{"id":26088,"date":"2015-07-30T15:00:31","date_gmt":"2015-07-30T15:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26088"},"modified":"2015-07-30T15:01:25","modified_gmt":"2015-07-30T15:01:25","slug":"roteiro-queirosiano-em-terras-aveirenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/roteiro-queirosiano-em-terras-aveirenses\/","title":{"rendered":"Roteiro queirosiano em terras aveirenses"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26090\" aria-describedby=\"caption-attachment-26090\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/eca.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26090\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/eca.jpg\" alt=\"Casa do av\u00f4 de E\u00e7a de Queir\u00f3s, em Verdemilho, Aradas\" width=\"700\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/eca.jpg 700w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/eca-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26090\" class=\"wp-caption-text\">Casa do av\u00f4 de E\u00e7a de Queir\u00f3s, em Verdemilho, Aradas<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na regi\u00e3o de Aveiro h\u00e1 refer\u00eancias suficientes para se criar um roteiro queirosiano, ainda que alguns membros da fam\u00edlia do escritor (Jos\u00e9 Maria) E\u00e7a de Queir\u00f3s \u2013 nomeadamente o seu av\u00f4 Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s, o seu tio-av\u00f4 Fernando Jos\u00e9 de Queir\u00f3s e o seu pai, Jos\u00e9 Maria de Almeida Teixeira de Queir\u00f3s, \u2013 mere\u00e7am, por si s\u00f3, figurar na hist\u00f3ria aveirense.<br \/>\nO centro nevr\u00e1lgico desse roteiro queirosiano \u00e9 o lugar de Verdemilho, na freguesia de Aradas, onde se situa a velha e arruinada casa da Quinta da Torre, propriedade que pertenceu a Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s e onde E\u00e7a de Queir\u00f3s passou alguns anos da sua inf\u00e2ncia.<br \/>\nEm Verdemilho nasceu, no dia 15 de novembro de 1851, Alberto E\u00e7a de Queir\u00f3s, irm\u00e3o do escritor.<br \/>\nAinda na freguesia de Aradas situa-se o cemit\u00e9rio do Outeirinho, junto \u00e0 Igreja Matriz, onde se localiza o jazigo dos seus av\u00f3s paternos, a sua tia Ana Lib\u00e2nia e o seu tio paterno Bernardo.<br \/>\nQuando E\u00e7a de Queir\u00f3s morreu em Neully-sur-Seine (Fran\u00e7a), no dia 16 de agosto de 1900, o funeral esteve agendado para ter lugar em Verdemilho, o que n\u00e3o veio a acontecer. No entanto, em 17 de dezembro de 1932, Em\u00edlia de Castro Pamplona, vi\u00fava de E\u00e7a de Queir\u00f3s, escreveu a Lu\u00eds de Magalh\u00e3es, filho do parlamentar Jos\u00e9 Estev\u00e3o Coelho de Magalh\u00e3es e grande amigo da fam\u00edlia Queir\u00f3s, admitindo a possibilidade de transladar os restos mortais do escritor para o cemit\u00e9rio de Aradas, n\u00e3o para o jazigo dos av\u00f3s de E\u00e7a, mas para um novo. Tamb\u00e9m isso nunca aconteceu, possivelmente porque Em\u00edlia de Castro Pamplona e Lu\u00eds de Magalh\u00e3es morreram, respetivamente, no dia 5 de junho de 1934 e 14 de dezembro de 1935.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Costa Nova e Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nDepois de Verdemilho, a Costa Nova \u00e9 a mais queirosiana terra aveirense, por ser o local onde o escritor passou f\u00e9rias v\u00e1rias vezes, n\u00e3o s\u00f3 na companhia da sua esposa Em\u00edlia de Castro Pamplona, mas tamb\u00e9m com outros vultos das letras e da cultura, como Oliveira Martins e Antero de Quental, entre outros.<br \/>\n\u201c\u2026E eu considero a Costa Nova um dos mais deliciosos pontos do globo. \u00c9 verdade que est\u00e1vamos l\u00e1 em grande alegria e no excelente palheiro de Jos\u00e9 Estev\u00e3o\u201d, escreveu E\u00e7a de Queir\u00f3s em julho de 1893. Numa outra carta, datada possivelmente do ano seguinte, o escritor referia que \u201cfilho de Aveiro, educado na Costa Nova, quase peixe da ria, eu n\u00e3o preciso que me mandem ao meu encontro caleches e barca\u00e7as. Eu sei ir por meu pr\u00f3prio p\u00e9 ao velho e conhecido palheiro de Jos\u00e9 Estev\u00e3o\u201d.<br \/>\nE\u00e7a de Queir\u00f3s era um grande amigo de Lu\u00eds de Magalh\u00e3es, propriet\u00e1rio do palheiro adquirido pelo pai, Jos\u00e9 Estev\u00e3o. Lu\u00eds de Magalh\u00e3es confidenciou que foi no famoso palheiro de Jos\u00e9 Estev\u00e3o que E\u00e7a de Queir\u00f3s acertou o seu casamento com Em\u00edlia Castro Pamplona, numa estadia em que tamb\u00e9m esteve presente a sua futura sogra, a condessa de Resende.<br \/>\nJ\u00e1 na sua inf\u00e2ncia, E\u00e7a de Queir\u00f3s tinha andado pelos areais da Costa Nova, uma vez que o seu avo paterno, Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s a\u00ed possu\u00eda um palheiro.<br \/>\nPor isso, a Costa Nova \u00e9 repetidamente referida na correspond\u00eancia de E\u00e7a de Queir\u00f3s, bem como serviu de inspira\u00e7\u00e3o para alguns trechos das suas obras.