{"id":26174,"date":"2015-09-10T09:41:55","date_gmt":"2015-09-10T09:41:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26174"},"modified":"2015-09-10T09:50:09","modified_gmt":"2015-09-10T09:50:09","slug":"e-possivel-nascer-crescer-e-amadurecer-em-ambiente-academico-quando-nos-dedicamos-de-coracao-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-possivel-nascer-crescer-e-amadurecer-em-ambiente-academico-quando-nos-dedicamos-de-coracao-a-verdade\/","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 poss\u00edvel nascer, crescer e amadurecer em ambiente acad\u00e9mico quando nos dedicamos de cora\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26175\" aria-describedby=\"caption-attachment-26175\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/padres.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26175\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/padres.jpg\" alt=\"Padres Pedro Barros e Jo\u00e3o Santos\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/padres.jpg 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/padres-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26175\" class=\"wp-caption-text\">Padres Pedro Barros e Jo\u00e3o Santos<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em 2007 conclu\u00edram os cursos na Universidade de Aveiro (UA), o Pedro Barros em Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TIC) e o Jo\u00e3o Santos em Engenharia do Ambiente. Oito anos depois, no \u00faltimo m\u00eas de julho, na S\u00e9 de Aveiro, abra\u00e7aram o sacerd\u00f3cio. De Aveiro, o Pedro, e de Santa Maria da Feira, o Jo\u00e3o, chegaram \u00e0 academia longe de imaginarem que alguma vez seriam padres. O Pedro apostava num futuro profissional que envolvesse a economia e as TIC e o Jo\u00e3o queria ser engenheiro do ambiente. A semente da f\u00e9, que j\u00e1 h\u00e1 muito florescia neles, acabou por moldar e dar cor ao sentido e \u00e0s op\u00e7\u00f5es que entretanto tomaram.<\/strong><br \/>\n<strong>Se o Padre Pedro, hoje com 29 anos, saiu da UA em dire\u00e7\u00e3o ao Semin\u00e1rio de Leiria, depois ao Semin\u00e1rio de Coimbra e \u00e0 Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa de Lisboa para tirar o Mestrado Integrado em Teologia, o Padre Jo\u00e3o, que tem 34 anos, ainda colaborou com o Instituto de Ambiente e Desenvolvimento, fez forma\u00e7\u00e3o profissional na \u00e1rea da Higiene e Sa\u00fade no Trabalho e integrou o grupo Grupo de Emiss\u00f5es, Modela\u00e7\u00e3o e Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas da academia de Aveiro. S\u00f3 em 2007, depois de concluir o mestrado em Engenharia do Ambiente, frequentou os semin\u00e1rios de Leiria, Coimbra e Lisboa. E \u00e0 semelhan\u00e7a do Pedro, foi na capital que fez o Mestrado em Teologia, em 2014. Entrevista conduzida por Pedro Farias (UAonline).<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Porque decidiram estudar na UA?<\/strong><br \/>\n<strong>Pedro Barros (PB)<\/strong> \u2013 A decis\u00e3o de estudar na UA foi, primeiramente, por uma quest\u00e3o de proximidade da fam\u00edlia. E depois, por uma quest\u00e3o financeira. Na verdade, pesou igualmente ter membros da fam\u00edlia e amigos que estudavam e lecionavam na mesma Universidade. Por fim, por sentir que era uma universidade jovem e de olhos no futuro, aberta \u00e0 criatividade. Inicialmente, nem era para entrar em Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o, mas Gest\u00e3o ou Economia, mas n\u00e3o se proporcionou pela m\u00e9dia e pelos requisitos de acesso. Assim, entre o que gostava e apreciava na altura, o curso de Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o fazia uma s\u00edntese entre o mundo da gest\u00e3o\/economia e das TIC, que muito me agradava e fascinava.<br \/>\n<strong>Jo\u00e3o Santos (JS)<\/strong> \u2013 Escolhi a UA pela convic\u00e7\u00e3o e pelos ecos comuns de que curso de Engenharia do Ambiente em Aveiro era muito bom. Foi por isso a minha primeira op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nessa altura j\u00e1 sabiam que seguiriam uma carreira diferente da dos vossos colegas da academia?