{"id":26339,"date":"2015-10-23T14:40:17","date_gmt":"2015-10-23T14:40:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26339"},"modified":"2015-10-23T14:40:17","modified_gmt":"2015-10-23T14:40:17","slug":"uma-oportunidade-para-a-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-oportunidade-para-a-misericordia\/","title":{"rendered":"UMA OPORTUNIDADE PARA A MISERIC\u00d3RDIA"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_26340\" aria-describedby=\"caption-attachment-26340\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/porta.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26340\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/porta.jpg\" alt=\"Papa Francisco: \u201cNa festa da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, terei a alegria de abrir a Porta Santa. Ser\u00e1 ent\u00e3o uma Porta da Miseric\u00f3rdia, onde qualquer pessoa que entre poder\u00e1 experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e d\u00e1 esperan\u00e7a\u201d.\" width=\"700\" height=\"1246\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/porta.jpg 700w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/porta-169x300.jpg 169w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/porta-575x1024.jpg 575w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26340\" class=\"wp-caption-text\">Papa Francisco: \u201cNa festa da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, terei a alegria de abrir a Porta Santa. Ser\u00e1 ent\u00e3o uma Porta da Miseric\u00f3rdia, onde qualquer pessoa que entre poder\u00e1 experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e d\u00e1 esperan\u00e7a\u201d.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O Papa proclamou um Ano de Miseric\u00f3rdia, que oficialmente s\u00f3 come\u00e7a no dia 8 de dezembro de 2015, quando o Francisco abrir a Porta do Ano Santo, e vai at\u00e9 20 de novembro de 2016. Nas dioceses e nas par\u00f3quias, por\u00e9m, o ano pastoral da Miseric\u00f3rdia j\u00e1 come\u00e7ou. Havemos de voltar v\u00e1rias vezes a este tema, para que seja mesmo um ano do amor de Deus. Porque precisamos sempre de contemplar e viver o mist\u00e9rio da miseric\u00f3rdia, como diz Francisco. Textos de Jorge Pires Ferreira.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cA credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Papa Francisco proclamou para 2015\/16 o Ano da Miseric\u00f3rdia. \u00c9 um ano para ser vivido por toda a Igreja, porque \u201ca arquitrave que suporta a vida da Igreja \u00e9 a miseric\u00f3rdia\u201d, como escreve, mas que, como outros, como sempre, corre o risco de n\u00e3o chegar aos crist\u00e3os, de nada acontecer de diferente. O que ficou do Ano Paulino (2008\/09)? Do Ano Sacerdotal (2009\/10)? Do Ano da F\u00e9 (2012\/13)?<br \/>\nO Ano da Miseric\u00f3rdia abre-se e fecha-se no Vaticano, mas tem s\u00edmbolos e momentos \u201cobrigat\u00f3rios\u201d nas igrejas particulares, ou seja, as dioceses. Em cada uma, devem acontecer pelo menos duas a\u00e7\u00f5es: a abertura da Porta da Miseric\u00f3rdia no terceiro domingo do Advento (13 de dezembro de 2015), que ser\u00e1 destino de peregrina\u00e7\u00e3o, pois esta \u00e9 \u201csinal de que a pr\u00f3pria miseric\u00f3rdia \u00e9 uma meta a alcan\u00e7ar que exige empenho e sacrif\u00edcio\u201d; e a iniciativa \u201c24 horas para o Senhor\u201d, antes do IV Domingo da Quaresma, que ser\u00e1 um momento de ora\u00e7\u00e3o e uma oportunidade de reconcilia\u00e7\u00e3o. Podem ainda acontecer \u201cmiss\u00f5es populares\u201d para acolher os \u201cmission\u00e1rios da Miseric\u00f3rdia\u201d (confessores), que Francisco tenciona enviar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Igreja esqueceu-se <\/strong><br \/>\n<strong>da miseric\u00f3rdia?<\/strong><br \/>\nNa ideia do Papa est\u00e1, como explica na bula de proclama\u00e7\u00e3o deste ano, o desejo de recentrar a Igreja na pr\u00e1tica da miseric\u00f3rdia. A Igreja \u2013 os crist\u00e3os \u2013 deve ser misericordiosa \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Jesus, que \u00e9 \u201co rosto da miseric\u00f3rdia do Pai\u201d. \u201cToda a sua a\u00e7\u00e3o pastoral deveria estar envolvida pela ternura com que se dirige aos crentes; no an\u00fancio e testemunho que oferece ao mundo, nada pode ser desprovido de miseric\u00f3rdia. A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo\u201d, escreve Francisco, que reconhece, contudo, que \u201ctalvez, demasiado tempo, nos tenhamos esquecido de apontar e viver o caminho da miseric\u00f3rdia\u201d.