{"id":26109,"date":"2015-08-28T15:37:00","date_gmt":"2015-08-28T15:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26109"},"modified":"2015-08-28T15:40:09","modified_gmt":"2015-08-28T15:40:09","slug":"jornal-do-vaticano-lembra-pioneirismo-do-bucaco-na-protecao-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/jornal-do-vaticano-lembra-pioneirismo-do-bucaco-na-protecao-da-natureza\/","title":{"rendered":"Jornal do Vaticano lembra pioneirismo do Bu\u00e7aco na prote\u00e7\u00e3o da natureza"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26110\" aria-describedby=\"caption-attachment-26110\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/escadaria.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26110\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/escadaria.jpg\" alt=\"Escadaria da Mata do Bu\u00e7aco\" width=\"525\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/escadaria.jpg 525w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/escadaria-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26110\" class=\"wp-caption-text\">Escadaria da Mata do Bu\u00e7aco<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Excerto do texto publicado no dia 23 de julho na edi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria do \u201cL\u2019Osservatore Romano\u201d, em italiano, e no dia 30 do mesmo m\u00eas na edi\u00e7\u00e3o semanal em portugu\u00eas.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, horizontes e paradeiros ricos de beleza, harmonia, calma e sil\u00eancio \u2014 reminisc\u00eancias de um para\u00edso imaginado \u2014 foram reconhecidos, defendidos e valorizados pela humanidade.<br \/>\n\u00c9 o caso da Mata Nacional do Bu\u00e7aco, floresta de beleza sem igual que se localiza na \u00e1rea norte da Serra do mesmo nome, na Beira Litoral, regi\u00e3o do centro de Portugal. Trata-se de 105 hectares de montes \u00edngremes, de afloramentos rochosos e de vales profundos e h\u00famidos, cheio de vegeta\u00e7\u00e3o frondosa.<br \/>\nEste espa\u00e7o foi criado pelos frades carmelitas descal\u00e7os. Em 1628, no centro do bosque, foi colocada a primeira pedra para a constru\u00e7\u00e3o de um pequeno e humilde convento consagrado ao culto da Santa Cruz e foi erigido um muro alto que circundava toda a propriedade.<br \/>\nAli se estabeleceu uma comunidade de carmelitas dedicados \u00e0 vida asc\u00e9tica e erem\u00edtica num ambiente dominado pelo sil\u00eancio. A import\u00e2ncia deste cen\u00f3bio e o reconhecimento expl\u00edcito dos valores materiais, espirituais e culturais, vinculados a este espa\u00e7o material, evidenciam-se gra\u00e7as a dois \u2018breves pontif\u00edcios\u2019 do s\u00e9culo XVII. Ambos comprovam inequivocamente a preocupa\u00e7\u00e3o \u00abecol\u00f3gica\u00bb e o valor imaterial deste espa\u00e7o. Esta perce\u00e7\u00e3o, no mais alto n\u00edvel das inst\u00e2ncias eclesi\u00e1sticas, real\u00e7a a import\u00e2ncia da Mata do Bu\u00e7aco e demonstra tamb\u00e9m, de modo evidente, como eram considerados estes lugares.<br \/>\nEm 1622, Greg\u00f3rio XV reconheceu publicamente o objetivo fundamental da Casa do Ermo do Bu\u00e7aco. Em 1643, um novo \u2018breve apost\u00f3lico\u2019, de Urbano VIII, provavelmente constitui um dos primeiros documentos da idade moderna que, com for\u00e7a de lei, protegia a natureza, num per\u00edodo de p\u00f3s-expans\u00e3o ultramarina, no qual predo-minava uma certa degrada\u00e7\u00e3o e inefic\u00e1cia das pol\u00edticas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_26111\" aria-describedby=\"caption-attachment-26111\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/breves.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26111\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/breves.jpg\" alt=\"Breves pontif\u00edcios de Greg\u00f3rio XV e Urbano VIII \u00e0 entrada do convento, nas chamadas \u201cPortas de Coimbra\u201d\" width=\"700\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/breves.jpg 700w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/breves-300x170.