<\/strong><br \/>\n<strong>PB<\/strong> \u2013 N\u00e3o. Quando entrei na UA nem tinha sequer no horizonte ir para padre. Tudo aconteceu depois da primeira experi\u00eancia de voluntariado em Mo\u00e7ambique, em Pemba, no final do primeiro ano do curso da UA. Quando regressei dessa experi\u00eancia de voluntariado, realizado nas f\u00e9rias de agosto, algo me come\u00e7ou a inquietar. Mas, na verdade, tentei n\u00e3o dar muita import\u00e2ncia, at\u00e9 porque gosto de ir \u00e0 descoberta, aventurar-me\u2026 e da\u00ed que tenha ido em Erasmus, logo no segundo ano da Universidade. Mas foi depois, no final do 2.\u00ba ano da Universidade, que ao realizar outra experi\u00eancia de voluntariado, as coisas se foram tornando mais claras, e fui procurar acompanhamento no CUFC (Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura), junto do Padre Georgino, que depois me encaminhou para o Semin\u00e1rio de Aveiro. A partir da\u00ed, fiz uma caminhada de Pr\u00e9-Semin\u00e1rio, em alguns fins de semana ao longo do ano\u2026 que me foram ajudando a perceber que sinais eram estes.<br \/>\nDe qualquer maneira, foi-me sendo sugerido que terminasse o curso antes de entrar no Semin\u00e1rio. Assim fiz.<br \/>\n<strong>JS<\/strong> \u2013 N\u00e3o. Eu fiz o meu percurso de Engenharia do Ambiente para trabalhar como engenheiro, como qualquer outro aluno do meu curso. A pergunta pelo sacerd\u00f3cio existia, aumentando a sua pertin\u00eancia com o passar do tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando e como tiveram a certeza de que um dia subiriam ao altar para serem ordenados sacerdotes?<\/strong><br \/>\n<strong>PB<\/strong> \u2013 Creio que isto \u00e9 tudo fruto de um acompanhamento que foi acontecendo ao longo destes sete anos de semin\u00e1rio. Sempre confiante em que n\u00e3o fosse a minha vontade a prevalecer, mas a de Deus, pela escuta, pelo sil\u00eancio, pela ora\u00e7\u00e3o, pela caridade\u2026 e isso foi sendo a procura constante de quem, como eu, n\u00e3o via sen\u00e3o esta grande vontade de servir a Deus, \u00e0 Igreja e a todos\u2026 e assim o sinto hoje, porque foi esta procura de uma felicidade que n\u00e3o me abandona. Mas, olhando ao lado formal, creio que s\u00f3 depois de fazer o juramento de fidelidade \u00e9 que percebi que aquele passo era um passo para algo maior. Mas s\u00e3o muitos sinais, pessoas e vozes que nos ajudam a reconhecer que n\u00e3o \u00e9 uma vontade pr\u00f3pria apenas, mas antes de mais de Deus e da Igreja, que me ajudou a ver tamb\u00e9m, que esta caminhada tem sentido, faz sentido, \u00e9 rica de sentido para mim, porque encontrei uma pessoa &#8211; Jesus &#8211; que me ama incondicionalmente e se serve de mim para amar a todos. Isso \u00e9 deveras extraordin\u00e1rio.<br \/>\n<strong>JS<\/strong> \u2013 A certa altura, reparando no que era a minha vida, o gosto que existia pelo servi\u00e7o, pelo carinho que desenvolvia em colaborar na igreja, comecei a interrogar-me se Deus n\u00e3o estaria a chamar para um estilo de vida diferente. O anseio profundo de querer entregar a minha vida totalmente \u00e0 maneira de Jesus Cristo tornou-se para mim uma quest\u00e3o demasiado relevante para n\u00e3o a enfrentar. Foi a\u00ed que entrei no semin\u00e1rio. Em caminhada do semin\u00e1rio, em comunh\u00e3o com a Igreja discerni o meu caminho e fui clarificando a minha entrega no sacerd\u00f3cio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em que medida a experi\u00eancia e forma\u00e7\u00e3o que receberam na UA pode ser posta em pr\u00e1tica na vossa vida sacerdotal?