{"id":26028,"date":"2015-07-15T11:23:14","date_gmt":"2015-07-15T11:23:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26028"},"modified":"2015-07-15T11:23:14","modified_gmt":"2015-07-15T11:23:14","slug":"a-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-agua\/","title":{"rendered":"A \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da B\u00edblia, lemos que o Esp\u00edrito de Deus pairava sobre as \u00e1guas. Imagino um lago seren\u00edssimo, num bosque ou floresta, com uma neblina intensa a cobri-lo. Pura paz. A paz do Deus Criador, que revolveria esta \u00e1gua com o g\u00e9rmen de vida. Numa conson\u00e2ncia curiosa entre B\u00edblia e ci\u00eancia, a vida surge da \u00e1gua, por um processo evolutivo que chegou aos mam\u00edferos, de onde sobressai o ser humano.<br \/>\nTudo veio da \u00e1gua na velha cria\u00e7\u00e3o, destru\u00edda pelo poder da \u00e1gua revoltosa do dil\u00favio e de novo recriada pela serenidade da bonan\u00e7a debaixo das cores de um arco-\u00edris, s\u00edmbolo de uma Alian\u00e7a de Amor que Deus nunca quebrou, mas renovou quando esse mesmo Esp\u00edrito cobriu com a sua sombra Maria de Nazar\u00e9 e nos deu, Nela, a Arca da Nova Alian\u00e7a, o Senhor da Nova cria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 Jesus, vivo e ressuscitado. A \u00e1gua \u00e9, pois, casada com o Esp\u00edrito, o s\u00edmbolo dos renascidos na nova cria\u00e7\u00e3o, pelo batismo, dos que v\u00e3o adorar em esp\u00edrito e verdade.<br \/>\nA \u00e1gua aparece muitas vezes como elemento preferencial de simbologia b\u00edblica, seja cristalina, como a que nos oferece o bom pastor; como aquelas que o veado anseia e que banham a cidade de Deus, fertilizando as \u00e1rvores que est\u00e3o no seu caminho; ou aquelas que s\u00e3o d\u00f3ceis \u00e0s ordens de Mois\u00e9s ou Josu\u00e9, ao abrirem-se para a passagem do Povo de Deus; a \u00e1gua que torna a pele de Naam\u00e3 como a de um beb\u00e9, depois de vencida a lepra; a \u00e1gua prometida \u00e0 samaritana como inesgot\u00e1vel e viva; ou onde Jesus submergiu ao ser batizado; \u00e1gua que corre viva do cora\u00e7\u00e3o do crente, como prometeu Jesus; \u00e1gua que um dia caiu sobre um Israel sedento, ao grito de Elias, precedida de uma nuvenzinha branca, que a espiritualidade dos m\u00edsticos via ser s\u00edmbolo de Maria; a \u00e1gua que jorrou da pedra sob a ordem de um Mois\u00e9s vacilante na f\u00e9; a \u00e1gua que um dia passou a ser vinho nas bodas de Can\u00e1.<br \/>\n\u00c1gua que \u00e9 s\u00edmbolo de vida abundante, na natureza e na hist\u00f3ria do Antigo e do Novo Testamento, do Antigo e do Novo Povo de Deus. Mas essa \u00e1gua, t\u00e3o serena e doce, pode transformar-se em s\u00edmbolo de morte quando n\u00e3o respeita os limites que Deus lhe imp\u00f4s e se transforma em chuva assassina, por vezes petrificada em gelo ou neve; a avalanche que mata, ou o desmoronamento que sufoca; a inunda\u00e7\u00e3o que arrasta; o tsunami que destr\u00f3i.<br \/>\n\u00c1gua agitada e revoltada, no mar de Tiber\u00edades, quando Jesus dormia no barco. \u00c1gua cujos abismos e imensid\u00e3o geraram medos e mitos, desde os da Gr\u00e9cia at\u00e9 ao Adamastor dos \u201cLus\u00edadas\u201d. \u00c1gua que afoga o marinheiro e o pescador. \u00c1gua que nega o sustento ao recusar o peixe. \u00c1gua que seca ou n\u00e3o cai em dias de ver\u00e3o prolongado e faz morrer a natureza, tamb\u00e9m pela sua aus\u00eancia. \u00c1gua cujo abismo profundo \u00e9 t\u00e3o desconhecido para o homem como o universo das gal\u00e1xias. \u00c1gua que a cosmogonia israelita pensava estar a suster os alicerces da terra e envolvia tudo, abrindo suas comportas para deixar cair a chuva.<br \/>\nEsse lado da \u00e1gua, digamos, mais negativo, sobretudo em S\u00e3o Marcos, ajuda a entender o poder de Cristo sobre as for\u00e7as do mal que aflige o homem. Ele impera sobre ventos e tempestades, domina as ondas e at\u00e9 caminha sobre elas. Ele a oferece abundante qual bom pastor, e para o seu abismo envia os porcos, que podem ser s\u00edmbolos do impuro que mata a beleza interior do homem.<br \/>\nEle \u00e9 o Senhor das \u00c1guas e do Cosmos. Por isso, a \u00e1gua b\u00edblica, no que tem de atraente, \u00e9 s\u00edmbolo do amor de Deus nas nossas vidas. E, no que tem de aterrador, \u00e9 s\u00edmbolo da vit\u00f3ria de Deus, nas nossas lutas.<br \/>\nO desafio do Papa Francisco \u00e9 de miss\u00e3o e de conserva\u00e7\u00e3o, para que o mundo continue a existir como lugar onde homens e animais convivem com Deus \u00e0 espera do para\u00edso prometido, banhado pelas \u00e1guas serenas que o Esp\u00edrito Santo cobre e vivifica\u2026<\/p>\n<p><strong>Vitor Espadilha<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da B\u00edblia, lemos que o Esp\u00edrito de Deus pairava sobre as \u00e1guas. 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