{"id":25975,"date":"2015-07-02T16:26:32","date_gmt":"2015-07-02T16:26:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25975"},"modified":"2015-07-02T16:26:32","modified_gmt":"2015-07-02T16:26:32","slug":"forno-romano-de-eixo-ao-abandono-e-em-degradacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/forno-romano-de-eixo-ao-abandono-e-em-degradacao\/","title":{"rendered":"Forno romano de Eixo ao abandono e em degrada\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25976\" aria-describedby=\"caption-attachment-25976\" style=\"width: 430px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/forno.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25976 size-full\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/forno.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/forno.jpg 430w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/forno-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25976\" class=\"wp-caption-text\">Forno romano em Costa das Ribas, Eixo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JO\u00c3O GON\u00c7ALVES GASPAR<\/strong><\/p>\n<p><strong>Padre e historiador<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vila de Eixo, na Costa das Ribas, em 12 de dezembro de 1985, foi casualmente descoberto um forno cer\u00e2mico, que logo se identificou como sendo um marco important\u00edssimo da \u00e9poca final da presen\u00e7a romana na nossa regi\u00e3o (s\u00e9c. III-V). Dez anos mais tarde, em dezembro de 1995, na mesma vila, na Alagoela e em local n\u00e3o muito distante do anterior, apareceu um novo forno cer\u00e2mico, tamb\u00e9m dos finais do per\u00edodo romano. Os dois fornos, que laboraram h\u00e1 mais de mil e quinhentos anos, situavam-se, nessa altura, \u00e0 beira de uma linha de \u00e1gua, precisamente na margem sul do estu\u00e1rio oce\u00e2nico que se alongava at\u00e9 ao Marnel. Tal circunst\u00e2ncia proporcionaria tanto a capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua necess\u00e1ria para preparar a produ\u00e7\u00e3o dos materiais, como o escoamento dos produtos fabricados em transporte mar\u00edtimo ou fluvial. Sendo a regi\u00e3o relativamente pobre em esta\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas, logo a C\u00e2mara Municipal e a Junta de Freguesia tentaram acautelar estes achados, em virtude do seu significado como documentos incontroversos das nossas ra\u00edzes ancestrais. Afortunadamente, um dos fornos teria melhor sorte do que o outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Forno romano<\/strong><br \/>\nFixemo-nos no forno romano da Costa das Ribas; ele \u00e9 de ineg\u00e1vel valimento hist\u00f3rico, cultural e cient\u00edfico, tanto para Eixo como para Aveiro e arredores, porque demonstra ou confirma nesta regi\u00e3o a presen\u00e7a romana e a produ\u00e7\u00e3o cer\u00e2mica j\u00e1 nesses recuados tempos. Logo ap\u00f3s a descoberta, realizaram-se cuidadosas escava\u00e7\u00f5es, recolheram-se v\u00e1rios elementos cer\u00e2micos e fizeram-se diversos exames e estudos, sob a responsabilidade de uma equipa do Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com o patroc\u00ednio do Instituto Portugu\u00eas do Patrim\u00f3nio Cultural, dos Servi\u00e7os de Cultura do Munic\u00edpio de Aveiro e da Junta de Freguesia local. No forno e \u00e0 sua volta, encontraram-se fragmentos de t\u00e9gula e imbrex (cana e capa da telha) \u2013 pe\u00e7as estas que se utilizavam na cobertura das casas; dois ou tr\u00eas arcos do forno pareceram estar intactos, assim como um peda\u00e7o da respetiva grelha. Como resultado, confirmou-se que efetivamente se tratava de um forno semelhante a outros j\u00e1 conhecidos e cujo per\u00edodo de utiliza\u00e7\u00e3o decorrera nos finais da ocupa\u00e7\u00e3o romana.<br \/>\nPara salvaguardar o forno e para obstar \u00e0 sua deteriora\u00e7\u00e3o progressiva, a Junta de Freguesia de ent\u00e3o sinalizou-o, resguardou-o com uma cobertura e tornou o acesso mais f\u00e1cil. Al\u00e9m disso, adquiriu o pr\u00e9dio r\u00fastico em que ele se encontra, onde criou um estacionamento para ve\u00edculos e mandou plantar \u00e1rvores, com o intuito de que o local se tornasse num espa\u00e7o de conv\u00edvio para visitantes, estudiosos e arque\u00f3logos. Foi uma decis\u00e3o que mereceu o louvor dos peritos e amantes da hist\u00f3ria de Eixo\u2026 e n\u00e3o s\u00f3.<br \/>\nPor\u00e9m, o que foi poss\u00edvel fazer, apesar dos limitad\u00edssimos recursos econ\u00f3micos, n\u00e3o correspondeu totalmente \u00e0 sonhada recupera\u00e7\u00e3o e \u00e0 defesa do monumento. Agora, numa visita de h\u00e1 dias, tive pena do seu avan\u00e7ado estado de degrada\u00e7\u00e3o, sem haver um cuidado conveniente pela mais antiga mem\u00f3ria da vila de Eixo. Urge melhorar a via do seu acesso, cuidar da sua prote\u00e7\u00e3o, consolidar a sua fr\u00e1gil estrutura, preencher juntas e lacunas e limp\u00e1-lo das ervas nascedi\u00e7as. E mais uma lembran\u00e7a: &#8211; Ser\u00e1 conveniente que, na sinal\u00e9tica, se substitua \u201cforno cer\u00e2mico\u201d (que pouco diz), por \u201cforno romano\u201d (que diz tudo).<br \/>\nTodos os eixenses &#8211; e mesmo os aveirenses &#8211; n\u00e3o podem desprezar mas devem estimar e conservar t\u00e3o preciosa raridade como objeto de vangl\u00f3ria e de estudo. O sesquimilen\u00e1rio forno romano jamais pode ser esquecido pela Autarquia, a qual tamb\u00e9m deve sentir a obriga\u00e7\u00e3o moral de defender a riqueza hist\u00f3rica da sua terra e da sua gente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; JO\u00c3O GON\u00c7ALVES GASPAR Padre e historiador &nbsp; Na vila de Eixo, na Costa das Ribas, em 12 de dezembro de 1985, foi casualmente descoberto um forno cer\u00e2mico, que logo se identificou como sendo um marco important\u00edssimo da \u00e9poca final da presen\u00e7a romana na nossa regi\u00e3o (s\u00e9c. III-V). 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