amam as pedras de Si\u00e3o\u201d (Sl 26,8). \u201cAt\u00e9 os p\u00e1ssaros encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos teus altares, Senhor do universo, meu rei e meu Deus\u201d (Sl 84,4). \u201cQuem poder\u00e1 subir \u00e0 montanha do Senhor e apresentar-se no seu santu\u00e1rio?\u201d (Sl 24,3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O novo templo<\/strong>. Pois Jesus, que na semana passada subiu ao monte para se transfigurar, esta semana \u201csobe\u201d \u00e0 montanha do Senhor para realizar um sinal no templo. No cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 judaica, que \u00e9 a f\u00e9 de Jesus, realiza um ato que \u00e9 provavelmente o gesto evang\u00e9lico que nos causa mais desconforto. Nunca nos habituamos a um Jesus violento. Um Jesus que estraga a vida dos que lutavam pela sua vidinha e atinge o local mais sagrado do juda\u00edsmo. O livrinho da caminha quaresmal proposto pela Diocese de Aveiro explica: \u201cN\u00e3o se trata dum sinal de poder, mas um gesto prof\u00e9tico. O evangelista joga intencionalmente com a ambiguidade do verbo grego egh\u00e9iro, que significa tanto significa \u00ablevantar\u00bb, \u00aberguer\u00bb, como \u00abressuscitar\u00bb. Ao indicar a sua ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus afirma que iria transformar o velho templo (de pedras) num novo templo que revelaria a sua divindade. O templo identifica-se, assim, com o seu corpo; \u00e9 o sinal de Jonas de que falam os evangelistas. Percebido \u00e0 letra pelos seus opositores, apenas captado pelos disc\u00edpulos ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, este sinal anuncia a grade substitui\u00e7\u00e3o que se ir\u00e1 operar. Todo o verdadeiro culto deixar\u00e1 de estar ligado ao templo de Jerusal\u00e9m para se deslocar para a pessoa de Jesus, verdadeiro Templo de Deus em que se realiza realmente o encontro de Deus e o homem.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual o nosso templo?<\/strong> Os judeus pensavam que os sacrif\u00edcios no templo (oferecer um boi, um cabrito ou, por menos dinheiro, uns pombos) agradavam a Deus. Assim, quem mais dinheiro tivesse, mais podia agradar a Deus. N\u00f3s n\u00e3o precisamos destes sacrif\u00edcios nem de ir a Jerusal\u00e9m ou a qualquer outro lugar \u201csagrado\u201d. A minha rela\u00e7\u00e3o com Deus ainda se insere numa via de aplacar o medo e de fazer neg\u00f3cios? Ou vale mais a confian\u00e7a pessoal, o di\u00e1logo amigo que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o? Depois da viragem provocada por Jesus, temos de perguntar: Ser\u00e1 que o nosso templo ainda se assemelha muito com o velho? Estar\u00e1 a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus demasiado dependente de tempos, templos e lugares e n\u00e3o tanto de uma pessoa (Jesus) e do amor pelas pessoas (os outros cristos)?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O templo importava. H\u00e1 um aforismo judaico, contado pelo cardeal Ravasi num dos seus livros, que diz: \u201cO mundo \u00e9 como o olho: o mar \u00e9 a \u00f3rbita, a terra \u00e9 a \u00edris, Jerusal\u00e9m \u00e9 a pupila, e a imagem nela refletida \u00e9 o templo\u201d. 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