<br \/>\nA Igreja esqueceu-se da miseric\u00f3rdia? O te\u00f3logo espanhol Jos\u00e9 Antonio Pagola afirma que \u201cna Igreja nunca a compaix\u00e3o foi esquecida\u201d, mas adianta que \u201cn\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que [a Igreja] n\u00e3o conseguiu introduzir no mundo o princ\u00edpio da miseric\u00f3rdia como a grande heran\u00e7a de Jesus\u201d (in \u201cJesus e o dinheiro\u201d, Paulus, p\u00e1g. 66). Mas porqu\u00ea?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Culpa ou sofrimento?<\/strong><br \/>\n\u201cEm boa parte \u2013 continua Pagola, agora citando o te\u00f3logo alem\u00e3o J.B. Metz \u2013 porque \u00aba doutrina crist\u00e3 da reden\u00e7\u00e3o dramatizou excessivamente a quest\u00e3o da culpa e relativizou a quest\u00e3o do sofrimento\u2026 De uma religi\u00e3o sens\u00edvel ao sofrimento passou mais a ser uma religi\u00e3o sens\u00edvel ao pecado. O seu interesse principal deixode ser o sofrimento da criatura e concentrou-se na culpa\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aprender com Jesus<\/strong><br \/>\nTalvez tenhamos ent\u00e3o de reaprender, ou simplesmente aprender, a miseric\u00f3rdia com Jesus Cristo. Pagola explica-nos como podemos fazer: \u201cNo cristianismo, temos de recuperar um dado de suma import\u00e2ncia. O primeiro olhar de Jesus n\u00e3o se dirige ao pecado do ser humano, mas ao sofrimento. O contraste com o profeta S\u00e3o Jo\u00e3o Batista \u00e9 esclarecedor. Toda a atividade do Batista gira \u00e0 volta do pecado; denuncia os pecados do povo, chama os pecadores \u00e0 penit\u00eancia e oferece um batismo de convers\u00e3o e de perd\u00e3o aos que acorrem ao Jord\u00e3o. O Batista n\u00e3o se aproxima dos enfermos, nem toca no p\u00e9 dos leprosos, nem abra\u00e7a as crian\u00e7as da rua, nem se senta a comer com os pecadores exclu\u00eddos, nem com gente indesej\u00e1vel. O Batista n\u00e3o se aproxima do sofrimento das pessoas, nem se dedica a fazer a vida mais humana. N\u00e3o sai da sua miss\u00e3o estritamente religiosa. Para Jesus, pelo contr\u00e1rio, a primeira preocupa\u00e7\u00e3o foi o sofrimento das pessoas enfermas e subalimentadas da Galileia, a defesa dos alde\u00e3os explorados pelos poderosos donos das terras ou o acolhimento dos pecadores e prostitutas, exclu\u00eddos da religi\u00e3o. Para Jesus, o grande pecado contra o projeto de Deus consiste sobretudo em resistirmos a tomar parte do sofrimento dos outros, fechando-nos no nosso pr\u00f3prio bem-estar. A partir da Sua experi\u00eancia radical da compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia de Deus, Jesus introduziu na hist\u00f3ria um princ\u00edpio decisivo de a\u00e7\u00e3o: \u00abSede misericordiosos, como tamb\u00e9m o vosso Pai \u00e9 misericordioso\u00bb (Lc 6,36). \u00c9 a compaix\u00e3o ativa e solid\u00e1ria que nos h\u00e1 de conduzir para esse mundo mais digno e feliz querido por Deus para todos. Por isso, a miseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 uma virtude a mais, mas sim o caminho \u00fanico para reagir perante o clamor dos que sofrem e para construir um mundo mais humano. Esta \u00e9 a heran\u00e7a de Jesus para toda a humanidade\u201d (p\u00e1g. 35).<br \/>\nA miseric\u00f3rdia concretiza-se principalmente em tr\u00eas verbos: consolar, perdoar, dar. Retomemos as palavras de Francisco, que pede que a miseric\u00f3rdia seja reproposta com novo entusiasmo e pastoral renovada: \u201cPrecisamos sempre de contemplar o mist\u00e9rio da miseric\u00f3rdia. \u00c9 fonte de alegria, serenidade e paz. \u00c9 condi\u00e7\u00e3o da nossa salva\u00e7\u00e3o. Miseric\u00f3rdia: \u00e9 a palavra que revela o mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade. Miseric\u00f3rdia: \u00e9 o acto \u00faltimo e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Miseric\u00f3rdia: \u00e9 a lei fundamental que mora no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa, quando v\u00ea com olhos sinceros o irm\u00e3o que encontra no caminho da vida. Miseric\u00f3rdia: \u00e9 o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a de sermos amados para sempre, apesar da limita\u00e7\u00e3o do nosso pecado\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa proclamou um Ano de Miseric\u00f3rdia, que oficialmente s\u00f3 come\u00e7a no dia 8 de dezembro de 2015, quando o Francisco abrir a Porta do Ano Santo, e vai at\u00e9 20 de novembro de 2016. Nas dioceses e nas par\u00f3quias, por\u00e9m, o ano pastoral da Miseric\u00f3rdia j\u00e1 come\u00e7ou. 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