{"id":26325,"date":"2015-10-23T14:23:47","date_gmt":"2015-10-23T14:23:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26325"},"modified":"2015-10-23T14:23:47","modified_gmt":"2015-10-23T14:23:47","slug":"filme-johnny-guitar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/filme-johnny-guitar\/","title":{"rendered":"Filme: Johnny Guitar"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26327\" aria-describedby=\"caption-attachment-26327\" style=\"width: 430px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/johnny.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26327\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/johnny.jpg\" alt=\"\u201cJohnny Guitar\u201d \u00e9 um filme de Nicholas Ray\" width=\"430\" height=\"677\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/johnny.jpg 430w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/johnny-191x300.jpg 191w\" sizes=\"auto, (max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26327\" class=\"wp-caption-text\">\u201cJohnny Guitar\u201d \u00e9 um filme de Nicholas Ray<\/figcaption><\/figure>\n<p>O c\u00e9lebre cl\u00e1ssico de Nicholas Ray est\u00e1 de volta aos cinemas. E continua t\u00e3o estranho, maravilhoso e desconcertante como sempre. Porqu\u00ea?<br \/>\n\u00c0 partida, este filme de \u201cpequena produ\u00e7\u00e3o e ainda mais pequenos dinheiros\u201d, seria s\u00f3 mais um western. Uma coboiada \u00e0 antiga, est\u00e3o a ver o g\u00e9nero. Um oeste sempre selvagem, a \u00faltima fronteira quase ali. Em sal\u00f5es enfumarados, pistoleiros, bailarinas e outros agentes da ordem espont\u00e2nea, entret\u00eam a morte enquanto a civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega com os primeiros carris. Os dias medidos pelo compasso de velhos rel\u00f3gios de p\u00eandulo, a passada pelo chocalho das esporas. Bebe-se whisky, maltrata-se o pianista, \u00e9-se vagamente tridimensional. Os maus usam chape\u00fas pretos, os bons est\u00e3o prestes a ter de interromper a reforma para uma \u00faltima cavalgada, o mi\u00fado est\u00e1 impaciente por mostrar o seu valor, ainda magoa algu\u00e9m. Para a conta de meses, basta uma \u00fanica moeda.<br \/>\nE Johnny Guitar, que tem tudo isto e uns cobres, por algum motivo \u00e9 muito mais do que isto. Claro, o nosso homem \u00e9 um pistoleiro na reserva que vem socorrer a antiga amante. Claro, ainda se amam perdidamente. Claro, o comboio est\u00e1 quase a chegar. E claro, ela tem uma inimiga mortal e ele uma bala com o seu nome em quase todos os seis-tiros da regi\u00e3o. Felizmente, n\u00e3o se v\u00e1 dar o caso, trouxe uma guitarra.<br \/>\nE ent\u00e3o, what\u2019s the deal (\u201cqual \u00e9 o neg\u00f3cio\u201d, na legenda portuguesa), perguntam. O deal \u00e9 que apesar de ter cen\u00e1rio de western, hist\u00f3ria de western, at\u00e9 t\u00edtulo de western, como nota um cr\u00edtico, \u00e9 um labirinto, rom\u00e2ntico e emocional, que (apropriadamente) dinamita o g\u00e9nero.<br \/>\nDizemos: \u201cn\u00e3o ganhou uma ruga\u201d. N\u00e3o que se \u201cmantenha atual\u201d, coisa que nunca foi. \u00c9 s\u00f3 que as suas escolhas particulares sobre como ser estranho nunca tiveram o azar de deixar gera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o calhou que a sua originalidade, como tende a acontecer aos inovadores formais, fosse normalizada e cooptada (no sentido em que o foi, por exemplo, o gag de Charlot). Permaneceu estranho e \u00fanico.<br \/>\nO pr\u00f3prio realizador diria que o sucesso inesperado era afinal compreens\u00edvel: \u00abfoi a primeira vez, num western, que as mulheres foram simultaneamente as principais protagonistas e as principais antagonistas. Opunha-se ao estilo do \u201ccinema negro\u201d que predominava nessa \u00e9poca; \u00e9 um filme em que a cor \u00e9 valorizada, devido a uma h\u00e1bil estrutura arquitet\u00f3nica; foi o primeiro filme a utilizar a cor em toda a sua potencialidade\u00bb.<br \/>\nAl\u00e9m disto, que \u00e9 muito, quando tememos que o filme descambe, que l\u00e1 venha o melodrama de quinta categoria, reparamos que o que nos incomoda \u00e9 outra coisa: a suspeita receosa de que algu\u00e9m fez um filme que \u00e9 mesmo um drama rom\u00e2ntico. J\u00e1 foi dito muitas vezes, mas vale a pena repetir: os di\u00e1logo entre Johnny e Vienna \u2013 que em tempos at\u00e9 foi posto em livro e vendido em separado \u2013 , que maravilha de tens\u00e3o e ritmo, ambiguidade e outra coisa que talvez seja gra\u00e7a.<br \/>\nB\u00e9nard da Costa, o maior cin\u00e9filo que j\u00e1 tivemos a honra de desmerecer, mesmo se \u201cs\u00f3 viu o Johnny Guitar 68 vezes, entre 1957 e 1988\u201d, acabava assim uma cr\u00edtica de antologia sobre esse que era o filme da sua vida: \u00abQuando o bando de Emma entra pelo saloon de Vienna, para a prender, os misteriosos croupiers param as roletas. Enfrentando Emma com o seu terr\u00edvel olhar, Vienna, sem desviar os olhos dela, d\u00e1 uma seca ordem: \u201cKeep the wheel spinning, Ed. I like to hear it spin. [Mant\u00e9m a roleta a rodar, Ed. Gosto de ouvi-la a rodar]\u201d. No fim de cada vis\u00e3o de Johnny Guitar, s\u00f3 me apetece dizer aos projecionistas: \u201cKeep the film spinning, Ed. I like to see it spin.\u201d Tanto, tanto.\u00bb<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio Ramos Pereira<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O c\u00e9lebre cl\u00e1ssico de Nicholas Ray est\u00e1 de volta aos cinemas. E continua t\u00e3o estranho, maravilhoso e desconcertante como sempre. Porqu\u00ea? \u00c0 partida, este filme de \u201cpequena produ\u00e7\u00e3o e ainda mais pequenos dinheiros\u201d, seria s\u00f3 mais um western. Uma coboiada \u00e0 antiga, est\u00e3o a ver o g\u00e9nero. 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