{"id":26465,"date":"2015-11-26T12:02:58","date_gmt":"2015-11-26T12:02:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26465"},"modified":"2015-11-26T12:02:58","modified_gmt":"2015-11-26T12:02:58","slug":"maleitas-e-tentativas-de-cura-do-capitalismo-a-partir-de-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/maleitas-e-tentativas-de-cura-do-capitalismo-a-partir-de-dentro\/","title":{"rendered":"Maleitas e tentativas de cura do capitalismo a partir de dentro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/capitalismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-26466\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/capitalismo.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"614\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/capitalismo.jpg 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/capitalismo-195x300.jpg 195w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CAPITALISMO POSTO \u00c1 PROVA<br \/>\nPhilip Kotler<br \/>\n<em>Presen\u00e7a<\/em><br \/>\n<strong>256 p\u00e1ginas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Philip Kotler \u00e9 conhecido nos meios empresariais e comerciais como um dos mais importantes gurus do marketing (existe a palavra portuguesa mercadologia, mas tem menos for\u00e7a para significar as estrat\u00e9gias de vendas, o estudos do comportamento dos consumidores, os processos para determinar produtos e servi\u00e7os que lhes interessam, a defini\u00e7\u00e3o de publicidade, etc., que \u00e9 disso que trata o marketing). Ora o marketing \u00e9 algo de fundamental no capitalismo. Quase os poder\u00edamos tomar por sin\u00f3nimos. O sistema capitalista precisa de marketing, d\u00e1-lhe quase um estatuto de ci\u00eancia. O autor afirma, no entanto, que \u201cos economistas negligenciaram o papel e poder do marketing em moldar e influenciar os mercados\u201d, isto, num contexto em que as pessoas querem compreender o capitalismo, critic\u00e1-lo, melhor\u00e1-lo, ou, em alguns casos, suprimi-lo.<br \/>\nO autor publicou este livro em 2015, j\u00e1 depois do t\u00e3o falado \u201cO Capital no s\u00e9culo XXI\u201d, do franc\u00eas Thomas Piketty, mas o horizonte \u00e9 sempre a \u201ccrise do capitalismo\u201d, tema recorrente na Europa e na Am\u00e9rica desde a crise do \u201csubprime\u201d de 2007, que desencadeou diversas outras crises, incluindo a crise da d\u00edvida p\u00fablica em Portugal (e em outros pa\u00edses viciados em d\u00e9fices). Muita gente tem falado desde ent\u00e3o em mudan\u00e7a de paradigma no capitalismo, ou mesmo fim do capitalismo, n\u00e3o se percebendo, contudo, em que sentido poder\u00e1 ir a mudan\u00e7a para al\u00e9m de mais regula\u00e7\u00e3o. Sensatas eram as palavras de Bento XVI, quando escrevia que \u201c\u00e9 preciso que as finan\u00e7as enquanto tais \u2014 com estruturas e modalidades de funcionamento necessariamente renovadas depois da sua m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o que prejudicou a economia real \u2014 voltem a ser um instrumento que tenha em vista a melhor produ\u00e7\u00e3o de riqueza e o desenvolvimento.\u201d (\u201cCaritas in veritate\u201d, 65). Em resumo, n\u00e3o menos capitalismo, mas melhor capitalismo.<br \/>\nKotler n\u00e3o cita Bento XVI, nem consta que conhe\u00e7a a Doutrina Social da Igreja (ainda que cite Madre Teresa de Calcut\u00e1 na p\u00e1gina 240), mas n\u00e3o nos parece dif\u00edcil compaginar as suas preocupa\u00e7\u00f5es com as da DSI, porque estas procuram mais corrigir os defeitos das pr\u00e1ticas correntes \u00e0 luz de princ\u00edpios como o bem comum e a dignidade humana do que propor modelos completamente novos. Kotler aborda, precisamente, as imperfei\u00e7\u00f5es do capitalismo e n\u00e3o podemos esquecer a resposta de Jo\u00e3o Paulo II quando se interrogava em 1991 sobre se o modelo capitalista poderia ser assumido por uma s\u00e9rie de na\u00e7\u00f5es que se viram \u00f3rf\u00e3s devido \u00e0 fal\u00eancia do modelo comunista (sovi\u00e9tico): \u201cSe por \u00abcapitalismo\u00bb se indica um