{"id":26255,"date":"2015-10-08T15:14:16","date_gmt":"2015-10-08T15:14:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26255"},"modified":"2015-10-08T15:14:16","modified_gmt":"2015-10-08T15:14:16","slug":"vamos-brincar-as-bibliotecas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vamos-brincar-as-bibliotecas\/","title":{"rendered":"Vamos brincar \u00e0s bibliotecas?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24407\" aria-describedby=\"caption-attachment-24407\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24407\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela.jpg\" alt=\"Joana Portela M\u00e3e e Revisora de Texto\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/web_Joana-Portela-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24407\" class=\"wp-caption-text\">Joana Portela<br \/>M\u00e3e e Revisora de Texto<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Os livros<\/em><br \/>\n<em>Apetece chamar-lhes irm\u00e3os,<\/em><br \/>\n<em>t\u00ea-los ao colo,<\/em><br \/>\n<em>afag\u00e1-los com as m\u00e3os,<\/em><br \/>\n<em>abri-los de par em par,<\/em><br \/>\n<em>ver o Pin\u00f3quio a rir<\/em><br \/>\n<em>e o D. Quixote a sonhar,<\/em><br \/>\n<em>e a Alice do outro lado<\/em><br \/>\n<em>do espelho a inventar<\/em><br \/>\n<em>um mundo de assombros<\/em><br \/>\n<em>que d\u00e1 gosto visitar.<\/em><br \/>\n<em>Apetece chamar-lhes irm\u00e3os<\/em><br \/>\n<em>e deixar brilhar os olhos<\/em><br \/>\n<em>nas p\u00e1ginas das suas m\u00e3os.<\/em><br \/>\nJos\u00e9 Jorge Letria,<br \/>\n<em>Pela casa fora<\/em><\/p>\n<p>Outubro \u00e9 o M\u00eas Internacional das Bibliotecas Escolares. Com o cair do Outono, misturam-se-me de novo nas m\u00e3os as folhas caducas e as p\u00e1ginas perenes. H\u00e1 um tema, nestas cr\u00f3nicas, que \u00e9 c\u00edclico como as esta\u00e7\u00f5es: os livros e as bibliotecas. Corro, bem sei, o risco de me repetir e de fatigar os leitores, mas habituei-me \u00e0quela voz pequenina, a pedir: \u201cM\u00e3e, conta outra vez!\u201d E ent\u00e3o eu reconto, e acrescento um ponto (ou dois&#8230;) para reflex\u00e3o.<br \/>\n\u201cVamos brincar \u00e0s bibliotecas?\u201d, pergunta a mais nova ao irm\u00e3o, quando quer alici\u00e1-lo para uma brincadeira a dois. Numa casa onde n\u00e3o h\u00e1 televis\u00e3o nem tablet, os meus filhos t\u00eam de se entreter muitas vezes uma com o outro\u2026 e esta \u00e9 uma das brincadeiras preferidas de ambos. A hist\u00f3ria come\u00e7a assim:<\/p>\n<p>Ela chama o irm\u00e3o,<br \/>\npegam nos livros ao colo,<br \/>\nafagam-nos com as m\u00e3os,<br \/>\nabrem-nos de par em par<br \/>\nem cima da cama-balc\u00e3o.<br \/>\nE \u00e9 ent\u00e3o que a biblioteca<br \/>\nest\u00e1 pronta a funcionar.<br \/>\nQuando um deles requisita,<br \/>\n\u00e9 o outro quem regista.<\/p>\n<p>E eu, ao v\u00ea-los bibliotecar, sinto-me em (e)terna sintonia com o poeta argentino Jorge Luis Borges:<em> \u201cyo, que me figuraba el Para\u00edso \/ bajo la especie de una biblioteca.\u201d<\/em> Creio que tamb\u00e9m os meus mi\u00fados perfilham esta ideia da biblioteca como espa\u00e7o paradis\u00edaco e almejado: a mais nova, que ainda n\u00e3o sabe ler, dizia-me h\u00e1 tempos, contando pelos dedos: \u201cQuando for grande quero ser: contadora de hist\u00f3rias; senhora que trabalha na biblioteca; e cabeleireira. O tio diz que podemos ter tr\u00eas profiss\u00f5es ao mesmo tempo.