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/breves-70x40.jpg 70w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26111\" class=\"wp-caption-text\">Breves pontif\u00edcios de Greg\u00f3rio XV e Urbano VIII \u00e0 entrada do convento, nas chamadas \u201cPortas de Coimbra\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diz o breve do Papa Barberini: &#8211; \u00abQuerendo N\u00f3s quanto no Senhor podemos attender a conserua\u00e7am, e reten\u00e7\u00e3o das \u00c1rvores do Convento de S. Cruz de Bussaco de Carmelitas descal\u00e7os do Bispado de Coimbra e fazer especiais gra\u00e7as e favores ao Prior e mais Religiosos delle absolvendo s\u00f3 por effeito das prezentes de quaesquer Senten\u00e7as de Excomunh\u00e3o &amp;c. Prohibimos, sob penna de EXCOMUNH\u00c3O \u2018ipso facto incurrenda\u2019, que daqui em diante nenhu\u00e3 pessoa de qualquer authoridade que seja, se attreva sem licen\u00e7a expressa do Prior, que ao tempo for do dito Convento, a entrar na Clauzura delle para efeito de cortar \u00e1rvores de qualquer casta que sej\u00e3o ou fazer outro da\u00f1o. N\u00e3o obstante quaesquer constitui\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas ou do Convento e Ordem dita em contrario. Mas queremos que a c\u00f3pia desta prohibi\u00e7\u00e3o se conserve fixada nas portas do Convento ou em outro lugar patente a todos. Dado em Roma em S. Pedro debaijo do anel do pescador em 28 de mar\u00e7o de 1643. Anno 20 de Nosso pontificado\u00bb.<br \/>\nPor conseguinte, o documento pro\u00edbe a entrada no espa\u00e7o religioso com a finalidade de causar qualquer tipo de dano naquele ambiente cheio de beleza natural. Quis o Santo Padre que o \u00e9dito fosse fixado nas portas do Convento ou noutro lugar leg\u00edvel por todos. E assim foi. E gra\u00e7as a isto hoje conservamos as placas comemo-rativas de \u00e9poca remota com os dois breves no muro da citada Mata. Ambas s\u00e3o uma confirma\u00e7\u00e3o do interesse secular do ser humano e concretamente da Igreja, pela preserva\u00e7\u00e3o dos valores materiais e imateriais vinculados \u00e0 Natureza.<br \/>\nUma recente e atenta pesquisa observa que os dois breves pontif\u00edcios de 1622 e 1643, acabados de citar, infelizmente n\u00e3o se encontram no Arquivo Secreto do Vaticano. Mas seria interessante verificar se deles existem vest\u00edgios em arquivos portugueses.<br \/>\nDeste modo, Portugal torna-se um dos pa\u00edses pioneiros da causa ecol\u00f3gica integral. Uma ecologia que, concebida de modo amplo e completo, naturalmente deve possuir uma evidente dimens\u00e3o de solidariedade intergeracional. O Bu\u00e7aco com a sua rica cole\u00e7\u00e3o de cedros, pinheiros-alvares, sequoias, ac\u00e1cias, t\u00edlias, palmeiras, rodo-dendros e com os enormes exemplares de \u00abcedros do Bu\u00e7aco\u00bb (Cupressus lusitanica) testemunha que a salvaguarda e a transmiss\u00e3o destes espa\u00e7os \u00fanicos e especiais tamb\u00e9m na sua dimens\u00e3o imaterial, j\u00e1 foram uma preocupa\u00e7\u00e3o efetiva para os administradores eclesi\u00e1s-ticos daqueles territ\u00f3rios no s\u00e9culo XVII.<br \/>\nPor sorte, em finais do s\u00e9culo XX e in\u00edcios do s\u00e9culo XXI, os valores imateriais foram de novo enfatizados, gra\u00e7as a interven\u00e7\u00f5es de diversos Organismos internacionais. Assim, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura, Unesco, exalta os valores culturais e integra o aspeto imaterial e espiritual da Natureza, e a Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, IUCN, reconhece a alian\u00e7a positiva dos valores culturais e espirituais de qualquer patrim\u00f3nio natural da humanidade.<\/p>\n<p>Viver num contacto permanente e equilibrado com o ecossis-tema permite a estupefa\u00e7\u00e3o face \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o, a descoberta atrav\u00e9s do mundo vis\u00edvel do espet\u00e1culo do invis\u00edvel, e que se entre num di\u00e1logo silencioso e contemplativo com o Transcendente. A Mata Nacional da Serra do Bu\u00e7aco, lugar m\u00e1gico de enorme valor natural\u00edstico e rico de hist\u00f3ria, arte, cultura e espiritualidade, que vale a pena visitar, \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de como um patrim\u00f3nio natural, com a sua dupla dimens\u00e3o, material e imaterial, \u00e9 um tesouro precioso que cada gera\u00e7\u00e3o deve transmitir \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Mons. Francisco Javier <\/strong><strong>Froj\u00e1n Mader<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excerto do texto publicado no dia 23 de julho na edi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria do \u201cL\u2019Osservatore Romano\u201d, em italiano, e no dia 30 do mesmo m\u00eas na edi\u00e7\u00e3o semanal em portugu\u00eas. &nbsp; Ao longo da hist\u00f3ria, horizontes e paradeiros ricos de beleza, harmonia, calma e sil\u00eancio \u2014 reminisc\u00eancias de um para\u00edso imaginado \u2014 foram reconhecidos, defendidos e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":26112,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38,44],"tags":[],"class_list":["post-26109","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-igreja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26109"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26113,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26109\/revisions\/26113"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}