{"id":26025,"date":"2015-07-15T11:22:09","date_gmt":"2015-07-15T11:22:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26025"},"modified":"2015-07-15T11:22:09","modified_gmt":"2015-07-15T11:22:09","slug":"a-grecia-explicada-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-grecia-explicada-as-criancas\/","title":{"rendered":"A Gr\u00e9cia explicada \u00e0s crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24407\" aria-describedby=\"caption-attachment-24407\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24407\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela.jpg\" alt=\"Joana Portela M\u00e3e e Revisora de Texto\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24407\" class=\"wp-caption-text\">Joana Portela<br \/>M\u00e3e e Revisora de Texto<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>De que armas disporemos, sen\u00e3o destas<\/em><br \/>\n<em>Que est\u00e3o dentro do corpo: o pensamento, <\/em><br \/>\n<em>A ideia de polis, resgatada<\/em><br \/>\n<em>De um grande abuso, uma no\u00e7\u00e3o de casa<\/em><br \/>\n<em>E de hospitalidade e de barulho<\/em><br \/>\n<em>Atr\u00e1s do qual vem o poema, atr\u00e1s<\/em><br \/>\n<em>Do qual vir\u00e1 a colec\u00e7\u00e3o dos feitos<\/em><br \/>\n<em>E defeitos humanos, um in\u00edcio.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e9lia Correia, in<em> A Terceira Mis\u00e9ria<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, um par de boas not\u00edcias reenviou-me para uma Gr\u00e9cia l\u00edmpida e luminosa: a escritora H\u00e9lia Correia \u2013 ela que, nas palavras do seu editor, \u201cparece muitas vezes acabada de chegar da Gr\u00e9cia Antiga\u201d \u2013 foi a justa laureada do Pr\u00e9mio Cam\u00f5es 2015. H\u00e9lia e a sua H\u00e9lade,<em> \u201cdeixando sempre \/ Um rasto extraordin\u00e1rio\u201d<\/em>, avultam a nossa literatura, cinzelam o nosso pensamento. Bastaria isto para fazer da Gr\u00e9cia o centro do mundo deste meu texto.<br \/>\nMas dias antes, chegou outra not\u00edcia auspiciosa: o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o anunciava, para o pr\u00f3ximo ano lectivo, o regresso da cultura cl\u00e1ssica \u00e0s escolas b\u00e1sicas e secund\u00e1rias, depois de 10 anos de ostracismo. <em>Gaudeamos igitur<\/em>! Na d\u00e9cada passada, os tecnocratas do \u00datil e dos choques tecnol\u00f3gicos exilaram do nosso ensino as l\u00ednguas e culturas da Antiguidade Cl\u00e1ssica\u2026 E, no entanto, l\u00e1 estava, no exame nacional de Portugu\u00eas, a sempre hel\u00e9nica e silabada voz de Sophia de Mello Breyner a surpreender os alunos. Como compreender Sophia sem conhecer os Gregos? Como compreender Portugal sem conhecer Sophia?<br \/>\nSem um lastro de cultura cl\u00e1ssica, como entender H\u00e9lia Correia ou Eug\u00e9nio de Andrade ou Ricardo Reis ou Cam\u00f5es ou\u2026 enfim, a literatura ocidental contempor\u00e2nea e as l\u00ednguas europeias neolatinas? Como compreender o que \u00e9 a pol\u00edtica da <em>polis<\/em> e a democracia do <em>demos<\/em>? Ou, t\u00e3o-s\u00f3, como perceber a divertida par\u00f3dia de Jos\u00e9 Diogo Quintela intitulada \u201cPedantismo \u00e0 volta da Gr\u00e9cia\u201d no jornal <em>P\u00fablico<\/em>? Ali\u00e1s, esta cr\u00f3nica humor\u00edstica, que bate \u201co recorde mundial de refer\u00eancias cl\u00e1ssicas em textos sobre a situa\u00e7\u00e3o grega\u201d, pode ser aproveitada pelos professores (ou melhor: pedagogos) como ponto de partida para um instrutivo p\u00e9riplo pela Hist\u00f3ria e mitologia cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/grecia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-26026\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/grecia.