<\/strong><br \/>\n<strong>PB<\/strong> \u2013 A forma\u00e7\u00e3o que recebi na Universidade de Aveiro \u00e9, de facto, uma forma\u00e7\u00e3o fundamental para os dias de hoje no que diz respeito \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de processos, de estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o, de formas de se tornar presente junto das pessoas, especialmente, atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e redes sociais. A Igreja torna-se mais pr\u00f3xima e menos distante, quando acolhe no seu seio os desafios da modernidade e da tecnologia, sem deixar de perder a sua ess\u00eancia.<br \/>\n<strong>JS<\/strong> &#8211; No meu caso concreto penso que a forma\u00e7\u00e3o em Engenharia me marca de duas maneiras. Por um lado, noto que a minha forma de expor e de comunicar est\u00e1 profundamente marcada pelo pensamento t\u00e9cnico. Dizia-me um amigo ao ler um trabalho meu de teologia: \u201cParece que estou a ler teologia com linguagem t\u00e9cnica!\u201d.<br \/>\nPor outro lado, a vida pastoral est\u00e1 marcado pelo di\u00e1logo com as pessoas sobre as realidades que s\u00e3o comuns a todos e penso que a forma\u00e7\u00e3o de engenharia me ajuda a entender a urg\u00eancia da preocupa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, assim como das quest\u00f5es mais ambientais que nos afetam a todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E, pelo contr\u00e1rio, em que medida a vossa vida religiosa pode ser posta em pr\u00e1tica enquanto homens tamb\u00e9m da Ci\u00eancia?<\/strong><br \/>\n<strong>PB<\/strong> &#8211; Somos um todo como pessoa. Creio que a riqueza maior que se pode encontrar entre a F\u00e9 e a Ci\u00eancia, \u00e9 o facto de elas caminharem juntas e num constante di\u00e1logo. Dizia-nos Santo Anselmo que \u201cCreio para que possa entender\u201d (Credo ut intelligam), e que \u201ca f\u00e9 procura compreender\u201d (fides quaerens intellectum). Estas senten\u00e7as v\u00e3o mais longe na nossa vida, quando vemos que o anseio de cada um de n\u00f3s \u00e9 a felicidade; e que para a encontrar, \u00e9 preciso colocar-se diante da f\u00e9 e da ci\u00eancia, para que se procure verdadeiramente o sentido profundo da nossa exist\u00eancia.<br \/>\n<strong>JS<\/strong> \u2013 Quer a religi\u00e3o, quer a ci\u00eancia t\u00eam como meta procurar a verdade e colaborar no bem-comum. T\u00eam m\u00e9todos diferentes e abordagens diferentes e por isso vis\u00f5es e compreens\u00f5es distintas da realidade, as quais n\u00e3o se excluem necessariamente. Tomemos apenas o exemplo, entre muitos, de Gregor Mendel, monge agostiniano e cujos trabalhos est\u00e3o na base da gen\u00e9tica atual. Na vida de cada dia, algumas das ferramentas que aprendi a usar no tempo do curso de engenharia ajudam a minha entrega mais completa \u00e0s pessoas a quem sirvo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Querem deixar uma mensagem \u00e0 comunidade acad\u00e9mica?<\/strong><br \/>\n<strong>PB<\/strong> \u2013 Creio que o grande desafio \u00e9 n\u00e3o abandonar a procura de si mesmo; n\u00e3o fechar-se \u00e0s surpresas e inquieta\u00e7\u00f5es da vida e na vida; n\u00e3o deixar de enriquecer-se para ser mais \u201cconsigo\u201d, \u201ccom-Deus\u201d, \u201ccom-o-Mundo\u201d, \u201ccom-o-Pr\u00f3ximo\u201d. Tudo isto \u00e9 poss\u00edvel nascer, crescer e amadurecer em ambiente acad\u00e9mico quando nos dedicamos de cora\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade.<br \/>\n<strong>JS<\/strong> \u2013 N\u00e3o tenham medo de arriscar perante o desconhecido. Gostava de deixar aqui o texto de Sebasti\u00e3o da Gama: \u201cPelo sonho \u00e9 que vamos. (&#8230;) Haja ou n\u00e3o haja frutos, pelo sonho \u00e9 que vamos. Basta a f\u00e9 no que temos.(&#8230;) Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que \u00e9 do dia a dia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Em 2007 conclu\u00edram os cursos na Universidade de Aveiro (UA), o Pedro Barros em Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TIC) e o Jo\u00e3o Santos em Engenharia do Ambiente. Oito anos depois, no \u00faltimo m\u00eas de julho, na S\u00e9 de Aveiro, abra\u00e7aram o sacerd\u00f3cio. 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