{"id":25988,"date":"2015-07-02T16:42:05","date_gmt":"2015-07-02T16:42:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=25988"},"modified":"2015-07-02T16:44:09","modified_gmt":"2015-07-02T16:44:09","slug":"o-amor-ao-proximo-e-criterio-de-gestao-em-muitas-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-amor-ao-proximo-e-criterio-de-gestao-em-muitas-empresas\/","title":{"rendered":"O amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 crit\u00e9rio de gest\u00e3o em muitas empresas"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25989\" aria-describedby=\"caption-attachment-25989\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/carloscosta2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25989 size-full\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/carloscosta2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/carloscosta2.jpg 450w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/carloscosta2-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25989\" class=\"wp-caption-text\">Carlos Gomes da Costa lan\u00e7a um desafio: que as empresas se candidatem \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o de \u201cfamiliarmente respons\u00e1veis\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Carlos Gomes da Costa, 60 anos, est\u00e1 \u00e0 frente do n\u00facleo de Aveiro da ACEGE (Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores) desde 2014. Formado em Engenharia Eletr\u00f3nica e Telecomunica\u00e7\u00f5es pela Universidade de Aveiro, \u00e9 s\u00f3cio fundador da empresa Optieng (www.optieng.com), dedicada a solu\u00e7\u00f5es de engenharia para a ind\u00fastria. \u00c9 casado, pai (dois filhos) e av\u00f4 (um neto). Est\u00e1 ligado ao movimento das Equipas de Nossa Senhora. Nesta entrevista fala do sexto congresso da ACEGE, que decorreu em Lisboa, nos dias 5 e 6 de junho, e reflete sobre a identidade do empres\u00e1rio e gestor cat\u00f3lico.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CORREIO DO VOUGA &#8211; Participou no recente congresso da ACEGE, que teve como tema \u201cUma cultura de gest\u00e3o e lideran\u00e7a \u00e0 luz do amor ao pr\u00f3ximo\u201d. \u00c9 poss\u00edvel gerir e liderar com amor ao pr\u00f3ximo?<\/strong><br \/>\n<strong>CARLOS GOMES COSTA<\/strong> &#8211; Existem dois valores crist\u00e3os que devem nortear a atividade empresarial, ambos contidos no C\u00f3digo de \u00c9tica da ACEGE. O primeiro \u00e9 que o valor social inestim\u00e1vel da empresa e a sua sustentabilidade constituem o bem maior a proteger pelo l\u00edder empresarial na sua a\u00e7\u00e3o e no processo tantas vezes complexo de tomada de decis\u00f5es. Cada empresa \u00e9 um bem social enorme e, precisamente por esse seu valor social t\u00e3o grande, a nossa prioridade \u00e9 assegurar a sua sustentabilidade. O segundo: o amor como crit\u00e9rio de lideran\u00e7a e de gest\u00e3o empresarial significa tratar os outros (o pr\u00f3ximo) como gostar\u00edamos de ser tratados se estiv\u00e9ssemos no lugar deles, a partir da informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel. E por \u201coutros\u201d entendemos todos aqueles que o amor alcan\u00e7a: colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade, concorrentes, futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com foi participar no congresso? Quais as grandes ideias real\u00e7adas?<\/strong><br \/>\nO tema do congresso n\u00e3o deixava ningu\u00e9m indiferente: \u201cUma cultura de gest\u00e3o e de lideran\u00e7a \u00e0 luz do amor ao pr\u00f3ximo\u201d. Foi um congresso reconhecido por todos os 325 que nele participaram como de um n\u00edvel alt\u00edssimo, n\u00e3o s\u00f3 pelo valor das pessoas que intervieram, do melhor que Portugal tem, como o modo como deram o seu testemunho. O congresso foi tocante, mesmo impressionante. E muito mobilizador.<br \/>\nPodemos resumir, muito sumariamente, o resultado do congresso como um passo \u201cda utopia \u00e0 pr\u00e1tica\u201d, isto porque \u201co amor ao pr\u00f3ximo enquanto crit\u00e9rio de gest\u00e3o\u201d evoluiu de uma vis\u00e3o idealista do presidente da ACEGE \u2013 Ant\u00f3nio Pinto Leite \u2013 para o quotidiano de muitos empres\u00e1rios e gestores que abra\u00e7aram o desafio e o inseriram na sua gest\u00e3o di\u00e1ria.