\u201d Sorri \u00e0 ideia fabulosa de uma cabeleireira contadora de hist\u00f3rias que me cortasse o cabelo enquanto ia narrando a novela infantil <em>Enquanto o Meu Cabelo Crescia<\/em> (Planeta Tangerina).<br \/>\nPrimeiro ponto: hoje, no imagin\u00e1rio de muitas crian\u00e7as, a biblioteca n\u00e3o \u00e9 um lugar habitado pelo denso sil\u00eancio, nem pelo p\u00f3 dos cartap\u00e1cios, nem por ratos de biblioteca, nem por idosas bibliotec\u00e1rias de carrapito e \u00f3culos (mas, decerto, h\u00e1 por a\u00ed adultos a pensar assim\u2026). Felizmente, para muitos mi\u00fados, a biblioteca \u00e9 o lugar fant\u00e1stico onde moram contadores de hist\u00f3rias, paredes-meias com o Pin\u00f3quio, o D. Quixote e a Alice; o Senhor Cavalo Marinho e o Bicho Estranho; o Grufal\u00e3o e o rato Frederico, poeta por miss\u00e3o; a Fada Palavrinha e o Gigante das Bibliotecas; a Rainha das Cores e o Tintim e a Rapariga Karateca. E at\u00e9 a cabeleireira Mila!<br \/>\nEstou convicta de que, para a brincadeira bibli\u00f3fila dos meus filhos, muito t\u00eam contribu\u00eddo as respectivas escolas (uma IPSS, outra p\u00fablica). Embora n\u00e3o dispondo de uma biblioteca escolar, ambas t\u00eam desenvolvido um not\u00e1vel trabalho de articula\u00e7\u00e3o entre os educadores\/professores e os bibliotec\u00e1rios municipais. No infant\u00e1rio da mais nova, por exemplo, s\u00e3o muito frequentes as visitas das crian\u00e7as \u00e0 Biblioteca Municipal para pesquisar sobre um tema e fruir \u201ca hora do conto\u201d. Estes pr\u00e9-leitores de meio palmo chegam a ir ali duas vezes por semana: um dia para requisitar os livros, e outro para os devolver. (\u00c9 claro que a educadora poderia devolv\u00ea-los sozinha, mas o facto de levar de novo toda a turma \u00e9 muito instrutivo, at\u00e9 em termos c\u00edvicos: fomenta-se, deste modo, a responsabilidade colectiva pela devolu\u00e7\u00e3o de um bem que \u00e9 de todos.)<br \/>\nUma simples visita \u00e0 Biblioteca Municipal, em termos pedag\u00f3gicos, tem um alcance maior do que parece: primeiro, h\u00e1 a dimens\u00e3o do passeio a p\u00e9 pela cidade e a consequente interioriza\u00e7\u00e3o das regras de seguran\u00e7a rodovi\u00e1ria; depois, a no\u00e7\u00e3o de que a aprendizagem tamb\u00e9m se faz em locais variados (exteriores \u00e0 escola) e a familiariza\u00e7\u00e3o, desde tenra idade, com o usufruto de equipamentos culturais; promove-se, tamb\u00e9m, a atitude de pesquisa em diversos suportes (livros, Internet, outros media); al\u00e9m disso, cada crian\u00e7a tem oportunidade para uma explora\u00e7\u00e3o livre e pessoal dos livros \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o (de diversas tipologias, tem\u00e1ticas e formatos) e, em conjunto, podem decidir quais requisitar para a turma; por \u00faltimo, h\u00e1 ainda todas as implica\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas (em termos de desenvolvimento da imagina\u00e7\u00e3o, linguagem, oralidade, literacia, intelig\u00eancia emocional, compreens\u00e3o do mundo) proporcionadas pela vertente l\u00fadica da \u201chora do conto\u201d, narrado pela bibliotec\u00e1ria num criativo avental ou tapete de hist\u00f3rias, din\u00e2mico e interactivo, donde irrompem\u2026 animais felpudos que cooperam uns com os outros para alcan\u00e7ar a Lua e assim poder sabore\u00e1-la. E depois do conto, na conversa com as crian\u00e7as, a bibliotec\u00e1ria pergunta a cada uma: \u201cE a ti, a que te sabe a Lua?