{"id":26348,"date":"2015-10-30T10:14:22","date_gmt":"2015-10-30T10:14:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26348"},"modified":"2015-10-30T10:14:22","modified_gmt":"2015-10-30T10:14:22","slug":"saudades-daquele-que-me-diz-ao-ouvido-que-gosta-de-mim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/saudades-daquele-que-me-diz-ao-ouvido-que-gosta-de-mim\/","title":{"rendered":"Saudades daquele &#8220;que me diz ao ouvido que gosta de mim&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/saudades.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-26350\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/saudades.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"582\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/saudades.jpg 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/saudades-206x300.jpg 206w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>SAUDADES DE DEUS<br \/>\n<em>Carreira das Neves<\/em><br \/>\nEditorial Presen\u00e7a<br \/>\n173 p\u00e1ginas<br \/>\n12,90 euros<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carreira das Neves, franciscano, conhecido te\u00f3logo da nossa pra\u00e7a, cultor de um estilo dialogante e conciliat\u00f3rio, apresenta-nos \u201cSaudades de Deus\u201d, o seu mais recente contributo para a catequiza\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria.<br \/>\nComecemos pelo t\u00edtulo, que convenientemente encerra a premissa do livro. Diz Carreira das Neves que ao falarmos de saudade, \u201cexprimimos um certo tipo de solid\u00e3o: saudade do amado que est\u00e1 longe ou j\u00e1 faleceu\u201d. N\u00e3o sem alguns desvios, concretiza um pouco depois: a saudade de Deus \u00e9 uma saudade da \u201ccerteza de Deus\u201d. Isto \u00e9, da seguran\u00e7a que era poss\u00edvel ter na fiabilidade dos enunciados teol\u00f3gicos mais variados, garantida pela \u201ctutela da Igreja e da tradi\u00e7\u00e3o\u201d, at\u00e9 ao dia \u2013 com ares de quarta-feira \u2013 em que \u201co advento do iluminismo e da ci\u00eancia\u201d lhe p\u00f4s um fim. Apesar da caricatura hist\u00f3rica que o autor n\u00e3o evita, a quest\u00e3o \u00e9 mais do que pertinente e o que vai sugerindo como resposta neste livro merece leitura atenta.<br \/>\nPartindo do debate inevit\u00e1vel, da rela\u00e7\u00e3o de coexist\u00eancia entre ci\u00eancia e f\u00e9, avan\u00e7a a dignidade humana \u2013 conceito jur\u00eddico que \u00e9 uma pura originalidade crist\u00e3 \u2013como paradigma de verdade,uma vez assumida livremente. A este prop\u00f3sito, lembra as palavras de Ant\u00f3nio Lobo Antunes que numa entrevista, naquele jeito de quem finge desconversar muito seu, atirou: \u00abSabe como me aproximei de Deus? Foi atrav\u00e9s dos f\u00edsicos. Dos grandes f\u00edsicos, matem\u00e1ticos, etc. Eram homens profundamente crentes. Simplesmente, o Einstein dizia: \u201c\u00c9 completamente est\u00fapido, porque temos a ideia de um deus vertebrado e gasoso\u201d \u2013 o que eu acho uma defini\u00e7\u00e3o espantosa do que deus n\u00e3o \u00e9\u00bb. Numa outra entrevista, \u00e0 pergunta de quem \u00e9 o Deus em quem acredita, respondeu: \u201cDeus \u00e9 aquele que me diz ao ouvido que gosta de mim\u00bb. E \u00e9 deste Deus \u2013 \u201co Deus vivo\u201d, que \u00e9 esc\u00e2ndalo de amor, que op\u00f5e ao Deus feito \u00e0 nossa imagem e semelhan\u00e7a \u2013 que Carreira das Neves nos fala.<br \/>\nPara poder falar de Deus com propriedade e recorrendo aos nomes pr\u00f3prios, defende o autor, \u00e9 importante fazer uma genealogia do Deus (evidentemente, a nossa ideia de Deus). Pela exegese de alguns textos do antigo testamento, primeiro, e das cartas apost\u00f3licas, depois, vamos progredindo do teomorfismo dos patriarcas e reis para o \u00fanico antropomorfismo sem blasf\u00e9mia: Cristo. Um passo que n\u00e3o pode ser dado sem consequ\u00eancias e que conhece a sua ruptura pr\u00e1tica mais radical naquilo a que chama o sintagma do Reino de Deus \u2013 o s\u00edmbolo de um mundo novo, escandaloso, em que o mandamento \u00e9 o amor, at\u00e9 ao inimigo. Uma das virtudes do livro est\u00e1, contudo, na forma como Carreira das Neves n\u00e3o se fica pela interpreta\u00e7\u00e3o dos textos b\u00edblicos e por uma teologia que n\u00e3o se envolve no mundo. De destacar o cap\u00edtulo, did\u00e1tico e certeiro, sobre a patr\u00edstica, com que se lan\u00e7am (e depois desenvolvem) sobretudo duas ideias fortes: o crist\u00e3o n\u00e3o se faz por gera\u00e7\u00e3o mas por regenera\u00e7\u00e3o e a f\u00e9 que n\u00e3o seja objeto de reflex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e9 (\u201cde resto, crer n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o pensar assentindo\u201d, diz Santo Agostinho); estas duas ideias n\u00e3o se limitam a sintetizar um debate complexo e rico, resumem mesmo muito do que constituiu desde cedo o cristianismo enquanto pr\u00e1tica e comunidade. Com esta chave, assim o prova \u201cSaudade de Deus\u201d, pode-se ler melhor o sentido interno do corpo de tradi\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, a devo\u00e7\u00e3o mariana, a concep\u00e7\u00e3o maternal da Igreja, a mensagem de Francisco e at\u00e9, a contrario, o sentido das \u201cnovas espiritualidades\u201d.<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio Ramos Pereira<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SAUDADES DE DEUS Carreira das Neves Editorial Presen\u00e7a 173 p\u00e1ginas 12,90 euros &nbsp; &nbsp; Carreira das Neves, franciscano, conhecido te\u00f3logo da nossa pra\u00e7a, cultor de um estilo dialogante e conciliat\u00f3rio, apresenta-nos \u201cSaudades de Deus\u201d, o seu mais recente contributo para a catequiza\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria. Comecemos pelo t\u00edtulo, que convenientemente encerra a premissa do livro. 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