sistema econ\u00f3mico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produ\u00e7\u00e3o, da livre criatividade humana no setor da economia, a resposta \u00e9 certamente positiva, embora talvez fosse mais apropriado falar de \u00abeconomia de empresa\u00bb, ou de \u00abeconomia de mercado\u00bb, ou simplesmente de \u00abeconomia livre\u00bb. Mas se por \u00abcapitalismo\u00bb se entende um sistema onde a liberdade no setor da economia n\u00e3o est\u00e1 enquadrada num s\u00f3lido contexto jur\u00eddico que a coloque ao servi\u00e7o da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimens\u00e3o desta liberdade, cujo centro seja \u00e9tico e religioso, ent\u00e3o a resposta \u00e9 sem d\u00favida negativa\u201d (\u201cCentesimus annus\u201d, 42).<br \/>\nO professor de Marketing n\u00e3o procura uma alternativa ao capitalismo. Parafraseando Churchill, na sua c\u00e9lebre considera\u00e7\u00e3o sobre a democracia, afirma que aceita \u201ca possibilidade de o capitalismo poder ser uma forma deficiente de gerir uma economia, talvez a pior, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de todas as outras forma j\u00e1 experimentadas e fracassadas\u201d. E falhas, o capitalismo tem muitas. O autor aponta 14 \u201cimperfei\u00e7\u00f5es graves\u201d e dedica a cada uma delas um cap\u00edtulo de \u201cO capitalismo posto \u00e0 prova\u201d.<br \/>\n<strong>J.P.F.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Catorze imperfei\u00e7\u00f5es do capitalismo apontadas por Philip Kotler<\/h4>\n<p>1. O Capitalismo prop\u00f5e poucas ou nenhumas solu\u00e7\u00f5es para a persist\u00eancia da pobreza.<br \/>\n2. \u2026gera um crescente n\u00edvel de desigualdade de rendimentos e riqueza.<br \/>\n3. \u2026n\u00e3o paga um sal\u00e1rio digno a milhares de milh\u00f5es de trabalhadores.<br \/>\n4. \u2026talvez n\u00e3o crie suficientes postos de trabalho face \u00e0 crescente automatiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n5. \u2026n\u00e3o cobra \u00e0s empresas a totalidade dos custos sociais das suas atividades<br \/>\n6. \u2026explora o meio ambiente e os recursos naturais nos casos em que estes n\u00e3o est\u00e3o regulados<br \/>\n7. \u2026cria ciclos econ\u00f3micos e instabilidade econ\u00f3mica.<br \/>\n8. \u2026enfatiza o individualismo e o interesse pr\u00f3prio \u00e0 custa das comunidades e das popula\u00e7\u00f5es.<br \/>\n9. \u2026encoraja um elevado endividamento dos consumidores e conduz a uma economia cada vez mais orientada para o lucro em detrimento do lucro obtido pela produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\n10. \u2026permite que pol\u00edticos e interesses empresariais colaborem para subverter os interesses econ\u00f3micos da maior parte da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n11. \u2026favorece um planeamento orientado para o lucro de curto prazo em vez de um planeamento de investimento a longo prazo.<br \/>\n12. \u2026deveria ser submetido a regula\u00e7\u00f5es no tocante \u00e0 qualidade dos produtos, \u00e0 seguran\u00e7a, \u00e0 verdade na publicidade e ao comportamento anticoncorrencial<br \/>\n13. \u2026tende a focar-se quase exclusivamente no crescimento do PIB.<br \/>\n14. \u2026Precisa de introduzir valores sociais e felicidade na equa\u00e7\u00e3o do mercado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; CAPITALISMO POSTO \u00c1 PROVA Philip Kotler Presen\u00e7a 256 p\u00e1ginas &nbsp; &nbsp; Philip Kotler \u00e9 conhecido nos meios empresariais e comerciais como um dos mais importantes gurus do marketing (existe a palavra portuguesa mercadologia, mas tem menos for\u00e7a para significar as estrat\u00e9gias de vendas, o estudos do comportamento dos consumidores, os processos para determinar produtos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-26465","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26465"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26467,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26465\/revisions\/26467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}