{"id":26498,"date":"2015-12-09T18:06:30","date_gmt":"2015-12-09T18:06:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/?p=26498"},"modified":"2015-12-09T18:06:30","modified_gmt":"2015-12-09T18:06:30","slug":"o-perigo-desta-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-perigo-desta-misericordia\/","title":{"rendered":"O &#8220;perigo&#8221; desta Miseric\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24487\" aria-describedby=\"caption-attachment-24487\" style=\"width: 243px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Web_M-Oliveira-de-Sousa1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24487 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Web_M-Oliveira-de-Sousa1-243x300.jpg\" alt=\"M. Oliveira de Sousa Professor\" width=\"243\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Web_M-Oliveira-de-Sousa1-243x300.jpg 243w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Web_M-Oliveira-de-Sousa1.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24487\" class=\"wp-caption-text\">M. Oliveira de Sousa<br \/> Professor<\/figcaption><\/figure>\n<p>A explicita\u00e7\u00e3o com recurso ao demonstrativo (\u201cdesta\u201d) ganhou atualidade, a prop\u00f3sito da economia reinante, na \u201cEvangelii Gaudium\u201d.<br \/>\nPois na abertura do Ano da Miseric\u00f3rdia acentua-se o apelo \u00e0 mudan\u00e7a profunda na interpreta\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es consagradas em doutrina: \u201cpoderemos fazer a experi\u00eancia de abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0queles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contempor\u00e2neo cria de forma dram\u00e1tica. Quantas situa\u00e7\u00f5es de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferen\u00e7a dos povos ricos. Neste Jubileu, a Igreja sentir-se-\u00e1 chamada ainda mais a cuidar destas feridas, alivi\u00e1-las com o \u00f3leo da consola\u00e7\u00e3o, enfaix\u00e1-las com a miseric\u00f3rdia e trat\u00e1-las com a solidariedade e a aten\u00e7\u00e3o devidas. N\u00e3o nos deixemos cair na indiferen\u00e7a que humilha, na habitua\u00e7\u00e3o que anestesia o esp\u00edrito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destr\u00f3i. Abramos os nossos olhos para ver as mis\u00e9rias do mundo, as feridas de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s privados da pr\u00f3pria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas m\u00e3os apertem as suas m\u00e3os e estreitemo-los a n\u00f3s para que sintam o calor da nossa presen\u00e7a, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferen\u00e7a que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o ego\u00edsmo\u201d &#8211; da Bula convocat\u00f3ria, n.\u00ba 15.<br \/>\nIsto \u00e9 perigoso. Este homem \u00e9 perigoso! Vai ao encontro dos que precisam, sai do que poderia ser considerado \u201czona do conforto\u201d (seguran\u00e7a, poder, esquemas mentais, din\u00e2micas de rotina, \u201cstatus\u201d social, delimita\u00e7\u00e3o conceptual, saudosismos inveterados de monop\u00f3lios,\u2026)! \u00c9 um perigo, pelo que faz e como o faz, para ele e para os outros. Quem concorda mobiliza-se, quem n\u00e3o concorda sente-se desmobilizado. E h\u00e1 uns tantos que se deixam consumir (enquanto podem) pelo sentimento perdido \u201cassim n\u00e3o vamos l\u00e1\u201d \u2013 s\u00e3o aqueles, quais n\u00e1ufragos, que se agarram a umas pequenas t\u00e1buas que flutuam \u00e0 sua volta na convic\u00e7\u00e3o que excluindo est\u00e3o a agir como certo (no fundo n\u00e3o mais do que medo do seu pr\u00f3prio futuro: afundarem-se).<br \/>\nO perigo ganha express\u00f5es que parecem ainda mais acentuadas com compara\u00e7\u00f5es que andam por a\u00ed em \u201cremember\u201d assustador. Escrevia no P\u00fablico Alexandra Lucas Coelho \u201cO PREC (processo revolucion\u00e1rio em curso) do Papa em 2015\u201d: O que aconteceu na Rep\u00fablica Centro-Africana, segunda-feira, foi que o Papa Francisco atravessou um cerco de mil\u00edcias crist\u00e3s armadas para ir ter com os mu\u00e7ulmanos enclausurados l\u00e1 dentro. A capital do pa\u00eds \u00e9 Bangui, o cerco acontece num bairro chamado PK5, que se tornou o reduto dos \u00faltimos mu\u00e7ulmanos, depois de as mil\u00edcias crist\u00e3s terem for\u00e7ado mais de 100 mil a fugir, entre v\u00e1rios massacres. A viol\u00eancia dessas mil\u00edcias \u00e9 uma resposta \u00e0 viol\u00eancia da coliga\u00e7\u00e3o de rebeldes mu\u00e7ulmanos que governou o pa\u00eds durante uns meses de 2013. Foi este ciclo de viol\u00eancia que Francisco procurou quebrar, transpondo o cerco de p\u00e9 num carro descoberto. E chegando \u00e0 mesquita central disse \u201cDeus \u00e9 paz, salam\u201d, \u201csomos irm\u00e3os e irm\u00e3s\u201d. O P\u00fablico citou o que um velho mu\u00e7ulmano, Idi Bohari, disse \u00e0 Ag\u00eancia France Press: \u201cPens\u00e1vamos que todo o mundo nos tinha abandonado, mas ele n\u00e3o nos abandonou. Ele tamb\u00e9m nos ama, aos mu\u00e7ulmanos, e eu estou muito feliz.\u201d<br \/>\nIsto est\u00e1 mesmo estranho: estar fora do \u201cdireitinho\u201d \u00e9 um perigo revolucion\u00e1rio!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A explicita\u00e7\u00e3o com recurso ao demonstrativo (\u201cdesta\u201d) ganhou atualidade, a prop\u00f3sito da economia reinante, na \u201cEvangelii Gaudium\u201d. 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