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/grecia.jpg 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/grecia-150x150.jpg 150w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/grecia-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nA Gr\u00e9cia Antiga \u2013 n\u00e3o esque\u00e7amos \u2013 \u00e9 a raiz da Europa: a matriz da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, a fonte do nosso pensamento, a (re)inven\u00e7\u00e3o da <em>polis<\/em> onde educamos crian\u00e7as e jovens para a democracia, para serem cidad\u00e3os de <em>mens sana in corpore sano<\/em>. Como explicar a Europa de hoje aos mais novos, se pouco conhecem da Gr\u00e9cia de ontem? Para ajudar pais e educadores a embarcar com os mi\u00fados numa odisseia pela geografia, Hist\u00f3ria e cultura do mundo cl\u00e1ssico \u2013 onde se fundam os pilares da nossa pr\u00f3pria l\u00edngua e identidade, mas tamb\u00e9m as colunas j\u00f3nicas da ci\u00eancia, da filosofia e da<em> humanitas europeia<\/em> \u2013, aqui ficam algumas sugest\u00f5es para que os mais novos possam conhecer a Gr\u00e9cia a uma outra luz.<br \/>\nRegressemos a H\u00e9lia Correia, autora de uma colec\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as, <em>Mopsos, o Pequeno Grego<\/em> (com selo Ler +), que as leva numa viagem pelos locais e rituais sagrados da Gr\u00e9cia Cl\u00e1ssica. Est\u00e3o dispon\u00edveis dois t\u00edtulos: <em>O Ouro de Delfos<\/em> e <em>A Coroa de Ol\u00edmpia<\/em>. Mopsos, de 8 anos, \u201cir\u00e1 assumir a fun\u00e7\u00e3o de conduzir a curiosidade de um p\u00fablico infantil no desvendar dos tesouros insuspeitados da cultura grega. Mas tamb\u00e9m para os adultos, o relato de H\u00e9lia reserva um fasc\u00ednio particular. Sob o exterior atraente de um conto para crian\u00e7as, a Autora procura abordar, de uma forma \u00e1gil, motivos que s\u00e3o o sustent\u00e1culo de uma cultura.\u201d (M.F. Silva)<br \/>\nNas livrarias e bibliotecas portuguesas, ao contr\u00e1rio do que acontece nas cong\u00e9neres inglesas, por exemplo, escasseiam as obras infanto-juvenis sobre mitologia ou cultura cl\u00e1ssica. Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel encontrar alguns t\u00edtulos, em linguagem descontra\u00edda e tom humor\u00edstico, sobre aspectos da civiliza\u00e7\u00e3o grega: <em>N\u00e3o Queiras Ser Um Atleta Grego<\/em> (Gailivro) ou <em>Gregos Baris<\/em> (Europa-Am\u00e9rica, colec\u00e7\u00e3o \u201cHist\u00f3ria Horr\u00edvel\u201d). O meu filho, que ao jantar me pede que lhe conte \u201cmais coisas sobre os Gregos antigos\u201d, entusiasma-se sozinho com este tipo de livros, com os quais aprende sobre a Antiguidade Cl\u00e1ssica enquanto d\u00e1 uma boa gargalhada, pois a t\u00f3nica recai nas trivialidades, coisas estranhas ou desagrad\u00e1veis (apresentadas de forma divertida) que habitualmente n\u00e3o constam dos livros de Hist\u00f3ria.<br \/>\nPara agradar a gregos e troianos, a netos e av\u00f3s, h\u00e1 duas not\u00e1veis excep\u00e7\u00f5es:<em> A Il\u00edada e A Odisseia de Homero Adaptada para Jovens<\/em> por Frederico Louren\u00e7o (Cotovia), \u201cuma obra com todas as potencialidades para atrair os mais novos para o conhecimento da Antiguidade Cl\u00e1ssica.\u201d Embora destinadas a um p\u00fablico jovem, n\u00e3o excluem leitores de todas as idades. Sendo as primeiras obras da cultura ocidental, a<em> Il\u00edada<\/em> e a <em>Odisseia<\/em> s\u00e3o, ainda hoje, narrativas actuais \u201csobre as grandes quest\u00f5es que a vida nos coloca, sobre os seus tremendos desafios e sobre as escolhas que nos obriga a fazer.