{"id":26209,"date":"2015-09-17T09:25:04","date_gmt":"2015-09-17T09:25:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26209"},"modified":"2015-09-17T09:25:04","modified_gmt":"2015-09-17T09:25:04","slug":"escolaridade-ou-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/escolaridade-ou-educacao\/","title":{"rendered":"Escolaridade ou educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24498\" aria-describedby=\"caption-attachment-24498\" style=\"width: 100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Querubim-silva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24498\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Querubim-silva.jpg\" alt=\"Querubim Silva Padre. Diretor\" width=\"100\" height=\"140\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24498\" class=\"wp-caption-text\">Querubim Silva<br \/>Padre. Diretor<\/figcaption><\/figure>\n<p>O novo ano de trabalho educativo est\u00e1 a come\u00e7ar. E insisto em dizer \u201ctrabalho educativo\u201d, para contrariar a tend\u00eancia institucional de empregar o termo escolar, em vez de educativo, e alguma apet\u00eancia dos pais ou encarregados de educa\u00e7\u00e3o pela excel\u00eancia de aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos, em detrimento, muitas vezes, da forma\u00e7\u00e3o da personalidade. E depois, algumas vezes, os cr\u00e2nios d\u00e3o monstros, com atos tragicamente surpreendente.<br \/>\nTodos sabemos, mas n\u00e3o se perde por insistir que os alunos passam hoje a maior parte do tempo na escola, que se perpetua essa presen\u00e7a por um lapso bem alargado de anos. E \u00e9 nesse espa\u00e7o f\u00edsico e humano que se desenvolve a socializa\u00e7\u00e3o e se plasma a matriz cultural e de valores que h\u00e1 de marcar predominantemente a sua rota de vida.<br \/>\nPortanto, a escola tem de se assumir como lugar de educa\u00e7\u00e3o, como comunidade educativa e n\u00e3o apenas como comunidade de conhecimento. A teia de rela\u00e7\u00f5es interpessoais, a transversalidade de valores de trabalho, honestidade, coopera\u00e7\u00e3o, respeito, acolhimento\u2026, reclamam dos protagonistas da comunidade educativa um empenho muito para al\u00e9m da transmiss\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos.<br \/>\n\u00c9 por essa escola que trabalhamos, \u00e9 essa escola que defendemos e afirmamos como necess\u00e1ria para a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os equilibrados e ativos. E essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa da facilidade. Por esta raz\u00e3o, queremos deixar aos leitores algumas palavras do Papa Francisco, na recente entrevista concedida \u00e0 R\u00e1dio Renascen\u00e7a. A\u00ed est\u00e3o elas!<br \/>\n\u201cO que \u00e9 que pode tocar a liberdade de algu\u00e9m que \u201cfaz o que quer\u201d e que foi educado desde pequeno com um conceito de felicidade para quem \u201ca felicidade \u00e9 n\u00e3o ter problemas\u201d? Em geral, educam-se as crian\u00e7as com este desejo de que a felicidade \u00e9 \u201cn\u00e3o ter problemas e fazer o que se quer\u201d.<br \/>\nUma vida sem problemas \u00e9 aborrecida. \u00c9 um t\u00e9dio. O homem tem, dentro de si, a necessidade de enfrentar e de resolver conflitos e problemas. Evidentemente, uma educa\u00e7\u00e3o para n\u00e3o ter problemas, \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o ass\u00e9ptica. Fa\u00e7a a experi\u00eancia: beba um copo de \u00e1gua mineral, de \u00e1gua comum, da torneira; depois pegue num copo de \u00e1gua destilada. Enjoa!&#8230;mas a \u00e1gua destilada n\u00e3o tem problemas&#8230; \u00c9 como educar as crian\u00e7as no laborat\u00f3rio, n\u00e3o \u00e9? Por favor!<br \/>\nArriscar \u00e9 importante?<br \/>\nCorrer o risco, propor sempre metas! Para educar, faz falta usar os p\u00e9s. Para educar bem, h\u00e1 que ter um p\u00e9 bem apoiado no ch\u00e3o e o outro p\u00e9 levantado mais \u00e0 frente; e ver onde o posso apoiar. Quando tenho apoiado o outro, levanto este e&#8230; Isso \u00e9 educar: apoiar-se sobre algo seguro, mas tentar dar um passo em frente at\u00e9 que o tenha firme. Depois, dar outro passo. D\u00e1 mais trabalho educar assim\u2026<br \/>\n\u00c9 arriscar! Porqu\u00ea? Porque posso pisar mal e cair&#8230; Pois bem: levanta-te e segue em frente!<br \/>\nNa onda individualista em que vivemos &#8211; falou nisso em Estrasburgo &#8211; parece um capricho exigir direitos, sempre mais direitos separados da busca da verdade. Cr\u00ea que isto \u00e9 tamb\u00e9m um problema na maneira de viver a f\u00e9?<br \/>\nPode ser&#8230; Sempre com mais exig\u00eancias, sem a generosidade de dar. Ou seja, \u00e9 exigir s\u00f3 os meus direitos e n\u00e3o os meus deveres perante a sociedade, n\u00e3o \u00e9? Eu creio que direitos e deveres caminham juntos. Sen\u00e3o, isso cria a educa\u00e7\u00e3o do espelho; porque a educa\u00e7\u00e3o do espelho \u00e9 o narcisismo; e hoje estamos numa civiliza\u00e7\u00e3o narcisista.<br \/>\nE como \u00e9 que ela se vence, como se combate?<br \/>\nCom a educa\u00e7\u00e3o, por exemplo, com direitos e deveres, com a educa\u00e7\u00e3o dos riscos razo\u00e1veis, procurando metas, avan\u00e7ando e n\u00e3o ficando quieto ou a olhar ao espelho&#8230; N\u00e3o v\u00e1 acontecer-nos como aconteceu ao Narciso que, de tanto se olhar espelhado na \u00e1gua e se achar t\u00e3o lindo, t\u00e3o lindo, \u201cblup\u201d, afogou-se.\u201d<br \/>\nVencer dificuldades, ter problemas, arriscar, n\u00e3o \u00e9 escolaridade, mas \u00e9 educa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo ano de trabalho educativo est\u00e1 a come\u00e7ar. 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