<br \/>\nNo congresso, divididos por quatro pain\u00e9is, 16 oradores, do mundo acad\u00e9mico, das empresas, da consultoria e da Igreja, ofereceram a sua vis\u00e3o, com base em testemunhos diretos e honestos. N\u00e3o se furtaram a assumir os desafios e dificuldades que v\u00e3o encontrando no trilhar deste caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Falou-se no congresso da \u201cempresa como comunidade de pessoas\u201d, ideia que vem da doutrina social da Igreja. Na sua experi\u00eancia de empres\u00e1rio, \u00e9 vi\u00e1vel esta ideia?<\/strong><br \/>\nUma constata\u00e7\u00e3o \u00f3bvia \u00e9 que qualquer empresa \u00e9 constitu\u00edda por pessoas, ou, melhor dizendo, n\u00e3o existem empresas sem pessoas. O desafio que se p\u00f5e \u00e9 que as pessoas que constituem a empresa funcionem em comunidade de modo a que todos tenham o seu quinh\u00e3o de ser feliz, ou seja os acionistas, os trabalhadores, os clientes, os fornecedores, os concorrentes, as fam\u00edlias e a comunidade envolvente.<br \/>\nA vantagem de a empresa ser uma comunidade de pessoas e n\u00e3o um aglomerado de pessoas \u00e9 que o resultado para todos pode ser positivo e gerador de felicidade.<br \/>\nNa minha experi\u00eancia de 35 anos como empregado e de 10 anos como empres\u00e1rio, em v\u00e1rias empresas, constato sempre que quando a empresa, departamento ou sec\u00e7\u00e3o trabalha como comunidade de pessoas, o n\u00edvel de produtividade, de felicidade e de lucro \u00e9 sempre maior. \u00c9 mais f\u00e1cil de atingir os objetivos tra\u00e7ados em conjunto.<br \/>\nIsto tem muito a ver com o amor, como real\u00e7ou D. Manuel Clemente numa das interven\u00e7\u00f5es. O cardeal-patriarca lamentou que a palavra amor, de t\u00e3o usada e abusada, tenha, muitas vezes, perdido o seu significado, e definiu a vida de amor como \u201cuma vida polarizada no outro, mas que em si mesma se realiza\u201d. Lembrou as palavras de Jesus, \u201cningu\u00e9m tem maior amor do que aquele que d\u00e1 a vida pelos seus amigos\u201d para sublinhar depois que \u201co maior lucro que uma empresa tem \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o pessoal dos seus membros\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m do congresso, que \u00e9 um espa\u00e7o importante de reflex\u00e3o, que outras iniciativas promove a ACEGE?<\/strong><br \/>\nUma proposta global da ACEGE \u00e9 a respeitar no dia a dia das empresas o C\u00f3digo de \u00c9tica. A\u00ed se diz, precisamente, em linha com o que reflet\u00edamos h\u00e1 pouco, que \u201cacreditamos que a \u00e9tica crist\u00e3 ou nasce e se estrutura a partir do Amor, ou n\u00e3o \u00e9\u201d.<br \/>\nMas s\u00e3o v\u00e1rias as obras que a ACEGE desenvolve, em defesa do bem comum. Em primeiro lugar, a nossa obra social, o Fundo Bem Comum, o qual apoia, em regime de capital de risco, projetos empresariais para desempregados com mais de 40 anos. Em segundo lugar, o Programa AconteSer \u2013 Liderar com Responsabilidade, em alian\u00e7a com a CIP, o IAPMEI, a APIFARMA e a CGD. Trata-se de um programa com apoio da Uni\u00e3o Europeia de promo\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de lideran\u00e7a nas PME, envolvendo associa\u00e7\u00f5es empresariais sectoriais e regionais e c\u00e2maras municipais. Este programa assenta na convic\u00e7\u00e3o de que a gest\u00e3o com virtude \u00e9 aquela que torna as empresas mais competitivas. Num s\u00f3 ano, realiz\u00e1mos mais de 100 reuni\u00f5es, por todo o pa\u00eds, envolvendo cerca de 2.000 l\u00edderes empresariais. Em terceiro lugar, a nossa luta pelo equil\u00edbrio da vida pessoal e familiar dos trabalhadores com a sua vida profissional. Estabelecemos, este ano, uma parceria com a prestigiada funda\u00e7\u00e3o espanhola, a Fundaci\u00f3n \u201cM\u00e1s Fam\u00edlia\u201d (Funda\u00e7\u00e3o \u201cMais Fam\u00edlia\u201d), e a ACEGE \u00e9 hoje a entidade co-emissora em Portugal do certificado de empresa familiarmente respons\u00e1vel.<br \/>\nO Ant\u00f3nio Pinto Leite lan\u00e7ou um desafio concreto a todos os empres\u00e1rios e gestores: contactem a ACEGE no sentido de candidatarem as respetivas empresas \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o de empresa familiarmente respons\u00e1vel. Lan\u00e7o aqui o mesmo desafio.