{"id":2589,"date":"2010-10-06T09:50:00","date_gmt":"2010-10-06T09:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2589"},"modified":"2010-10-06T09:50:00","modified_gmt":"2010-10-06T09:50:00","slug":"igreja-e-republica-em-foco-numa-edicao-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/igreja-e-republica-em-foco-numa-edicao-especial\/","title":{"rendered":"Igreja e Rep\u00fablica em foco numa edi\u00e7\u00e3o especial"},"content":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o especial da Ag\u00eancia Ecclesia assinala centen\u00e1rio da Rep\u00fablica. Grandes temas: \u201cSociedade e Religi\u00e3o\u201d; \u201cRela\u00e7\u00e3o Igrejas, Estado e Sociedade\u201d; e Universos Espirituais e experi\u00eancias religiosas\u201d.<\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, a 5 de Outubro de 1910, foi um ponto de viragem para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, tendo levado a uma \u201crecomposi\u00e7\u00e3o interna\u201d destinada a enfrentar um \u201cprograma intencional de laiciza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o \u00e9 assumida pelo historiador Ant\u00f3nio Matos Ferreira, um dos coordenadores da edi\u00e7\u00e3o especial do seman\u00e1rio Ag\u00eancia Ecclesia que assinala as comemora\u00e7\u00f5es deste centen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o conta com a colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa (CEHR) da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e procura abordar \u201cquest\u00f5es do \u00e2mbito da religi\u00e3o na sociedade portuguesa no per\u00edodo da Primeira Rep\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA reflex\u00e3o que se apresenta, acompanhada pela publica\u00e7\u00e3o de documentos da \u00e9poca e do levantamento iconogr\u00e1fico e biogr\u00e1fico referentes a acontecimentos e personalidades anteriores e posteriores \u00e0 Rep\u00fablica de 1910, pretende contribuir para a mem\u00f3ria cr\u00edtica dos cidad\u00e3os portugueses\u201d, escreve Matos Ferreira.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o foi apresentada no final das Jornadas Nacionais de Comunica\u00e7\u00e3o Social, uma iniciativa anual que desta feita tem como t\u00edtulo \u201cRep\u00fablica-Comunica\u00e7\u00e3o-Igreja\u201d, que decorreram em F\u00e1tima, nos dias 23 e 24 de Setembro.<\/p>\n<p>A chamada \u201cquest\u00e3o religiosa\u201d \u00e9 apreciada para l\u00e1 da altera\u00e7\u00e3o do estatuto da Igreja Cat\u00f3lica nas suas rela\u00e7\u00f5es com o Estado, na sua forma \u201crepublicana, laica e de separa\u00e7\u00e3o\u201d, frisa Matos Ferreira.<\/p>\n<p>Rita Mendon\u00e7a Leite, tamb\u00e9m coordenadora da publica\u00e7\u00e3o, indica que \u201ca Lei da Separa\u00e7\u00e3o das Igrejas do Estado representou um momento fundamental na ac\u00e7\u00e3o do novo regime\u201d.<\/p>\n<p>Para o historiador S\u00e9rgio Pinto, o Decreto de 20 de Abril de 1911 \u00e9 de \u201cdif\u00edcil aceita\u00e7\u00e3o\u201d, do ponto de vista doutrinal, por parte da hierarquia cat\u00f3lica. \u201cAs caracter\u00edsticas da lei\u201d que em Portugal decretou a separa\u00e7\u00e3o, \u201cvista pela Igreja Cat\u00f3lica como hostil e atentat\u00f3ria da sua ac\u00e7\u00e3o, acabar\u00e3o por marcar um ponto de viragem\u201d, escreve.<\/p>\n<p>Hugo Dores precisa que \u201ca Igreja se opunha \u00e0quela lei da separa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ao conceito de separa\u00e7\u00e3o que, h\u00e1 muito, vozes do catolicismo exigiam\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Tiago Apolin\u00e1rio Baltazar, por outro lado, a quest\u00e3o religiosa assume \u201cuma import\u00e2ncia fundamental para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia do regime\u201d. \u201cPara \u00abrepublicanizar\u00bb o pa\u00eds era preciso, pois, atacar a Igreja e, em casos extremos, o pr\u00f3prio catolicismo, vistos (\u2026) como origem do todos os atrasos e mis\u00e9rias\u201d, indica o historiador.<\/p>\n<p>F\u00e1tima e I Guerra Mundial<\/p>\n<p>Ao longo desta edi\u00e7\u00e3o especial \u00e9 sublinhada a import\u00e2ncia da entrada de Portugal na I Guerra Mundial, a qual permitiu, segundo Guilherme Sampaio, \u201cum redimensionamento do papel do catolicismo na sociedade portuguesa\u201d.<\/p>\n<p>A isso somam-se os acontecimentos da Cova da Iria, em 1917, analisados por Tiago Apolin\u00e1rio Baltazar: \u201cDe certa forma, \u00e9 atrav\u00e9s de F\u00e1tima que o catolicismo portugu\u00eas se reencontrar\u00e1 consigo pr\u00f3prio\u201d.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o estrutura-se em torno de tr\u00eas \u00e1reas tem\u00e1ticas: \u201cSociedade e Religi\u00e3o\u201d, \u201cRela\u00e7\u00e3o Igrejas, Estado e Sociedade\u201d e \u201cUniversos Espirituais e experi\u00eancias religiosas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO car\u00e1cter messi\u00e2nico da Rep\u00fablica, enquanto projecto de regenera\u00e7\u00e3o nacional, acabaria por degenerar num sentimento de desilus\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o partilhado pelos universos pol\u00edtico e religioso\u201d, observa Rita Mendon\u00e7a Leite.<\/p>\n<p>No editorial da edi\u00e7\u00e3o especial para o 5 de Outubro, o c\u00f3nego Ant\u00f3nio Rego, director do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais da Igreja, assinala que \u201ca Rep\u00fablica n\u00e3o \u00e9 uma data \u00fanica. \u00c9 um rasto de tempo num pequeno espa\u00e7o chamado Portugal\u201d.<\/p>\n<p>A revista pode ser pedida para agencia@ecclesia.pt.<\/p>\n<p>Oct\u00e1vio Carmo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o especial da Ag\u00eancia Ecclesia assinala centen\u00e1rio da Rep\u00fablica. 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