<br \/>\nNesse tempo, nas suas desloca\u00e7\u00f5es para a Costa Nova, E\u00e7a de Queir\u00f3s usava o comboio at\u00e9 a Aveiro e, daqui at\u00e9 \u00e0 praia, tanto ia de barco pela ria como em carro de bois pelos areais da Gafanha at\u00e9 ao cais da Gafanha da Gramata (atual Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o), atravessando depois a ria na antiga barca que fazia a travessia entre aquela Gafanha e a Costa Nova.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aveiro e \u00cdlhavo<\/strong><br \/>\nNa idade adulta, poucas s\u00e3o as refer\u00eancias de E\u00e7a de Queir\u00f3s na cidade de Aveiro, sabendo-se que a esta\u00e7\u00e3o dos comboios era, geralmente, o seu local de chegada e de partida.<br \/>\nMesmo assim, o escritor incluiu motivos aveirenses nos seus romances, nomeadamente o t\u00edpico gab\u00e3o de Aveiro e os ovos-moles de Aveiro, j\u00e1 famosos nessa altura.<br \/>\nAurora E\u00e7a de Queir\u00f3s, irm\u00e3 do escritor, nasceu na cidade de Aveiro (freguesia da Vera Cruz), no dia 30 de setembro de 1853, onde tamb\u00e9m foi batizada.<br \/>\nO pai de E\u00e7a de Queir\u00f3s, Jos\u00e9 Maria de Almeida Teixeira de Queir\u00f3s, residiu na cidade de Aveiro, na ent\u00e3o Rua Larga (hoje, Rua Jos\u00e9 Estev\u00e3o) numa casa onde atualmente se ergue o palacete que pertenceu ao Visconde de Vale de Mouro e onde funcionou o Centro Diocesano de Pastoral. Nos primeiros meses de 1852, a par da advocacia, o pai do romancista era o redator principal do \u201cCampe\u00e3o do Vouga\u201d, jornal que se come\u00e7ou a publicar em Aveiro no dia 14 de fevereiro de 1852.<br \/>\nTamb\u00e9m na Rua Larga viveu (e morreu) Ana Lib\u00e2nia, tia de E\u00e7a de Queir\u00f3s.<br \/>\nBernardo Teixeira de Almeida Queir\u00f3s, tio do escritor, foi presidente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro no ano de 1842, cidade onde tamb\u00e9m desempenhou as fun\u00e7\u00f5es de correio.<br \/>\nA vizinha cidade de \u00cdlhavo tamb\u00e9m entra no roteiro queirosiano, por ser a terra onde nasceram os tios de E\u00e7a de Queir\u00f3s: Joaquim Augusto Almeida Teixeira de Queir\u00f3s (10\/11\/1816) e Bernardo Teixeira de Almeida Queir\u00f3s (26\/12\/1817).<br \/>\nNuma das raras visitas que E\u00e7a de Queir\u00f3s realizou a Verdemilho, visitou a Quinta da Medela, no lugar ilhavense de Ribas. A viagem foi efetuada a partir da Costa Nova, por barco at\u00e9 \u00e0 Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o, e depois por terra, at\u00e9 Verdemilho, passando por \u00cdlhavo.<br \/>\nEm \u00cdlhavo residiu a tia de E\u00e7a de Queir\u00f3s, Maria Em\u00edlia de Almeida Queir\u00f3s, casada com o ilhavense conselheiro Ant\u00f3nio Jos\u00e9 da Rocha, cuja biblioteca (e parte da de Joaquim Jos\u00e9 Queir\u00f3s) foi herdada por Rocha Madail, sobrinho deste ilhavense.<br \/>\n<strong>Quint\u00e3s, Eixo e Vagos<\/strong><br \/>\nRecuando no tempo, surge o lugar de Quint\u00e3s, onde nasceram Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s (9\/1\/1774) e Fernando Jos\u00e9 de Queir\u00f3s (3\/6\/1781). O primeiro notabilizou-se por liderar a falhada revolu\u00e7\u00e3o liberal de 16 de maio de 1828 e, posteriormente, por exercer diversos cargos p\u00fablicos e pol\u00edticos. O segundo foi um not\u00e1vel ator, dramaturgo e diretor do Teatro Nacional da Rua dos Condes (Lisboa). Um, como o outro, aparecem retratados em personagens de romances de E\u00e7a de Queir\u00f3s.<br \/>\nOs pais de Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s \u2013 Jos\u00e9 Marcelino Pr\u00f3spero (natural da freguesia de S. Salvador de Riba T\u00e2mega) e Joana Leonor (natural das Quint\u00e3s), casaram em Eixo, na Igreja de Santo Isidoro, no dia 10 de fevereiro de 1771.<br \/>\nNos anos de 1787 e 1788, Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s trabalhou no cart\u00f3rio onde o seu pai, Jos\u00e9 Marcelino Pr\u00f3spero, exercia o of\u00edcio de escriv\u00e3o, em Vagos.<\/p>\n<p><strong>Cardoso Ferreira<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na regi\u00e3o de Aveiro h\u00e1 refer\u00eancias suficientes para se criar um roteiro queirosiano, ainda que alguns membros da fam\u00edlia do escritor (Jos\u00e9 Maria) E\u00e7a de Queir\u00f3s \u2013 nomeadamente o seu av\u00f4 Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s, o seu tio-av\u00f4 Fernando Jos\u00e9 de Queir\u00f3s e o seu pai, Jos\u00e9 Maria de Almeida Teixeira de Queir\u00f3s, \u2013 mere\u00e7am, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-26088","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26088"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26088\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26091,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26088\/revisions\/26091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}