\u201d Ou, com palavras de H\u00e9lia: \u201c<em>a colec\u00e7\u00e3o dos feitos \/ E defeitos humanos<\/em>\u201d.<br \/>\nE quem sabe se o entusiasmo pelas aventuras radicais do super-homem Ulisses, pela cilada do Cavalo de Tr\u00f3ia ou a tocante despedida de Heitor e Andr\u00f3maca n\u00e3o despertam nos jovens a vontade de participar em leituras p\u00fablicas como as que ocorrem nos A\u00e7ores: \u201cum programa \u00fanico no pa\u00eds que divulga os grandes cl\u00e1ssicos da literatura grega aos jovens estudantes de Angra do Hero\u00edsmo, que passam os tempos livres em leituras p\u00fablicas integrais destas obras.\u201d A este prop\u00f3sito, vale a pena ler a reportagem \u201cA Rep\u00fablica que mudou mentes\u201d (dispon\u00edvel na <em>net<\/em>) e ouvir a voz dos jovens sobre a import\u00e2ncia dos cl\u00e1ssicos na sua forma\u00e7\u00e3o humana, c\u00edvica e como instrumento de prepara\u00e7\u00e3o para a vida.<br \/>\nTamb\u00e9m o teatro, cria\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito grego, tinha esta fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de \u201cmudar mentes\u201d. Em Atenas era, acima de tudo, um poderoso ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica e educa\u00e7\u00e3o permanente do povo, dos 8 aos 80. Ora, explicar a Gr\u00e9cia \u00e0s crian\u00e7as e jovens passa, tamb\u00e9m, por lev\u00e1-los a pisar os anfiteatros onde,<em> hic et nunc<\/em>, se continuam a representar as obras-primas, intemporais, do teatro cl\u00e1ssico. Como compreender, no \u00e2mago, o recente N\u00c3O dos Gregos, sem ter ouvido ressoar a voz perene e insubmissa de Ant\u00edgona? Pelos palcos portugueses, vai havendo oportunidades de reviver a Gr\u00e9cia (a este prop\u00f3sito, vale a pena ler <em>Manual de Leitura: Ant\u00edgona<\/em>, do Teatro Nacional de S. Jo\u00e3o, dispon\u00edvel na net). Al\u00e9m disso, todos os anos, o grupo de teatro Th\u00edasos, de Coimbra, organiza um Festival Internacional de Teatro de Tema Cl\u00e1ssico, com espect\u00e1culos espalhados pelo pa\u00eds e actividades paralelas para as escolas. Levar os mi\u00fados ao teatro cl\u00e1ssico \u00e9 uma experi\u00eancia pedag\u00f3gica decerto muito mais indel\u00e9vel e potenciadora de um eureka do que passar os dedos pelo<em> tablet<\/em> \u00e0 procura do Rei \u00c9dipo.<br \/>\nPorque considero fundamental resgatar a Gr\u00e9cia Antiga para os mais novos? Porque, no fundo, somos todos gregos, herdeiros dessa \u201cGr\u00e9cia, cuja voz ainda paira sobre as nossas mais preciosas palavras, entre as quais, quase intacta, a poesia. [\u2026] Gr\u00e9cia, sem a qual n\u00e3o ter\u00edamos aprendido a beleza.\u201d (H\u00e9lia Correia, na entrega do Pr\u00e9mio Cam\u00f5es).<br \/>\nA Gr\u00e9cia? <em>Um in\u00edcio<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De que armas disporemos, sen\u00e3o destas Que est\u00e3o dentro do corpo: o pensamento, A ideia de polis, resgatada De um grande abuso, uma no\u00e7\u00e3o de casa E de hospitalidade e de barulho Atr\u00e1s do qual vem o poema, atr\u00e1s Do qual vir\u00e1 a colec\u00e7\u00e3o dos feitos E defeitos humanos, um in\u00edcio. &nbsp; H\u00e9lia Correia, in [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-26025","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26025","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26025"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26025\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26027,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26025\/revisions\/26027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}