\u201d, e haver\u00e1 um menino que dir\u00e1: \u201cA Lua sabe-me \u00e0 minha m\u00e3e.\u201d E o sil\u00eancio que ent\u00e3o atravessa a biblioteca ser\u00e1 o da ternura\u2026<br \/>\nSegundo ponto: \u00e9 por tudo isto que as bibliotecas p\u00fablicas, sejam municipais, sejam escolares \u2013 e mais ainda em contextos sociais desfavorecidos ou em regi\u00f5es deprimidas do Interior, onde escasseiam as livrarias, os livros nas casas e o p\u00e3o na mesa \u2013, s\u00e3o um important\u00edssimo espa\u00e7o de democracia de longo alcance (e at\u00e9 mesmo de democracia sub-18, porque formar pr\u00e9-leitores \u00e9 educar pr\u00e9-eleitores). Como se descobre num livrinho simples e encantador, Uma Biblioteca \u00c9 Uma Casa Onde Cabe Toda a Gente (Bichinho de Conto). Pensado para os mais pequenos, este \u201cmanifesto\u201d inclusivo tamb\u00e9m pisca o olho a pais, educadores e\u2026 soci\u00f3logos. A vers\u00e3o digital est\u00e1 dispon\u00edvel aqui: http:\/\/www.bmel.pt\/livrodamafalda\/ mas, se eu fosse manda-chuva da Cultura, mandaria mesmo distribuir a vers\u00e3o em cart\u00e3o a cada cidad\u00e3o.<br \/>\nFazer da biblioteca um espa\u00e7o de utopia, mas tamb\u00e9m de igualdade e cidadania, tem mobilizado, nos \u00faltimos anos, educadores, professores, mediadores de leitura e bibliotec\u00e1rios. E isto \u00e9 resultado, em grande medida, do trabalho desenvolvido no \u00e2mbito do programa da Rede de Bibliotecas Escolares (\u00e9 poss\u00edvel folhear uma s\u00e9rie de iniciativas e de boas pr\u00e1ticas em www.rbe.mec.pt). Mas o envolvimento das fam\u00edlias, nomeadamente pelo est\u00edmulo concreto e pelo exemplo, pode refor\u00e7ar mais ainda as muitas potencialidades e o papel perene das bibliotecas como lugar de frui\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o permanente para todos.<br \/>\nA pensar nas fam\u00edlias (mas tamb\u00e9m nas escolas), aqui fica uma sugest\u00e3o \u2013 a n\u00e3o perder \u2013 para o M\u00eas Internacional das Bibliotecas Escolares: o FOLIO \u2013 Festival Internacional Liter\u00e1rio de \u00d3bidos (http:\/\/foliofestival.com\/). De 15 a 25 de Outubro, esta festa liter\u00e1ria vai ser uma grande folia, uma transbordante biblioteca, uma casa onde cabe toda a gente. N\u00e3o deixem de espreitar a programa\u00e7\u00e3o de cada dia. Seja em passeio familiar, seja em visita com a escola, neste Outono levem as crian\u00e7as e jovens a brincalhar com as folhas do FOLIO, com paragem obrigat\u00f3ria na PIM!, a mostra internacional de ilustra\u00e7\u00e3o (com uma colec\u00e7\u00e3o \u00edmpar de ilustra\u00e7\u00f5es originais da literatura infanto-juvenil). VIVA O FOLIO! VIVA PIM!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/leitor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-26256\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/leitor.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"529\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/leitor.jpg 700w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/leitor-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os livros Apetece chamar-lhes irm\u00e3os, t\u00ea-los ao colo, afag\u00e1-los com as m\u00e3os, abri-los de par em par, ver o Pin\u00f3quio a rir e o D. Quixote a sonhar, e a Alice do outro lado do espelho a inventar um mundo de assombros que d\u00e1 gosto visitar. 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