<br \/>\nPor \u00faltimo, a luta contra o flagelo dos pagamentos n\u00e3o pontuais entre empresas. Segundo o estudo encomendado pela ACEGE, perdem-se em Portugal, por ano, 14.000 postos de trabalho por este fator. N\u00e3o se trata de um desastre econ\u00f3mico apenas, trata-se de um desastre humanit\u00e1rio tamb\u00e9m. Em parceria com a CIP, o IAPMEI, a APIFARMA e a CGD, prosseguimos uma luta que se iniciou h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 resultados desta campanha de pagamentos a horas, que tem tido muito destaque pelo menos em algumas r\u00e1dios nacionais?<\/strong><br \/>\nSim. Existem resultados animadores e esperan\u00e7osos. Aderiram ao Compromisso Pagamento Pontual, j\u00e1 em 2015, 400 empresas e at\u00e9 uma c\u00e2mara municipal, a de Arganil. A ACEGE tamb\u00e9m lan\u00e7a a todos os l\u00edderes empresariais, cat\u00f3licos ou n\u00e3o, um desafio: leve a sua empresa a aderir ao Compromisso Pagamento Pontual, a comprometer-se, com autenticidade, a n\u00e3o contribuir para o sofrimento social que este flagelo provoca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 a ACEGE em Aveiro?<\/strong><br \/>\nA Acege tem cerca de 1.000 associados ao n\u00edvel nacional e mais ou menos 10 associados no N\u00facleo de Aveiro. Digo \u201cmais ou menos\u201d, porque nem todos s\u00e3o ativos devido \u00e0 multiplicidade de afazeres profissionais. A ACEGE em Aveiro est\u00e1 num per\u00edodo de relan\u00e7amento das atividades e de mobiliza\u00e7\u00e3o de novos s\u00f3cios tamb\u00e9m para dinamizar o trabalho de reflex\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos grupos de \u201cCristo nas Empresas\u201d. O objetivo do N\u00facleo de Aveiro \u00e9, a curto prazo, consolidar um grupo de associados interventivos e mobilizadores de outros de forma a que a mensagem de Cristo seja uma pr\u00e1tica di\u00e1ria da gest\u00e3o das empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Visto de fora, parece que os empres\u00e1rios e gestores de Aveiro s\u00e3o pouco dados a uma associa\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Est\u00e1 correta esta ideia?<\/strong><br \/>\nSer empres\u00e1rio e gestor crist\u00e3o em Aveiro \u00e9 o mesmo que em qualquer outra regi\u00e3o. Existem muitos empres\u00e1rios e gestores que nas suas empresas e organiza\u00e7\u00f5es d\u00e3o o exemplo da gest\u00e3o com amor ao pr\u00f3ximo, sem alardes ou publicidade \u201cenganosa\u201d.<br \/>\nO IAPMEI atribuiu o estatuto de \u201cPME Excel\u00eancia 2014\u201d a 240 empresas do Distrito de Aveiro, o que representa um aumento de 52 por cento, por compara\u00e7\u00e3o com o ano passado, quando foram distinguidas 157 firmas.<br \/>\n\u00c9 isto um sinal de resili\u00eancia, de m\u00e9rito e tamb\u00e9m de Gest\u00e3o com Amor ao Pr\u00f3ximo, sublinho eu, sobre a performance das pequenas e m\u00e9dias empresas galardoadas.<br \/>\nO aveirense \u00e9 por natureza mais fazedor do que teorizador.<br \/>\nSeria importante que mais empresas fizessem parte da ACEGE, mas como se costuma dizer \u201co caminho faz-se caminhando\u201d, todos os dias, iluminados por Cristo Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para terminar, o gestor ou empres\u00e1rio crist\u00e3o \u00e9 diferente daquele que n\u00e3o se reposta a Jesus Cristo?<\/strong><br \/>\nUm empres\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 melhor do que os outros apenas porque \u00e9 crist\u00e3o. Ser\u00e1 diferente da generalidade, isso sim, se viver com verdade o cristianismo. Porque o amor ser\u00e1 o seu crit\u00e9rio de discernimento \u00e9tico e o seu crit\u00e9rio de gest\u00e3o. E isto n\u00e3o \u00e9 comum e faz toda a diferen\u00e7a. O amor como crit\u00e9rio de gest\u00e3o n\u00e3o significa dar a empresa aos pobres ou n\u00e3o competir com os nossos concorrentes. Pelo contr\u00e1rio, trata-se do crit\u00e9rio de gest\u00e3o mais exigente, no plano pessoal e empresarial, para n\u00f3s mesmos e para os outros que integram a nossa empresa ou interagem com ela. Para mim, pessoalmente, ser crist\u00e3o \u00e9 uma mais-valia na lideran\u00e7a empresarial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Carlos Gomes da Costa, 60 anos, est\u00e1 \u00e0 frente do n\u00facleo de Aveiro da ACEGE (Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores) desde 2014. 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