{"id":25930,"date":"2015-06-19T09:12:05","date_gmt":"2015-06-19T09:12:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25930"},"modified":"2015-06-19T09:12:05","modified_gmt":"2015-06-19T09:12:05","slug":"sepultura-do-bispo-eleito-de-aveiro-descoberta-na-torre-dos-clerigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sepultura-do-bispo-eleito-de-aveiro-descoberta-na-torre-dos-clerigos\/","title":{"rendered":"Sepultura do bispo eleito de Aveiro descoberta na Torre dos Cl\u00e9rigos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Restos mortais de D. Ant\u00f3nio Il\u00eddio (1785-1849), que n\u00e3o chegou a obter confirma\u00e7\u00e3o papal para tomar posse da Diocese de Aveiro, identificados por investigadora.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi descoberta na igreja dos Cl\u00e9rigos, no Porto, a sepultura de D. Ant\u00f3nio de Santo Il\u00eddio de Fonseca e Silva, que foi nomeado bispo de Aveiro pelo governo, no dia 26 de fevereiro de 1840, mas nunca obteve confirma\u00e7\u00e3o papal. Seria o quarto bispo de Aveiro, na primeira fase da Diocese, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1774, at\u00e9 \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, em 1881.<br \/>\nA not\u00edcia da sepultura surgiu no Jornal de Not\u00edcias online, no dia 12 de junho. O jornal refere que Eug\u00e9nia Cunha, investigadora do departamento de Ci\u00eancias da Vida da Universidade de Coimbra, identificou duas das diversas sepulturas resgatadas da cripta da igreja dos Cl\u00e9rigos a quando das obras de remodela\u00e7\u00e3o, em dezembro de 2014. Al\u00e9m da do bispo eleito de Aveiro, a investigadora identificou a sepultura do abade Santo Ildefonso, ficando por identificar \u201c10 homens, seis mulheres, sete n\u00e3o-adultos e um beb\u00e9\u201d.<br \/>\nAs investiga\u00e7\u00f5es t\u00eam como objetivo encontrar a sepultura de Nicolau Nasoni (1691-1773), o arquiteto italiano que projetou a Igreja e Torre do Cl\u00e9rigos, al\u00e9m de outros edif\u00edcios na invicta. Nasoni morreu na pobreza e foi sepultado na igreja por ele projetada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bispo em tempos inst\u00e1veis<\/strong><br \/>\nSegundo o livro \u201cDiocese de Aveiro. Subs\u00eddios para a sua hist\u00f3ria\u201d, p\u00e1ginas 171-175, de monsenhor Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, D. Ant\u00f3nio de Santo Il\u00eddio de Fonseca e Silva, monge, era natural do Porto (05-06-1784), tendo passado pelo convento beneditino de Tib\u00e3es (1804) e pela Universidade de Coimbra, onde foi bacharel em filosofia (1813) e doutor em matem\u00e1tica (1816). Apoiante de D. Pedro e D. Maria II (liberais e constitucionalistas) contra D. Miguel (tradicionalistas e absolutistas), \u201cexerceu intrusamente as fun\u00e7\u00f5es de governador e vig\u00e1rio capitular da diocese do Algarve, na aus\u00eancia do respetivo bispo\u201d, entre 1834 e 1836, refere mons. Jo\u00e3o Gaspar. Ap\u00f3s a nomea\u00e7\u00e3o para Aveiro, sem esperar a confirma\u00e7\u00e3o papal, como era exigido, come\u00e7ou a \u201cagir como prelado\u201d e assinou alguns documentos.<br \/>\nConsiderada nula a posse do bispo eleito, a S\u00e9 Apost\u00f3lica nomeou em 1842 um governador para a Diocese de Aveiro que veio a renunciar quase de imediato, o que permitiu que D. Ant\u00f3nio de Santo Il\u00eddio fosse nomeado vig\u00e1rio pr\u00f3-capitular em 1843, \u201cpassando a exercer leg\u00edtima e canonicamente a jurisdi\u00e7\u00e3o espiritual\u201d. O per\u00edodo at\u00e9 1843, na diocese de Aveiro, foi um \u201ctempo irregular\u201d, diretamente ligado \u00e0 instabilidade na pol\u00edtica portuguesa, pelo que afirma mons. Jo\u00e3o Gaspar: \u201cNunca a S\u00e9 Apost\u00f3lica publicou qualquer documento que declarasse os governadores intrusos como cism\u00e1ticos; por isso, se chama impropriamente cisma a esta situa\u00e7\u00e3o da Igreja em Portugal\u201d.<br \/>\nD. Ant\u00f3nio Il\u00eddio, alegando falta de sa\u00fade renuncia \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o pr\u00f3-capitular de Aveiro, conforma atesta a provis\u00e3o de 5 de maio de 1845, assinada pelo arcebispo de Braga. Faleceria na cidade do Porto no dia 28 de janeiro de 1849, com 65 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vida pouco edificante<\/strong><br \/>\nMas por que raz\u00e3o, afinal, D. Ant\u00f3nio Il\u00eddio n\u00e3o obteve a confirma\u00e7\u00e3o papal? Transcrevemos as instru\u00e7\u00f5es do n\u00fancio enviadas para Roma e citadas na referida obra de mons. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar (p\u00e1g. 174): \u201cEste frade tem levado uma vida p\u00e9ssima e foi sempre tido na opini\u00e3o p\u00fablica como um sect\u00e1rio e de costumes corruptos. Quando estudava na Universidade, sendo j\u00e1 monge, galanteava com uma freira de Santa Clara e, por ci\u00fames com outro estudante chamado Barbosa, este deu-lhe um tiro e partiu-lhe um bra\u00e7o. O facto, not\u00f3rio em Coimbra, foi levado ao Tribunal Criminal e deu muito que falar e um grande esc\u00e2ndalo. Depois disso, o seu procedimento tem sido sempre mais de secular que de religioso. Quando D. Pedro entrou no Porto, foi dos primeiros a apresentarem-se-lhe sem h\u00e1bito religioso, e escreveu v\u00e1rios artigos e proclama\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s a tomada de Lisboa, foi como intruso para o Algarve, vivendo ainda o bispo daquela diocese. De l\u00e1 foi nomeado para bispo de Aveiro, onde est\u00e1 governando intrusamente e praticando atos escandalosos, como se v\u00ea na s\u00faplica feita a Sua Santidade pelas freiras dominicanas do convento de Jesus. Seria um bispo p\u00e9ssimo, sem boa opini\u00e3o nem fama\u201d.<br \/>\n<strong>J.P.F.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Restos mortais de D. Ant\u00f3nio Il\u00eddio (1785-1849), que n\u00e3o chegou a obter confirma\u00e7\u00e3o papal para tomar posse da Diocese de Aveiro, identificados por investigadora. &nbsp; Foi descoberta na igreja dos Cl\u00e9rigos, no Porto, a sepultura de D. 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